O compromisso com a defesa dos direitos das mulheres e o enfrentamento à violência de gênero marcaram o discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cerimônia em alusão ao Dia Mundial do Livro, realizada nesta quinta-feira, 23, em Brasília. Ao abordar o Pacto Brasil entre os Três Poderes para Enfrentamento do Feminicídio, firmado em março deste ano, Lula afirmou que “respeitar a mulher é obrigação e um direito fundamental” e que a mulher deve ter liberdade total para “ser o que ela quiser”.
O presidente recorreu à literatura para ampliar o debate. Ao citar a obra “Um hino à vida”, que retrata um caso de violência sexual e abuso conjugal vivido pela francesa Gisèle Pelicot, Lula evidenciou o papel da leitura na construção de consciência social sobre a violência contra a mulher. “A autora teve a coragem de denunciar publicamente o que tinha acontecido com ela. Algo que é muito importante porque muitas mulheres sofrem, mas não contam, ou ficam com medo, com vergonha, ou não acreditam no Estado, não acreditam na punição”, declarou.
Lula ressaltou que “a luta contra a violência contra a mulher não é uma luta da mulher, é uma luta dos homens, pois são eles os violentos”. O petista também defendeu a criação de uma cultura de respeito, sugerindo que bispos, pastores, dirigentes sindicais e deputados falem publicamente contra o feminicídio para formar um “ser humano um pouco mais civilizado”.
Políticas públicas de incentivo à leitura
A cerimônia também contou com a assinatura do novo Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), a entrega do 9º Prêmio Vivaleitura e a expansão da plataforma MEC Livros, iniciativas que reforçam o compromisso do Governo Federal com o acesso e democratização da leitura no cenário nacional.
De caráter decenal, o PNLL 2026-2036 estabelece diretrizes estratégicas para os próximos dez anos, com metas como ampliar o percentual de leitores no Brasil de 47% para 55%. Tendo como eixos a democratização do acesso, o fomento à leitura e formação de mediadores, a valorização institucional e desenvolvimento da economia do livro, o plano também incorpora a escrita criativa como ferramenta de inclusão, com foco em territórios periféricos, quilombolas e indígenas.
A ministra da Cultura, Margareth Menezes, destacou o papel da participação social na construção da política pública. Segundo ela, o plano segue a premissa de “construir políticas públicas tendo como elemento central a participação da sociedade civil”. A ministra também ressaltou que políticas de leitura têm impacto direto na vida de populações mais vulnerabilizadas e defendeu que “investir em cultura e em educação é investir no ser humano e no futuro dessa nação”.
No campo pedagógico, o ministro da Educação, Leonardo Barchini, destacou a retomada dos incentivos na área desde o início do Governo Lula e o avanço de indicadores sociais. “Passamos a investir pesadamente na cultura literária, do livro e da leitura no Brasil”, afirmou. Segundo ele, as políticas implementadas já refletem na alfabetização, com 66% das crianças da educação pública básica sendo alfabetizadas na idade certa, o que os dados devem seguir crescendo com a implementação do PNLL.
A expansão do MEC Livros, plataforma de empréstimos de livros digitais do Ministério da Educação, também foi destaque da cerimônia, A ferramenta, que amplia o acesso gratuito à leitura em todo o país, passará de 8 mil para 25 mil títulos disponíveis nos próximos dias, reunindo obras nacionais e internacionais, de clássicos a best-sellers, com recursos de acessibilidade e ferramentas de inteligência artificial para recomendação de leitura.
Ao detalhar a iniciativa, Barchini reforçou o caráter universal da plataforma. “O MEC Livros não é apenas para os estudantes. Ele funciona para toda a população brasileira”, afirmou. O ministro também revelou que, a partir desta sexta-feira, 24, os usuários da ferramenta poderão devolver os livros antes do prazo de 14 dias estabelecido no lançamento do aplicativo.
Prêmio Vivaleitura
Ao longo da programação foram anunciados os vencedores das cinco categorias do 9º Prêmio Vivaleitura. Com 1.848 projetos inscritos em 782 municípios, a premiação reconhece iniciativas de promoção da leitura em escolas, bibliotecas e espaços comunitários. Criado em 2006, o prêmio já catalogou mais de 14 mil experiências e se consolidou como uma das principais políticas de incentivo à leitura no Brasil.
Ao longo de seu discurso, Lula reforçou o papel do Estado na promoção da leitura como direito, trazendo como exemplo a obrigatoriedade da inclusão de bibliotecas comunitárias nos empreendimentos habitacionais do Programa Minha Casa Minha Vida, e no incentivo a novas produções e autores brasileiros. “Quando aparece gente como vocês, que ousam pensar e transformar ideias em histórias, precisamos criar condições para que essa engenhosidade seja conhecida pela sociedade”, afirmou.

