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Lula: ‘Mercosul precisa fazer diferença na vida das pessoas’

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, com presidente Luiz Inácio Lula da Silva

Ao defender o fortalecimento da integração regional durante a 68ª Cúpula de Presidentes do Mercosul, realizada nesta terça-feira, 30, em Assunção, no Paraguai, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o bloco precisa ir além dos indicadores econômicos e produzir resultados concretos para a população. “Não basta estar integrado às grandes cadeias de valores mundiais. O Mercosul precisa fazer diferença na vida das pessoas”, declarou o presidente ao apresentar a visão brasileira para o futuro do bloco.

O presidente destacou os avanços obtidos pelo Mercosul ao longo de seus 35 anos de existência e lembrou que o comércio entre os países passou de US$ 4,5 bilhões em 1991 para cerca de US$ 50 bilhões em 2025.

“Voltamos a olhar para o mundo com ambição. Contrariamos as expectativas de quem acreditava que o acordo com a União Europeia jamais sairia do papel. O Brasil também já ratificou o acordo com a EFTA [Associação Europeia de Livre Comércio] e com Singapura. O Mercosul está avançando nos diálogos com Canadá, Índia e Vietnã. Nessa cúpula, daremos mais um passo ao lançar as negociações de uma parceria econômica com o Japão. Em breve, queremos fazer o mesmo com a China e seguir nos aproximando dos mercados mais dinâmicos do planeta”.

Em 2025, as exportações brasileiras para os países do Mercosul alcançaram quase US$ 26 bilhões, o equivalente a 7,5% das exportações nacionais. O comércio do bloco com o restante do mundo chegou a US$ 757 bilhões.

Durante o discurso, Lula manifestou solidariedade ao povo venezuelano após os terremotos que atingiram o país e pediu um minuto de silêncio pelas vítimas. Para o presidente, a tragédia evidencia a importância da solidariedade entre os países da região. “Tragédias como essa convidam a uma reflexão sobre a importância da solidariedade e da cooperação regionais”, afirmou.

Integração que reduz desigualdades

Ao defender o fortalecimento do Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), Lula anunciou que o Brasil ampliará sua participação no mecanismo. “Estamos prontos para lançar o Focem 2 e aumentar a contribuição brasileira com aportes de 100 milhões de dólares anuais ao longo de uma década. Incorporar a Bolívia ao fundo será um passo adicional para reduzir as assimetrias entre os países do bloco”, afirmou.

Durante a cúpula também estão previstas discussões de medidas para aproximar ainda mais os cidadãos dos países integrantes, como o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) para entrada nos países do Mercosul e Estados Associados e a assinatura do protocolo de reconhecimento mútuo de identificação eletrônica, conectando sistemas digitais como o GOV.BR aos mecanismos dos demais países do bloco.

Lula ainda defendeu que a experiência brasileira com o Pix possa servir de modelo para a integração financeira regional.

“O Pix, sistema brasileiro público e gratuito de pagamentos, é referência internacional de inclusão financeira e eficiência digital. Sua arquitetura pode servir de base para uma infraestrutura de pagamentos que beneficie todos os cidadãos do Mercosul. A integração financeira reduzirá custos, fortalecerá o comércio intrabloco, ampliará o uso de moedas locais e aumentará nossa resiliência frente a choques externos”, afirmou.

O presidente também defendeu que os países ampliem a cooperação diante de desafios compartilhados, como a emergência climática, a transição energética e o combate ao crime organizado e a violência contra as mulheres.

“A crise climática, a transição energética, a transformação digital, o enfrentamento ao crime organizado internacional e a promoção da saúde exigem uma capacidade de coordenação regional sem precedentes. Defender biomas como a Amazônia e a Patagônia é proteger nossa soberania, nosso desenvolvimento sustentável e, acima de tudo, defender a vida”, afirmou.

Mercosul acima das disputas políticas

Na parte final de sua participação, Lula defendeu que a integração regional seja tratada como política permanente de Estado, independentemente das mudanças de governo.

O Mercosul não pode funcionar de acordo com a eleição deste ou daquele presidente. Senão, a gente nunca vai ter um bloco realmente forte funcionando. A depender da vontade do presidente, o Mercosul funciona. A depender, não funciona. A gente nunca vai conseguir se transformar num bloco econômico de muita vitalidade para ter influência no mundo”, disse.

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