O papel da juventude na renovação do Partido dos Trabalhadores foi pauta no segundo dia do Encontro Nacional de Jovens Parlamentares Petistas. Vereadores e deputados jovens de mais de 15 estados brasileiros participaram de uma conversa com líderes do partido e representantes do Executivo e do Legislativo, em Brasília, na terça-feira, 17.
O ex-ministro e ex-presidente do PT José Dirceu, membro do diretório nacional e um dos fundadores do partido, enfatizou aos jovens que a renovação não é um processo passivo ou herdado, mas um resultado direto da ação política. Para o dirigente, a formação de novos quadros depende da capacidade de a juventude compreender as contradições do atual período histórico, marcado pelo avanço global da extrema direita, e de se engajar no embate direto, pois, em suas palavras, “é a luta que produz e organiza lideranças”.
Em uma análise histórico-social, reforçou que a trajetória da classe trabalhadora no Brasil sempre exigiu ousadia e que a juventude deve manter essa chama acesa para garantir a soberania e a democracia. “O Brasil precisa de uma revolução política e social. Vamos pregar, não vamos ter medo dessa palavra. Porque a direita não tem medo”, defendeu o ex-ministro, enfatizando que cabe aos jovens ter força de vontade para que isso aconteça. “A tática eleitoral do nosso partido sempre nos desafiou muito, mas foi vencedora porque nós nunca arredamos o pé daquilo que é o nosso propósito central”, disse.
Também registrou passagem pelo encontro dos jovens petistas o senador Jaques Wagner, do PT baiano. “A gente tem que dar espaço pra vocês invadirem. Como diz ‘Morte e Vida Severina’, é sangue novo que contamina”, afirmou o parlamentar.
A juventude, destacou o líder do Governo no Congresso Nacional, Randolfe Rodrigues (PT-AP), “é, por excelência, antissistêmica”. “O lugar de ser contra o sistema é aqui no Partido dos Trabalhadores. A luta antissistêmica se dá aqui”, enfatizou.
O ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República Guilherme Boulos, que também fez uma breve aparição no local, defendeu que “o futuro da esquerda brasileira passa por renovação”, abrangendo tanto o campo geracional quanto o próprio ânimo da militância nas ruas. “Nosso propósito maior é mudar a cara desse Congresso Nacional e das Assembleias Legislativas. Colocar gente jovem, do povo, gente que defenda o interesse dos trabalhadores e das trabalhadoras nesses espaços de poder”, afirmou.
O protagonismo da juventude como realidade política
O encontro destacou que a nova geração de parlamentares busca ocupar espaços de decisão real, e não apenas figurativos.
Duda Paschoalini, secretária-adjunta a Juventude do PT, contestou a visão de que os jovens seriam apenas uma promessa para os próximos anos: “Essa juventude aqui não é apenas o futuro do PT, mas o presente”. Segundo Paschoalini, o compromisso do partido exige que essas jovens lideranças ocupem espaços em pastas estratégicas e secretarias para conduzir os rumos da política nacional.
Fim da 6×1 e sonhos da juventude
A deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG) trouxe para o debate a necessidade de disputar o “imaginário” e os sonhos da juventude, hoje alvo de investidas conservadoras. Ela citou como exemplo de sucesso a pauta pelo fim da escala 6×1, que ressoa na sociedade por tratar diretamente da “perspectiva de vida” e tempo para lazer, cultura e família, afirmando que os jovens têm um papel fundamental para o êxito e o aumento da popularidade da temática.
Dandara sublinhou que a geração atual possui o privilégio histórico de ser a “última geração capaz de aprender com os erros do passado” enquanto ainda convive com os fundadores da legenda, devendo usar esse acúmulo para projetar o amanhã sem cair na lógica da “velha política”.
A transição geracional, disseram os jovens petistas em uníssono, ao fim do encontro, só será plena se for “assumida pelo conjunto do PT” e não restrita apenas ao seu braço da juventude. O objetivo traçado para o próximo período é garantir que o partido reafirme sua confiança na capacidade de reinvenção das novas gerações, preparando-se para as lutas de 2026 com uma “geração empoderada” e sem medo de enfrentar o sistema.
Pietra Hara, Rede PT de Comunicação.

