Ícone do site Partido dos Trabalhadores

Samanda Alves denuncia prefeito de Natal por nomear homem para Secretaria de Mulheres

“Não podemos permitir retrocessos em uma luta que foi tão difícil de conquistar", afirma a vereadora Samanda Alves

Os Organismos de Políticas para Mulheres (OPMs) são instâncias fundamentais para a implementação de políticas para as mulheres. É através deles que são articulados programas e políticas públicas direcionadas para o combate à violência doméstica e à geração de emprego e renda. 

Para que isso aconteça, é preciso que haja uma cadeia de agentes comprometidos com a pauta, e sejam nas prefeituras e governadorias os espaços para a implementação de Secretarias da Mulher, por exemplo. 

Por isso, chama a atenção a denúncia feita pela vice-presidente do PT de Natal e vereadora Samanda Alves (PT-RN). Segundo ela, o prefeito de Natal, Paulinho Freire (União-RN), gerou fortes críticas entre lideranças feministas e parlamentares da capital após a nomeação de Saulo Spinelly para o cargo de secretário-adjunto na Secretaria Municipal de Política para as Mulheres (Semul). A publicação da nomeação aconteceu no último dia 13.

A companheira classificou a escolha como um retrocesso na luta histórica por igualdade e representatividade: “A nomeação de um homem para ocupar o cargo de secretário adjunto da Secretaria de Políticas para as Mulheres em Natal é um retrocesso e uma afronta à luta histórica das mulheres por espaços de poder”, denunciou.

“Desde o governo do presidente Lula, quando foram criados o Ministério das Mulheres, as conferências e o Plano Nacional de Políticas Públicas, vimos avanços importantes. Em Natal, infelizmente, fomos inspirados por essa gestão que indicava um homem para um espaço que deve ser liderado por mulheres. É algo descabido e repugnante”, reagiu a vereadora.

Alves revelou que está convocando a população para participar do debate. “Não podemos permitir retrocessos em uma luta que foi tão difícil de conquistar. Divulgamos amplamente o nosso posicionamento e estamos em diálogo com o Conselho Municipal de Política para as Mulheres, que já emitiu uma nota de repúdio. Também conversamos com nosso partido, o Partido dos Trabalhadores, que sempre foi pioneiro na defesa dos direitos das mulheres e na criação desses órgãos institucionais”, destacou.

“Além disso, estamos realizando diálogos institucionais com a gestão municipal. Esperamos que o prefeito reconsidere essa nomeação e, o quanto antes, revogue essa decisão, estabelecendo uma mulher para ocupar a carga. Nossa expectativa é que isso aconteça antes do dia 8 de março, o Dia Internacional da Mulher, que até lá o prefeito revogue e indique uma mulher para ocupar a Secretaria Adjunta de Políticas para as Mulheres do Município de Natal”, observou.

De acordo com a assessoria da vereadora, dados do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) reforçam a preocupação com a sub-representação feminina no Brasil, onde apenas 25,8% das cargas de liderança em áreas como saúde e educação são ocupadas por mulheres. Em outros setores, essa participação cai para 15,4%, mesmo que as mulheres sejam mais da metade da população brasileira.

Samanda Alves também revelou que, após manifestar publicamente sua insatisfação com a nomeação, vem sendo alvo de ataques misóginos e lesbofóbicos nas redes sociais: “Esses ataques não me intimidam. Continuarei lutando ao lado dos movimentos feministas para garantir que as políticas públicas sejam realizadas por mulheres e para mulheres”, afirmou a parlamentar.

Participação de mulheres potiguares na política 

A cidade de Natal, assim como todo o estado do Rio Grande do Norte, revela uma companheira, tem um histórico pioneiro na luta das mulheres contra o machismo e na participação política. Ela destaca exemplos como Alzira Soriano, a primeira prefeita da América Latina; Nízia Floresta, uma grande educadora feminista; e Celina Guimarães, a primeira mulher a ter o direito de votar no Brasil: “Essas são figuras que representam a força da mulher potiguar. Diante disso, a atitude da gestão municipal de nomear um homem para essa carga é inadmissível, e estamos enfrentando essa situação com firmeza”, destacou Alves.

Conheça alguns exemplos de OPMs

Casas da Mulher Brasileira, Secretarias da Mulher, Centros de Referência da Mulher, Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) e Casas Abrigo são exemplos de estruturas que as prefeituras e as governadorias podem executar na administração pública. Já as Procuradorias da Mulher, os Observatórios e as Comissões de Defesa dos Direitos da Mulher são instâncias que podem ser criadas nas estruturas das câmaras de vereadores.

Da Redação do Elas por Elas , com informações da Assessoria de Imprensa – Mandato da Vereadora Samanda Alves (PT)

Sair da versão mobile