O Festival MEL 2026 – Mulheres em Lutas reuniu, em São Paulo, entre os dias 29 e 31 de maio, centenas de mulheres de diferentes regiões do país para debater os principais desafios da democracia brasileira, fortalecer a participação feminina nos espaços de poder e construir estratégias coletivas de enfrentamento às desigualdades de gênero, raça e classe.
Com caráter suprapartidário, o encontro contou com a presença de lideranças políticas, parlamentares, ativistas, pesquisadoras, representantes de movimentos sociais e organizações da sociedade civil em uma ampla programação de debates, rodas de conversa, atividades culturais e espaços de formação política.
Inspirado na força coletiva das abelhas, símbolo do movimento, o MEL se consolidou como um espaço de articulação entre mulheres que atuam em diferentes frentes da vida pública, promovendo o diálogo entre lideranças institucionais e mulheres que constroem resistência nos territórios, nas periferias, nos campos, nas universidades e nos movimentos populares.
O enfrentamento à violência política de gênero e raça, as políticas de cuidado, a autonomia econômica das mulheres, a emergência climática, o combate ao feminicídio e a ampliação da participação feminina nos espaços de decisão foram temas centrais das conversas durante o festival.
Mulheres do PT
A participação das lideranças do Partido dos Trabalhadores teve destaque ao longo do festival. A secretária nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, integrou o painel “Nosso tempo e nosso corpo sustentando a engrenagem: a potência do trabalho das mulheres”, espaço dedicado a debater os desafios enfrentados pelas trabalhadoras brasileiras, especialmente a sobrecarga da tripla jornada e a luta por melhores condições de vida e trabalho.
Mazé destacou a importância da organização coletiva das mulheres para transformar a sociedade e ampliar a conquista de direitos: “Se somos nós que sustentamos o país, somos capazes de transformá-lo. O MEL é um momento de debater temas fundamentais para a vida das mulheres, como a tripla jornada de trabalho e a luta por mais qualidade de vida para as trabalhadoras”.
Também participaram das atividades as deputadas federais Denise Pessôa (PT-RS) e Juliana Cardoso (PT-SP), as vereadoras Teca Nelma (PT-AL), Vitória Karla Coser (PT-ES) e Neguinha do PT (PT-MG), que contribuíram com debates sobre direitos das mulheres, justiça social, políticas públicas e fortalecimento da representação feminina nos espaços institucionais.
Denise Pessôa destacou que o MEL também funciona como um espaço de preparação para os desafios eleitorais dos próximos anos, defendendo o fortalecimento da bancada feminista no Congresso Nacional e a ampliação de mandatos comprometidos com a agenda das mulheres. A parlamentar também ressaltou a importância da luta pelo fim da escala 6×1, medida que impacta especialmente a vida das mulheres trabalhadoras.
Já a deputada Juliana Cardoso chamou atenção para o cenário de violência enfrentado pelas mulheres brasileiras e reforçou a necessidade de enfrentar o machismo e a misoginia presentes na sociedade e nas instituições. A parlamentar destacou ainda a desigualdade na divisão do trabalho doméstico e de cuidados, lembrando que as mulheres continuam sendo as principais responsáveis por essas atividades.
Mandatos fortes e participação política
Durante os painéis, as lideranças destacaram a necessidade de ampliar a presença das mulheres na política, fortalecer mandatos comprometidos com a agenda feminista e enfrentar as diversas formas de violência que atingem as mulheres brasileiras.
A força da organização política das mulheres também esteve presente na oficina “Para Mulheres: Organização de Mobilizações Sociais”, que reuniu importantes lideranças petistas para compartilhar experiências e estratégias de mobilização popular.
A atividade contou com a participação de Camila Moreno, secretária nacional adjunta de Comunicação do PT, da vereadora mais votada da cidade de São Paulo, Luna Zarattini, e da vereadora de Jundiaí, Mariana Janeiro.
Durante o debate, as participantes destacaram a importância da comunicação política, da organização de base e do fortalecimento da participação das mulheres nos movimentos sociais e nos espaços institucionais, apontando caminhos para ampliar o protagonismo feminino nas lutas democráticas e na construção de agendas transformadoras para o país.
Ao longo de todo o encontro, ficou evidente o compromisso das participantes com a construção de um país mais justo, democrático e inclusivo. O manifesto do movimento reafirma que o projeto político das mulheres é a defesa da vida com justiça social e que o cuidado, a solidariedade e a organização coletiva são ferramentas fundamentais para enfrentar os desafios do presente.
Mais do que um festival, o MEL 2026 demonstrou a força de uma ampla articulação feminista nacional capaz de reunir mulheres de diferentes trajetórias, organizações e visões políticas em torno de objetivos comuns: combater as violências, ampliar direitos, fortalecer a democracia e construir novos caminhos para a participação das mulheres nos espaços de poder.
Da Redação do Elas por Elas.

