Uma ampla mobilização nacional coordenada pelo Ministério da Saúde pretende descentralizar o atendimento para dar assistência a milhares de brasileiros que moram distante dos centros urbanos e aguardam por consultas, exames e cirurgias especializadas no Sistema Único de Saúde (SUS).
Somente esta semana, mais de 16 mil procedimentos serão realizados em 46 unidades hospitalares distribuídas por 20 estados, por meio do programa Agora Tem Especialistas.
A iniciativa reúne hospitais públicos, privados e filantrópicos em uma estratégia voltada à redução das filas e à ampliação do acesso à atenção especializada. Além de estabelecer parcerias inéditas com instituições privadas, o Governo Federal investiu na reativação de salas cirúrgicas que estavam sem funcionamento em hospitais estaduais e municipais devido à falta de equipes, equipamentos ou insumos.
Pacientes encaminhados para instituições privadas e filantrópicas terão acesso gratuito a consultas, exames e procedimentos em áreas como oftalmologia, ortopedia, cardiologia, oncologia, ginecologia e cirurgia geral. A medida contempla moradores da Bahia, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Sergipe e São Paulo.
Já nos hospitais públicos, o Ministério da Saúde recuperou estruturas que estavam ociosas e contratou profissionais nos estados do Acre, Amazonas, Amapá, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Pará, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Sergipe e Tocantins. A intenção é ampliar a rede de atendimento para diminuir o tempo de espera para quem mais precisa.
Segundo o Ministério da Saúde, cerca de 2,3 mil procedimentos serão feitos por hospitais privados e filantrópicos. a rede pública ficará responsável por outros 13 mil atendimentos.
Compromisso do Presidente
Para o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a ação representa um esforço nacional para fortalecer o SUS e garantir que o atendimento chegue com mais rapidez à população.
“Estamos cumprindo o compromisso do governo do presidente Lula com a população brasileira e levando o SUS para todos os cantos do país. Com essa ação nacional, mobilizamos toda a capacidade instalada do país, com hospitais públicos, filantrópicos e privados trabalhando juntos para ampliar o atendimento especializado”, afirmou.
O ministro Padilha declarou, em entrevista à Rádio PT, que o país vive um novo momento na saúde pública, após anos marcados pelo negacionismo e pelo desmonte de políticas essenciais pelo governo Bolsonaro.
“O presidente está enterrando essa página do negacionismo e do descompromisso com o SUS, e promovendo a revolução necessária para termos um sistema ainda mais forte, mais moderno e mais próximo do povo brasileiro”, afirmou.
Resultados em regiões historicamente desassistidas
A estratégia já foi testada em municípios da Região Norte, considerados desafios históricos para o acesso à saúde especializada. Ações realizadas em Manacapuru, Itacoatiara, Parintins e Maués, no Amazonas, além de Santarém, no Pará, resultaram em mais de 9 mil cirurgias e ofertas de cuidado integrado, contribuindo para reduzir filas e ampliar o atendimento em áreas afastadas dos grandes centros.
Recordes de atendimento
Os investimentos na ampliação da assistência especializada também refletem indicadores recentes da rede pública. Dados do Ministério da Saúde apontam que o país registrou, em 2025, cerca de 14,9 milhões de cirurgias eletivas realizadas pelo SUS, número 42% superior ao registrado em 2022.
No mesmo período, foram contabilizadas 1,6 bilhão de consultas com especialistas, crescimento de 30%, além de mais de 1,3 bilhão de exames, alta de 22% em comparação com 2022. O SUS também realizou aproximadamente 14 milhões de internações ao longo do ano.
Programa atua em diversas frentes
O Agora Tem Especialistas reúne uma série de ações voltadas à redução do tempo de espera no SUS. Além dos mutirões e da recuperação de estruturas hospitalares, o programa prevê ampliação do horário de funcionamento de policlínicas, contratação de especialistas e expansão dos atendimentos realizados por hospitais privados e filantrópicos credenciados.
Outra frente de atuação são as unidades móveis de saúde. Atualmente, 87 carretas percorrem o país oferecendo consultas, exames e atendimentos especializados em saúde da mulher, oftalmologia e diagnóstico por imagem. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 193 mil pessoas já foram atendidas, totalizando cerca de 498 mil procedimentos em mais de 3 mil municípios brasileiros. A expectativa do governo federal é ampliar essa estrutura para 150 unidades móveis até o fim de 2026.

