Como estaria a população brasileira se o Bolsa Família não existisse? Um estudo da Secretaria Extraordinária de Combate à Pobreza e à Fome, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), aponta que o número de famílias em risco de insegurança alimentar grave seria o dobro sem o programa. Segundo o levantamento, o total de famílias em situação de risco passaria de 2,3 milhões para 4,7 milhões, considerando dados de janeiro de 2025.
O indicador reforça a importância das políticas públicas contínuas de combate à fome e da atuação do governo federal na reconstrução da rede de proteção social. Sob a gestão do ministro Wellington Dias desde 2023, o trabalho tem sido árduo, com estratégias de ações integradas, dando prioridade aos mais pobres no orçamento. Quando assumiu a pasta, Dias recebeu na herança um país que voltou ao Mapa da Fome, com a marca de 33 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar. O ministro lembra como encontrou a política de assistência social.
“Tiraram todos os programas, todos os planos, não se deu mais importância ao programa de superação da pobreza, alimentação escolar, enfim. E veja o resultado: o Brasil voltou ao mapa da fome. A pobreza foi crescendo já em 2017, 2018, 2019 e, quando chegou em 2022, 33 milhões de pessoas na fome”, lamentou.
Foi preciso, relembra o gestor, a partir desta realidade, reformular a rede de apoio social como o Bolsa Família, Câmara Interministerial de Segurança Alimentar (Caisan), o Conselho da Segurança Alimentar (Consea) e o Sistema Único da Assistência Social, (SUAS).
“Tinha apenas 41% do valor que era necessário de repasse, nós passamos a recuperar. Praticamente não tinha mais recursos para boa parte dos programas”, relembra o ministro. “Em 2023 avançamos mais ainda. A estimativa do ministério é que devemos ter fechado com cerca de 30 a 31 milhões de pessoas fora do mapa da fome. Eu estava em Adis Abeba, na Etiópia, quando a FAO/ONU anunciou o Brasil fora do mapa da fome. A gente comemorou aquilo como uma realização, uma Copa do Mundo, um 7 a 1 brasileiro”, celebrou.
Reconstrução da rede de assistência
Em entrevista à Rede PT de Comunicação, o ministro Wellington Dias faz um balanço das ações implementadas até agora e ressalta as mudanças realizadas no Bolsa Família, especialmente na chamada regra de transição, que garante proteção mesmo após a entrada no mercado de trabalho formal.
“No formato anterior do Auxílio Brasil, se a pessoa assinasse a carteira, o benefício era cortado imediatamente. Nós alteramos as regras. Agora, a formalidade para o trabalho ou para o pequeno negócio não é razão para perder o benefício”, explicou.
Wellington Dias destaca, ainda, que o programa vem contribuindo diretamente para o crescimento do emprego e da renda no país. “93% das novas vagas [de emprego] foram preenchidas por pessoas do Bolsa Família e do Cadastro Único”, disse.
Proteção social para mulheres
Na entrevista, o ministro também relaciona a Política Nacional de Cuidados ao debate sobre o fim da escala 6×1, defendendo melhores condições de vida e mais oportunidades para a classe trabalhadora. Para Dias, a ação busca garantir apoio especialmente às mulheres que deixam o mercado de trabalho para cuidar de crianças, idosos e pessoas com deficiência sem qualquer remuneração.
“Não é razoável a gente ainda hoje achar natural que não se tenha o direito ao descanso. A vida não é só o trabalho”, afirmou.
Dias destacou ainda que iniciativas como escolas em tempo integral e as “cuidotecas” permitem que mães e cuidadoras possam estudar, trabalhar e ter mais autonomia financeira, integrando assistência social, geração de renda e dignidade.
“São cerca de 5 milhões de pessoas, em sua maioria mulheres, que dedicam a vida ao cuidado sem remuneração. Vi depoimentos extraordinários de mães estudantes que estavam para desistir da universidade por não terem onde deixar os filhos, e a cuidoteca permitiu que continuassem”, relatou.
PT que transforma
Ao final da entrevista, Wellington Dias também defendeu o papel histórico do Partido dos Trabalhadores na formulação de políticas públicas de inclusão social e combate à fome.
“O Partido dos Trabalhadores é o único partido da minha vida. Um partido que pega um país como o Brasil e tira 33 milhões de pessoas da fome e 20 milhões da pobreza”, finalizou.
Assista à entrevista:

