O presidente Luiz Inácio Lula da Silva celebrou nesta sexta-feira, 7, os dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que mostram a queda do desmatamento durante seu governo. “Eu quero tirar uma fotografia para mandar para o Trump”, brincou, ao pedir que os gráficos da apresentação fossem mantidos no telão durante seu discurso.
Na última rodada do tarifaço imposto pelo governo dos Estados Unidos contra o Brasil, o presidente Donald Trump usou o desmatamento na Amazônia como justificativa para a aplicação das taxas.
Os dados do Projeto de Monitoramento do Desmatamento da Floresta Amazônica Brasileira por Satélite (Prodes) do período entre agosto de 2024 e julho de 2025 mostram que o desmatamento em todos os biomas brasileiros caiu 20,1%, atingindo o menor nível da série histórica iniciada em 2016. A maior redução foi no Pantanal (65,4%). Na Amazônia, a queda foi de 15,8%.
Já as informações do Sistema de Detecção do Desmatamento em Tempo Real (Deter) são de uma queda de 36,87% no desmatamento da Amazônia entre agosto de 2025 e julho de 2026. Foram 2.874,38 km² desmatados, a menor área desde 2016. No cerrado, a redução foi de 7,8%.
Os dados do Deter são mais recentes por ser um sistema de monitoramento rápido, quase em tempo real, enquanto o Prodes traz números mais precisos e apurados, por isso o período analisado pelo Deter é mais recente.
“O argumento da nova tarifa, mais uma vez, não é verdadeiro. […] Com mentira, ninguém vai ganhar do Brasil”, declarou Lula. O presidente disse que nenhum país do mundo leva tão a sério a questão ambiental quanto o Brasil e reiterou a promessa de zerar o desmatamento ilegal até 2030: “Se depender de mim, da minha vontade e do meu governo, a gente vai chegar ao desmatamento zero.”
A visita de Lula ao INPE, em São José dos Campos (SP), se deu durante as comemorações pelos 65 anos do instituto. Também participaram o vice-presidente, Geraldo Alckmin; os ministros da Ciência e Tecnologia, Luciana Santos, e do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco; o diretor do INPE, Antonio Miguel Vieira Monteiro; o presidente do Ibama, Jair Schmitt; o secretário de Controle do Desmatamento e Ordenamento Ambiental Territorial do Ministério do Meio Ambiente, André Rodolfo de Lima; e o coordenador do Programa de Monitoramento dos Biomas Brasileiros (BiomasBR), Cláudio Almeida – que fez a apresentação dos dados.
“Eu vim fazer do aniversário de 65 anos do INPE a minha bandeira de defesa contra os tarifaços dos EUA”, afirmou Lula.
Investimento e articulação
O presidente disse que não se pode resolver o desmatamento “de Brasília”, e que é preciso uma articulação com prefeitos e governadores, já que eles estão mais próximos dos focos do problema: “Precisamos fazer com que o prefeito daquela cidade seja nosso aliado no cumprimento daquilo que nós achamos que está correto.”
Também defendeu os investimentos públicos em pesquisa e no combate ao desmatamento. “Não tem como atingir a política pública se não tiver dinheiro, por exemplo, para comprar os equipamentos”, declarou. Segundo Lula, “investir em pesquisa não é jogar dinheiro fora; é aumentar a nossa capacidade”.

