O Governo do Brasil segue o monitoramento atento, com parcerias estaduais e municipais, dos efeitos do El Niño no país. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva garante que o Brasil nunca esteve tão preparado para enfrentar os impactos do fenômeno climático. Há pouco mais de uma semana, a Sala de Situação concluiu a terceira reunião, desde que foi criada pelo Governo Federal, para atualizar cenários e organizar medidas de preparação para os próximos meses. Ao todo, o reforço orçamentário destinado a proteger o país ultrapassa R$ 1,33 bilhão, valores anunciados no fim de julho.
O plano federal de ação envolve 24 ministérios, além de institutos de monitoramento e pesquisa, como o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). A estratégia prevê articulação com prefeitos, que serão procurados para deliberar sobre a implementação das medidas, segundo as necessidades de cada região.
O Centro de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) disponibilizou para a população um sistema de previsão de risco de deslizamentos de encostas e terrenos. O sistema chamado Gerorisk apresenta previsões automáticas para locais nos 1.295 municípios que são monitorados pela unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.
Ao acessar a plataforma, o usuário encontra o mapa do Brasil colorido de acordo com o nível de risco. No menu “previsões”, é possível escolher o dia que deseja consultar. Acesse no endereço: georisk.cemaden.gov.br.
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“Super El Niño”
Cientistas passaram a monitorar a formação de um “Super El Niño”, que não deve trazer consigo apenas eventos climáticos extremos, mas também impactos na economia, com efeitos sobre a produção e os preços de alimentos, além de gastos para recuperar áreas atingidas.
O “El Niño” é o aquecimento das águas do Oceano Pacífico acima da média dos últimos anos. Quando o fenômeno ocorre, aumenta a probabilidade de ocorrência de eventos climáticos extremos, incluindo ondas de calor, inundações e secas, a depender da localização. Trata-se de um fenômeno global.
O “El Niño” previsto para o fim de 2026 e o início de 2027 pode ser o mais devastador da história. De acordo com a Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA), é provável que se torne um dos episódios mais intensos já registrados desde 1950, quando iniciaram-se os registros.
A agência estima que há mais de 90% de probabilidade de um “El Niño” muito forte até 2027 e 69% de probabilidade de que o episódio seja histórico, superando a intensidade dos eventos anteriores. Nesse cenário, a temperatura da superfície do mar na região poderia atingir 2,5°C ou mais durante o último trimestre de 2026.
Ainda segundo NOAA, as chances de um evento fortíssimo ocorrer entre outubro e dezembro de 2026 são de 95%, sendo o Hemisfério Norte o mais afetado no período.
No Brasil, o “El Niño” é responsável por secas, atrasos das chuvas e chuvas acima da média, mas se distribui de maneira desigual pelas regiões do país. Ele provoca chuvas muito acima da média e risco de temporais no Sul, enquanto o Norte, o Nordeste e o centro-norte sofrem com chuvas irregulares, secas e calor intenso. No Sudeste e Centro-Oeste, predominam as altas temperaturas e o tempo seco.
Reforço orçamentário federal
Os recursos investidos pelo Governo Lula servirão a ações de abastecimento de alimentos, saúde, monitoramento hidrológico e fiscalização ambiental. Confira:
- aquisição de 350 mil cestas básicas (R$ 65 milhões)
- reforço no combate a incêndios florestais (R$ 337 milhões)
- compra de 180 mil toneladas de milho e 310 mil toneladas de arroz (R$ 850 milhões)
- Programa de Aquisição de Alimentos para agricultores da região Norte (R$ 13 milhões)
- monitoramento do nível dos rios (R$ 25 milhões)
- criação de um Centro de Informação em Saúde e Clima pelo Sistema Único de Saúde (R$ 45 milhões).

