O ex-ministro Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, defendeu a soberania nacional e criticou o entreguismo do bolsonarista Tarcísio de Freitas (Republicanos), que disputa a reeleição, no primeiro debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes, na noite do último domingo, 9. Ao comentar sobre os impactos das tarifas comerciais impostas por Donald Trump ao Brasil, Haddad relembrou o alinhamento de Tarcísio aos Estados Unidos, sem defesa da atividade econômica do Brasil.
Haddad também fez críticas sobre a gestão da educação no estado de São Paulo e da segurança pública.
Leia a seguir os principais momentos de Haddad no debate.
Soberania nacional
Ao responder sobre o impacto do tarifaço imposto pelos Estados Unidos para São Paulo e o resto do país, Haddad classificou a medida como um ataque sem justificativa econômica, já que os norte-americanos têm superávit comercial com o Brasil. Segundo ele, a medida se deu por razões “meramente ideológicas”.
O candidato do PT também lembrou a postura subserviente de Tarcísio de Freitas aos Estados Unidos, sem a defesa necessária e enfática dos setores produtivos brasileiros, como está fazendo o Governo Federal.
“O que um governador tem que fazer é colocar o boné certo na cabeça, o boné do Brasil, colocar o chapéu de brasileiro e fortalecer o poder central e a diplomacia para enfrentar uma agressão inédita e injustificável”, disse Haddad, numa referência ao boné usado pelo governador com os dizeres “Make America Great Again”, a sigla MAGA, o slogan de Trump, muito usado também pela família Bolsonaro.
Haddad lembrou que outros países atacados pelos EUA reagiram em bloco na defesa da soberania nacional e criticou setores da política brasileira que optaram por apoiar o país agressor. Citou o Plano Brasil Soberano, que abriu 600 novos mercados para as exportações brasileiras, e destacou que o país bate recordes de exportação mesmo sob o tarifaço. “É hora de união, não de dispersão”, defendeu.
Fator Bolsonaro
Haddad cobrou Tarcísio de Freitas por evitar reconhecer o apoio recebido do governo federal com a renegociação da dívida do estado, R$ 13 bilhões em financiamentos do BNDES e a transferência da área da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, com R$ 180 mil por família removida. Segundo ele, Tarcísio tem “vergonha” de dizer aos apoiadores bolsonaristas que recebeu ajuda do presidente Lula.
Lembrou ainda que São Paulo perdeu cerca de R$ 1 bilhão por mês por ter sido o último estado a aderir ao Propag, o programa federal de renegociação de dívidas estaduais, por evitar aparecer publicamente ao lado do presidente.
Haddad também questionou diretamente se Tarcísio manterá indicações ligadas a Eduardo Bolsonaro, como a tia do deputado cassado na Secretaria das Mulheres – “quase uma provocação às mulheres paulistas” – e o ex-secretário Guilherme Derrite na Segurança Pública.
Educação
Haddad apresentou uma sequência de dados para sustentar que a educação paulista piorou sob Tarcísio: “O Tarcísio herdou o estado de São Paulo na terceira colocação em termos de qualidade do ensino médio e está entregando na décima. Aí você pega os estados que ultrapassaram São Paulo, e todos têm muito menos recurso para investir por aluno. […] Não é razoável o estado mais rico da federação ficar para trás.”
Na alfabetização na idade certa, o estado está em 61%, abaixo da média nacional de 66%. No ensino médio em tempo integral, São Paulo tem cerca de 24% dos alunos matriculados, contra 81% no Piauí e quase 60% em Pernambuco e no Ceará.
“Você tá substituindo livro didático e professor motivado por aula de slide. […] Ninguém vai aprender com slide, Tarcísio”, declarou.
Segurança pública
Sobre crime organizado, Haddad apontou a expansão do Comando Vermelho a partir do Rio de Janeiro pelo Vale do Paraíba e citou o afastamento do comandante-geral da Polícia Militar paulista, suspeito de vínculos com facções criminosas. Disse que faltou comando do governador sobre as forças de segurança: “Só a truculência não vai resolver. […] É preciso asfixiar financeiramente”. Segundo ele, Tarcísio não se responsabiliza pelas ações de seu governo.
Haddad também citou o crescimento de 10% do feminicídio em São Paulo no primeiro semestre de 2026, contra queda de 2,5% no país, e de 6,5% nos estupros. “Por que você não botou a delegacia da mulher para funcionar 24 horas?”, questionou.
Segundo Haddad, São Paulo está “no tempo do telefone fixo” em relação às tecnologias voltadas para segurança pública, educação e saúde. “Você tá comprando a tecnologia errada, por isso todos os indicadores estão piorando.”

