O Governo Federal já colocou em prática uma estratégia de monitoramento e prevenção para enfrentar os possíveis impactos de um novo fenômeno El Niño, que pode atingir o Brasil ainda este ano. Em entrevista ao programa “Bom dia, ministro”, do Canal Gov, nesta quinta-feira, 11, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, afirmou que o país está mais preparado para responder aos desafios climáticos agora do que em anos anteriores.
Segundo o ministro, os estudos recentes apontam cerca de 80% de probabilidade de ocorrência de um El Niño de grande intensidade. Diante desse cenário, o Governo decidiu antecipar medidas de prevenção e resposta.
“O que temos hoje é uma indicação de que há aproximadamente 80% de chance de probabilidade de ser um El Niño muito intenso. Então, o que deveríamos fazer? Aguardar 100% de certeza? Claro que não. O Brasil nunca trabalhou assim. E agora estamos muito melhor preparados do que nos anos anteriores”, afirmou.
Capobianco explicou que o fenômeno, embora natural, tem seus efeitos agravados pelas mudanças climáticas. A combinação pode provocar secas severas e aumento do risco de incêndios florestais nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, enquanto o Sul e o Sudeste tendem a enfrentar chuvas mais intensas, com possibilidade de enchentes e deslizamentos.
Estrutura permanente de prevenção
Para coordenar as ações, o Governo Federal instalou uma sala de situação permanente sob coordenação da Casa Civil, reunindo 13 ministérios e diversos órgãos públicos. O grupo acompanha continuamente os cenários climáticos e planeja respostas antecipadas para reduzir impactos ambientais e sociais.
“O governo já instalou a sala de situação, que vai monitorando e preparando as ações”, explicou o ministro.
A estrutura permite o acionamento de recursos extraordinários e o planejamento integrado de ações envolvendo as Forças Armadas, Polícia Federal, Ibama, ICMBio, estados e municípios. Entre as medidas já adotadas estão o reforço do monitoramento ambiental, a ampliação da frota de aeronaves e equipamentos de combate ao fogo e o repasse de aproximadamente R$ 500 milhões aos corpos de bombeiros de estados considerados mais vulneráveis aos incêndios florestais.
Manejo Integrado do Fogo fortalece combate às queimadas
Durante a entrevista, Capobianco destacou a implementação da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, aprovada pelo governo do presidente Lula em 2024. A legislação estabelece responsabilidades compartilhadas entre União, estados, municípios e proprietários rurais na prevenção e combate aos incêndios.
“A nova legislação estabelece o princípio da corresponsabilidade, dividindo atribuições claras entre a União, estados, municípios e proprietários rurais. Na prática, isso quer dizer que, pela lei, os estados e municípios precisam elaborar os seus planos de manejo integrado do fogo para cada área do seu estado e municípios. E os proprietários rurais também passam a ter responsabilidade na prevenção”, explicou.
De acordo com o ministro, os resultados das ações preventivas já começam a aparecer. Em 2025, a área queimada no Brasil foi 39% menor do que a média registrada entre 2017 e 2024.
Além da prevenção, o governo também ampliou as ações de fiscalização e responsabilização de criminosos que provocam incêndios de forma deliberada. “Hoje, o Governo do Brasil, por meio da Polícia Federal, estabeleceu um procedimento muito rigoroso de monitoramento e acompanhamento que está permitindo identificar, pela primeira vez, quem causou o início do incêndio. Isso está permitindo o estabelecimento de processos de investigação e de punição daqueles que fizeram isso criminosamente”, destacou.
Ampliação da fiscalização ambiental
Capobianco também ressaltou o fortalecimento das operações de fiscalização ambiental desde o início do terceiro mandato do presidente Lula. Segundo ele, as ações do Ibama e do ICMBio duplicaram em todo o país, com foco especial na Amazônia e no combate ao garimpo ilegal. As operações incluem monitoramento diário por satélite, retirada de invasores de unidades de conservação e ações permanentes contra atividades ilegais em áreas protegidas.
Ao final da entrevista, o ministro fez um apelo à população para que evite qualquer uso do fogo durante o período mais crítico do ano. Segundo ele, a maioria dos incêndios tem origem em ações humanas que, diante das condições climáticas extremas, podem rapidamente sair do controle.
“Nada substitui a ação da sociedade. Faço aqui o apelo, cada cidadão agora se torna corresponsável pelo manejo integrado do fogo. Ou seja, não use fogo a partir de julho agora, porque a situação climática vai tornar isso uma situação muito perigosa”, alertou.
Para o ministro, os avanços obtidos nos últimos anos demonstram que é possível combinar preservação ambiental, desenvolvimento sustentável e proteção da população diante dos desafios impostos pela crise climática. “Estamos muito mais bem preparados”, resumiu o ministro.

