Ícone do site Partido dos Trabalhadores

Movimentos ocupam praças de São Paulo para se contrapor ao golpe

Um fluxo constante de pessoas se alterna diariamente entre as barracas montadas na praça do Patriarca, em São Paulo. Desde o dia 4 de abril, diversos movimentos sociais se uniram para coordenar o acampamento contra o golpe no ponto central da cidade. A ideia é marcar posição constante, noite e dia, contra o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT), cuja votação está marcada para o domingo (17).

Cada dia, um movimento social diferente fica responsável pelo acampamento. Entre eles, o Movimento de Moradia do Centro (MMC), a Frente de Luta por Moradia (FLM), a Juventude do PT, a Unificação das Lutas por Cortiço, o Movimento de Moradia para Todos (MMPT) e o Movimento Sem Terra de Luta (MSTL).

Cada grupo fica responsável pelo acampamento durante um dia e uma noite, de forma que o acampamento nunca fique vazio. A estimativa é de que, por dia, cerca de 200 pessoas passem pelo local. O movimento responsável também providencia as refeições, com alimentos doados por apoiadores da ocupação. A opinião corrente entre os ocupantes é de que o governo Dilma e de Luiz Inácio Lula da Silva possibilitaram ganhos reais para o movimento de moradia e demais movimentos sociais, e que o governo pós-golpe representaria um retrocesso.

Juciara Barros, da FLM. Foto: Paulo Pinto/Agência PT

“A gente não concorda com o que está acontecendo no país. Estão tentando dar um golpe”, afirma Juciara Barros, da FLM. “Vamos ficar aqui até essa palhaçada do impeachment acabar. Se não acabar, a gente não tem dia, não tem hora para sair daqui”, afirmou ela.

Segundo Barros, o movimento já foi incomodado por Policiais Militares a favor do impeachment e que questionaram a ocupação.

Para Maria Guedes, da Cecasul, movimento de moradias ligado à FLM e com atuação nos bairros Cidade Ademar e Vila Missionária, o governo pós-golpe representa um retrocesso para os movimentos sociais e para a luta por moradia. “A moradia é a coisa que a presidenta mais ajudou. Nós sabemos que se ela sair, a próxima pessoa não vai ser tão lutadora quanto ela”, afirmou.

“O governo do Lula e Dilma representaram a mudança para a população mais carente”, afirmou o assistente-social Adélio, presente na ocupação. Paraguaio, ele conta que desde que chegou no Brasil atua na área social nas periferias de São Paulo e pode observar a mudança possibilitada pelo PT para a população mais carente, na saúde e educação. “A possibilidade da gente perder tudo com outro governo é muito grande, queremos a manutenção desse governo”, disse ele.

Adélio participa de ocupação contra o golpe em São Paulo. Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Além da ocupação constante, o movimento organiza encontros culturais diariamente, a partir das 18h. Na terça-feira (12), um telão montado na praça do Patriarca exibia curta-metragens de temática social para uma plateia atenta. Logo depois, comunicadores e blogueiros organizaram um debate sobre a comunicação contra o golpe, que está sendo fortalecida em contraponto à narrativa da grande mídia.

A Frente Brasil Popular, que agrega diversos movimentos de esquerda, está preparando um esquema de comunicação para o dia da votação do impeachment. A organização planeja um telão na praça do Patriarca no domingo. Além disso, jornalistas de todo o Brasil estão indo para Brasília para ajudar na cobertura do esquema.

Maria, da Cecasul, em ocupação contra o golpe. Foto: Paulo Pinto/Agência PT

Largo da Batata
No Largo da Batata, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, outra ocupação demarca posição contra o golpe. A #OcupeADemocracia é organizada pelos coletivos A Rua e Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST).

Desde domingo, o movimento promove uma programação cultural variada que alterna música, debates e atos políticos. Nesta quarta-feira (13), Leonardo Sakamoto, Guilherme Boulos, Anelis Assumpção, Juca Kfouri e Letícia Sabatella participam de debate na ocupação. Na quinta (14), o conjunto Bixiga 70 realiza show gratuito. No domingo, a ocupação se junta aos demais movimentos na praça do Anhangabaú em grande ato contra o golpe no dia da votação.

“Nossa ideia foi pegar essa energia de mobilização contra o golpe – porque, na nossa opinião, esse pedido de impeachment que está tramitando no Congresso é um golpe – e resolvemos vir aqui para o Largo da Batata para chamar mais a atenção e fazer uma mobilização mais permanente até conseguirmos barrar o golpe, no domingo”, disse Josué Medeiros, do coletivo A Rua. “No sábado (16), vamos encerrar aqui nossas atividades para, no domingo, podemos nos juntar lá [no Anhangabaú] com a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo.”

Por Clara Roman, da Agência PT de Notícias, com informações da Agência Brasil

Sair da versão mobile