O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu nesta quinta-feira (25), em Três Lagoas (MS), a reconstrução da capacidade produtiva nacional e a retomada de investimentos estratégicos da Petrobras. Durante cerimônia que marcou o reinício das obras da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN-III), empreendimento da Petrobras, Lula criticou a paralisação da fábrica por mais de uma década e destacou a importância da produção nacional de fertilizantes para garantir segurança alimentar e estabilidade ao setor agropecuário.
Lula enfatizou a importância da soberania econômica do Brasil, da reindustrialização e do fortalecimento das empresas públicas.
“Não tem explicação para ninguém do porquê que uma empresa desta magnitude, que queria produzir fertilizante para ajudar no barateamento e na qualidade dos alimentos produzidos nesse país, ficou parada 12 anos”, afirmou.
Segundo Lula, a paralisação perpetuou a dependência brasileira das importações de ureia – um dos fertilizantes mais utilizados do Brasil -, deixando o país mais vulnerável às oscilações do mercado internacional.
“O pobre brasileiro que vai comprar uma fruta, que vai comprar uma comida, paga o preço dessa guerra aqui no Brasil”, disse, ao citar os impactos de conflitos internacionais sobre os preços dos fertilizantes.
O fortalecimento da produção nacional de fertilizantes busca reduzir a vulnerabilidade externa do Brasil diante de crises internacionais e interrupções nas cadeias globais de suprimentos. A guerra na Ucrânia, por exemplo, evidenciou os riscos da dependência externa ao afetar a oferta global de insumos e pressionar os preços internacionais dos fertilizantes. A Guerra do Irã novamente acendeu sinais de alerta, com a escalada pelo Oriente Médio, já que o Catar é um dos maiores exportadores globais de ureia.
Soberania e papel da Petrobras
Ao defender a retomada da UFN-III, o presidente afirmou que a produção de fertilizantes deve ser tratada como uma questão estratégica para um país que está entre os maiores produtores de alimentos do mundo.
“Um país jamais será soberano se ele não for dono das coisas principais que ele produz. Jamais”, declarou, enquanto também destacou a necessidade de ampliar a produção nacional do insumo nos próximos anos.
Para o presidente, a retomada da fábrica representa não apenas a geração de empregos, mas uma garantia de desenvolvimento e autonomia econômica para o Brasil. “Por que há tanta irresponsabilidade de deixar uma fábrica dessa parada? Não era só pelos empregos que ia gerar, é pela garantia de que o povo brasileiro vai ter mais uma certeza de futuro”, disse.
Lula lembrou ainda o potencial do país no setor agrícola e questionou a dependência externa de um insumo essencial para a produção de alimentos. “Um país que é o segundo maior produtor de alimento do mundo, um país que tem tudo para ser o celeiro do mundo de verdade. Poucos lugares do mundo têm as condições de competitividade e produtividade que nós temos”, ressaltou
O presidente também ressaltou o papel da Petrobras no desenvolvimento nacional e criticou políticas que, segundo ele, priorizaram a venda de ativos da estatal em detrimento de investimentos produtivos. “O que eu não abro mão é de discutir estrategicamente o papel da Petrobras no Brasil”, declarou. Para Lula, cabe ao governo definir prioridades capazes de atender às necessidades da população e fortalecer a economia nacional.
A presidenta da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que a retomada da UFN III simboliza a reconstrução da capacidade produtiva e da engenharia brasileira. “Quando a gente fala em retomada da UFN III, o que estamos falando, dentre outras coisas, é que a gente acredita no Brasil, a gente acredita na Petrobras e a gente acredita na tecnologia e na engenharia brasileira”, disse.
Investimentos e geração de empregos
A retomada da unidade integra o Novo PAC e contará com investimentos superiores a R$ 5 bilhões. As obras devem gerar cerca de 8 mil empregos diretos e indiretos, além de movimentar a economia regional, fatores defendidos pela ministra da Casa Civil, Miriam Belchior, ao destacar a importância do programa para o Brasil. “Para que que serve o novo PAC? Para aumentar o investimento em infraestrutura do país. Por que que isso é importante? Porque gera emprego, gera crescimento no país, é bom para todo mundo, reunindo o setor público, o setor privado e as nossas estatais”, afirmou.
Quando entrar em operação, prevista para 2029, a fábrica terá capacidade para produzir aproximadamente 1,3 milhão de toneladas de ureia por ano, volume equivalente a cerca de 16% da demanda nacional pelo produto.
Para Lula, a reativação da unidade representa mais do que a conclusão de uma obra industrial. Segundo ele, trata-se de uma decisão voltada para o futuro do país e para a construção de uma economia menos dependente do exterior. “Esse país vai construir sua soberania sendo independente da importação de fertilizantes de outros países”, declarou ao encerrar o evento.
Rede PT de Comunicação, com informações a Agência Gov.

