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Quem é Flávio Bolsonaro? 10 fatos de sua trajetória política, para não esquecer

Pré-candidato da extrema direita à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) carrega uma bagagem política inseparável de seu sobrenome e controvérsias nada transparentes, muitas das quais ainda sob investigação. Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, sua ascensão foi pavimentada com o capital político do pai.

O último fato polêmico é a relação de proximidade entre Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, que está preso. Há dois meses, o senador da extrema direita negou ter qualquer contato com Vorcaro, quando questionado sobre o aparecimento do número do seu telefone celular na agenda do banqueiro. 

A trajetória do senador é marcada pela persistência de acusações de corrupção, especialmente o esquema de “rachadinha” em seu antigo gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), enquanto ainda era deputado estadual. Embora paralisadas por tecnicalidades processuais, essas investigações deixam sombras e suspeitas sobre sua conduta. 

Paralelamente, Flávio Bolsonaro manteve vínculos que o colocaram no centro de debates sobre a influência de grupos paramilitares na política. Homenagens a milicianos e conexões com figuras como Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-chefe do temido “Escritório do Crime”, tornam sua carreira um retrato complexo da intersecção entre a política familiar e a milícia.

Suspeitas de peculato e lavagem de dinheiro permeiam o percurso do pré-candidato, que viu seu processo ser congelado por decisões judiciais focadas em aspectos processuais, e não no mérito das denúncias. Na última quarta, 13, foi comprovada a relação do senador com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que foi preso em novembro de 2025 por suspeitas de fraudes financeiras. 

Confira a seguir, fatos sobre a trajetória política do bolsonarista:

1. Flávio Bolsonaro pede dinheiro a Daniel Vorcaro

Em conversas divulgadas pelo portal Intercept Brasil foi comprovada a relação de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master que está preso sob acusação de chefiar um esquema bilionário de fraudes financeiras que, de acordo com investigações da Polícia Federal, podem chegar ao valor de R$12 bilhões. 

De acordo com o Intercept, Flávio participou ativamente de uma negociação na qual Vorcaro concordou em repassar R$134 milhões para a produção de “Dark Horse”, o filme biográfico de Jair Bolsonaro. A reportagem afirma que, entre fevereiro e maio de 2025, o banqueiro pagou R$61 milhões em seis operações. Em mensagem do senador, enviada um dia antes da prisão de Vorcaro, Flávio Bolsonaro afirmou que estaria sempre com o dono do Master. “Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente.”, escreveu. Em outras mensagens divulgadas, o senador pedia dinheiro, combinava jantares entre Vorcaro e integrantes do filme e cobrava pelos pagamentos. As conversas divulgadas mostram as ligações diretas do clã Bolsonaro com o banqueiro. 

2. Cargos fantasmas na Câmara na juventude

Uma reportagem da BBC News Brasil apontou que Flávio Bolsonaro acumulou, entre 2000 e 2002, três atividades simultâneas que exigiam presença física em locais diferentes. Na época, ele cursava Direito diariamente no Rio de Janeiro, fazia estágio voluntário na Defensoria Pública e ocupava um cargo de 40 horas semanais na Câmara dos Deputados, em Brasília, o que levantou questionamentos sobre a viabilidade do cumprimento das funções.

O cargo na Câmara não aparece nos currículos públicos divulgados por Flávio, mas consta em documentos oficiais, como sua declaração de Imposto de Renda e registros do Diário Oficial da União. A vaga havia sido ocupada anteriormente por Ana Cristina Siqueira Valle, ex-esposa de Jair Bolsonaro.

3. Honraria ao chefe do Escritório do Crime, Adriano Nóbrega

Adriano Nóbrega (à esq.), muito próximo do senador, era apontado como chefe de milícia.

No mandato como deputado estadual no Rio, Flávio Bolsonaro concedeu homenagens e manteve relações políticas com figuras associadas a milícias. Entre os casos mais conhecidos está o de Adriano Magalhães da Nóbrega, ex-capitão do BOPE da Polícia Militar do Rio de Janeiro, que recebeu de Flávio a Medalha Tiradentes, maior honraria da Assembleia Legislativa fluminense. Na justificativa da homenagem, o então deputado afirmou que a condecoração era concedida “pelos inúmeros serviços prestados à sociedade” e declarou fazê-lo “com sentimento de orgulho e satisfação”.

Conhecido como “capitão Adriano”, Nóbrega foi apontado como líder do Escritório do Crime, grupo miliciano acusado de atuar em assassinatos sob encomenda e grilagem de terras na zona oeste do Rio de Janeiro. As conexões entre integrantes da família Bolsonaro e pessoas ligadas às milícias passaram a ser alvo de reportagens e investigações, alimentando questionamentos sobre os vínculos políticos e institucionais mantidos ao longo dos anos.

4. Homenagem a PM condenado por morte de Marielle Franco

Outro episódio controverso envolvendo Flávio Bolsonaro foi a homenagem concedida ao policial militar Ronald Pereira em 2004. Na época, o então deputado estadual apresentou uma moção de louvor ao PM pelos “serviços prestados” ao estado do Rio de Janeiro.

A homenagem ocorreu menos de um ano após o policial passar a ser investigado por envolvimento na chacina de cinco jovens na antiga casa de shows Via Show, em São João de Meriti, na Baixada Fluminense, em dezembro de 2003. Em 2026, o miliciano foi condenado a 56 anos de prisão por participação no planejamento do assassinato da vereadora Marielle Franco. O motorista Anderson Gomes também foi morto na emboscada.

5. Esquema das “rachadinhas” e uma loja de chocolates suspeita

Quando Flávio Bolsonaro era deputado estadual, o Ministério Público do Rio de Janeiro apontou a existência de um sistema de recolhimento de parte dos salários de seus assessores parlamentares, prática considerada ilegal e enquadrada como peculato. Segundo os investigadores, o esquema teria sido operado por Fabrício Queiroz, ex-policial militar, amigo da família Bolsonaro e assessor de Flávio na Alerj.

A partir da quebra de sigilos bancário e fiscal, o Ministério Público identificou que Queiroz recebeu mais de R$ 2 milhões por meio de 483 depósitos feitos por pessoas indicadas para cargos no gabinete entre 2007 e 2018. Relatórios do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) também apontaram movimentações financeiras consideradas incompatíveis com a renda declarada do ex-assessor, incluindo depósitos e saques em dinheiro vivo de altos valores. De acordo com os investigadores, parte dos recursos teria sido ocultada por meio de operações imobiliárias e investimentos em uma franquia de chocolates, em um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Em 2021, o Superior Tribunal de Justiça anulou parte das provas do processo ao considerar irregular o compartilhamento de dados financeiros sem autorização judicial prévia. Com isso, o caso foi arquivado sem que houvesse julgamento do mérito das acusações contra Flávio Bolsonaro.

Flávio Bolsonaro foi sócio da Bolsotini Chocolates e Café, empresa apontada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como possível estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao esquema das “rachadinhas”. A loja foi inaugurada em 2015 e contou com a presença de Fabrício Queiroz e de Jair Bolsonaro. Segundo os investigadores, os valores movimentados pela empresa eram incompatíveis com o faturamento esperado do negócio, com depósitos frequentes em dinheiro vivo diretamente no caixa. O endereço chegou a ser alvo de mandados de busca e apreensão, enquanto a defesa do senador nega irregularidades.

6. Compra de 51 imóveis com dinheiro em espécie

Reportagem da Folha de S.Paulo revelou que a família Bolsonaro adquiriu 51 imóveis ao longo de décadas utilizando pagamentos totais ou parciais em espécie. No caso do senador, transações imobiliárias realizadas no Rio de Janeiro passaram a ser analisadas por investigadores no contexto das suspeitas de lavagem de dinheiro relacionadas ao caso das “rachadinhas”.

Flávio Bolsonaro mantém intensa atuação no mercado imobiliário carioca desde 2005, quando adquiriu seu primeiro imóvel. Entre as negociações destacadas estão a compra de 12 salas comerciais e de uma cobertura em construção no bairro de Laranjeiras, na zona sul do Rio, além de duas quitinetes em Copacabana que foram revendidas dois anos depois com lucro de R$ 813 mil. Também entrou na lista um apartamento na Barra da Tijuca, onde o senador morou com a família antes da mudança para Brasília.

Segundo Flávio, a venda do imóvel na Barra ajudou a financiar a compra de sua mansão em Brasília, avaliada em R$ 5,97 milhões. O senador nega qualquer irregularidade nas operações imobiliárias e afirma que todas as transações foram realizadas legalmente e declaradas às autoridades competentes.

7. Mansão de luxo comprada com empréstimo do BRB

Entre os bens de maior valor adquiridos por Flávio está uma mansão de luxo em Brasília. De acordo com o jornal  O Globo, em 2021 o senador comprou um imóvel avaliado em R$5,97 milhões no Lago Sul, uma das regiões mais nobres da capital federal. 

Segundo documentos da transação, o senador deu uma entrada de R$2,87 milhões e realizou um financiamento de R$ 3,1 milhões junto ao Banco de Brasília (BRB) – na época, coordenado por Paulo Henrique Costa, atualmente preso pelas investigações sobre o Banco Master. Contratado originalmente para ser pago em 30 anos, o financiamento foi quitado antecipadamente em 2024, cerca de 27 anos antes do prazo previsto. A operação também despertou questionamentos sobre a evolução patrimonial do parlamentar. Reportagens apontaram que o valor do imóvel ultrapassa com folga os bens declarados por Flávio Bolsonaro nas eleições de 2018, quando concorreu para o Senado Federal. 

8. Baixa produção legislativa, lembrança tardia das mulheres

Em seu oitavo ano de mandato, Flávio Bolsonaro teve apenas um projeto de lei aprovado nas duas Casas do Congresso Nacional. O senador apresentou apenas 57 projetos de lei durante todo esse tempo, mas somente o PL 3.190/2023, relacionado ao Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado, avançou até a aprovação definitiva. A maior parte das propostas apresentadas por Flávio Bolsonaro trata de temas ligados à segurança pública, valorização de policiais e pautas criminais, além de projetos voltados ao Rio de Janeiro, sua base eleitoral. O levantamento também traça um paralelo com a trajetória de Jair Bolsonaro no Congresso, destacando que o ex-presidente aprovou apenas dois projetos em quase três décadas como deputado federal. 

Ao longo de seu mandato no Senado, Flávio protocolou apenas um projeto de lei voltado ao bem-estar das mulheres – coincidentemente no último ano de seu mandato. O PL 1019/2026 propõe a criação de serviços que já são oferecidos pelo Sistema Único de Saúde, o SUS. Recentemente, Flávio Bolsonaro afirmou que a aprovação do projeto que inclui misoginia na Lei do Racismo teria sido usada politicamente contra ele. A extrema direita é contra o projeto, que define o ódio às mulheres como crime. O senador classificou a votação como uma “armadilha do PT” e argumentou que o texto poderia abrir margem para interpretações subjetivas sobre liberdade de expressão nas redes sociais. 

9.  Ciro Nogueira, o vice dos sonhos para 2026

Ciro Nogueira com Jair Bolsonaro e Flávio Bolsonaro.

O nome de Ciro Nogueira, ex-ministro da Casa Civil de Jair Bolsonaro, apareceu nas investigações da Polícia Federal sobre a fraude do Banco Master. As suspeitas de que o senador teria recebido pagamentos mensais do banqueiro Daniel Vorcaro colocaram no centro das investigações um dos principais aliados do núcleo bolsonarista. Desde quando assumiu a Casa Civil, Ciro Nogueira se aproximou de Flávio. Considerado um dos principais articuladores do Centrão junto ao bolsonarismo, Ciro passou a ser peça-chave na tentativa da extrema direita de ampliar alianças no Congresso e viabilizar a candidatura presidencial de Flávio em 2026. Nos bastidores, o senador do PP chegou a ser apontado como possível nome para compor uma chapa presidencial ao lado do filho do ex-presidente, sendo citado pelo pré-candidato como seu “vice dos sonhos”.

10. Marqueteiro e coordenador de campanha sob suspeita

Reportagens revelaram que o publicitário Marcello Lopes, escolhido para coordenar a comunicação da campanha presidencial de Flávio Bolsonaro, foi citado em um suposto plano de ataques contra o Banco Central articulado pelo banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. Segundo a Folha de São Paulo, Lopes apareceria como um dos estrategistas do chamado “Projeto DV”, estrutura que teria sido criada para promover campanhas de pressão e desgaste contra o Banco Central (BC) e seus servidores. As reportagens também apontam que Marcello Lopes recebeu R$ 650 mil do dono de uma agência ligada ao esquema do Banco Master, valor que, segundo ele, correspondeu ao pagamento por serviços prestados anteriormente. O marqueteiro negou participação em qualquer campanha contra o BC e afirmou não ter atuado em ações ilegais.

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