O cinema brasileiro ganhou uma nova vitrine pública, gratuita e acessível. Lançada pelo Governo Lula, a Tela Brasil reúne mais de 500 obras nacionais, entre filmes, séries, documentários, animações e conteúdos históricos, com o objetivo de democratizar o acesso da população à produção audiovisual do país e valorizar a memória cultural brasileira.
Apelidada de “Netflix brasileira”, a plataforma já começou a ser acessada por amantes do cinema e da cultura em todo o país. O catálogo reúne obras produzidas entre 1910 e 2025, incluindo títulos premiados em festivais nacionais e internacionais. O acesso é gratuito, por meio do login gov.br. Inicialmente disponível em versão web, a plataforma deve ganhar aplicativos para Android e iOS nos próximos 30 dias.
A bibliotecária Sora Lacerda, cinéfila de carteirinha, comemorou a criação da primeira plataforma pública de streaming audiovisual brasileiro. Para ela, a iniciativa resolve uma dificuldade antiga: encontrar produções nacionais fora do circuito comercial e das plataformas pagas.
“Eu amei. Sou cinéfila de carteirinha, né? Aí eu soube da notícia, eu corri para fuçar o site e olha, fiquei mega impressionada, mas o que mais me tocou vai além dessa empolgação inicial, sabe? Quem é cinéfilo sabe como é difícil a gente acessar essa produção brasileira fora do circuito comercial, fora dessas plataformas pagas. E aí a Tela Brasil vem e coloca essa memória toda numa vitrine aberta ao alcance de qualquer brasileiro que tem uma conta gov.br”, afirmou.
Sora também destacou a preocupação da plataforma com acessibilidade. Segundo ela, parte significativa do catálogo já nasce com recursos como audiodescrição e tradução em Libras.
“Sem falar na preocupação que se teve com acessibilidade. Ou seja, de cara, metade dos títulos já vão contar com audiodescrição ou Tradução em Libras, entendeu? Para mim isso é o mais bonito, porque é realmente semear a paixão pelo cinema brasileiro de forma democrática. Só sei de uma coisa, eu tô mega animada para explorar tudo isso”, completou.
“Democratização real e soberania cultural”
Presidenta da Comissão de Cultura da Câmara, a deputada federal Carol Dartora (PT-PR) classificou o lançamento como uma notícia histórica para o audiovisual brasileiro. Para ela, a Tela Brasil permite que o povo brasileiro se reconheça na própria cultura.
“Estou muito entusiasmada com essa notícia histórica pro nosso audiovisual, que é o Tela Brasil, lançado recentemente pelo governo federal. Esqueça as assinaturas caras. A Tela Brasil é a nova forma de streaming pública e 100% gratuita do nosso país. Já nasce gigante com mais de 550 obras entre clássicos e filmes contemporâneos do cinema nacional”, afirmou.
A parlamentar ressaltou que a iniciativa amplia o acesso à produção brasileira e fortalece a identidade nacional.
“Isso é democratização real, é soberania cultural, como bem lembrou o presidente Lula. Chega de sermos inundados por conteúdos estrangeiros que não nos representam. A Tela Brasil serve pro nosso povo se olhar no espelho, se ver e entender a potência que nós somos. A cultura brasileira voltou a ocupar o lugar de destaque que merece. Então, acesse e valorize o que é nosso. Viva o cinema nacional”, declarou.
O lançamento da plataforma ocorreu junto à assinatura de um acordo de cooperação entre o Ministério da Cultura e a Empresa Brasil de Comunicação (EBC), que prevê a integração gradual do acervo da TV Brasil à Tela Brasil.
Audiovisual brasileiro volta a brilhar
Presidenta da Comissão de Cultura e Educação do Senado, a senadora Teresa Leitão (PT-PE) afirmou que a plataforma se soma a um conjunto de medidas do Governo Lula para retomar e fortalecer o setor cultural e audiovisual brasileiro.
“O audiovisual brasileiro voltou a brilhar. Haja vista o que conseguimos em cena internacional com o filme Ainda Estou Aqui e com o filme Agente Secreto, dentre outras produções. Foram muitas premiações. O cinema brasileiro volta a pulsar com muita força, com muita energia”, afirmou.
Para a senadora, a Tela Brasil será mais um instrumento de estímulo à produção nacional e de ampliação do acesso do público às obras brasileiras.
“Então, a plataforma Tela Brasil, exclusivamente brasileira, ela vem se somar a todas essas medidas que foram tomadas pelo presidente Lula e com certeza servirá de mais estímulo ainda ao audiovisual brasileiro. Nós temos coisas muito boas, produções muito boas, muita coisa que precisa ser divulgada, que precisa ser conhecida pelo público e essa plataforma vai realmente atender e isso é cultura”, destacou.
Lula: cultura ajuda o Brasil a se conhecer por dentro
O presidente Lula afirmou que o investimento em cultura contribui para ampliar a compreensão sobre o Brasil, sua história, sua identidade e sua diversidade. Para ele, a Tela Brasil ajuda a juventude brasileira a ter acesso à produção cultural do próprio país.
“A Tela Brasil, investimento em cultura que o Ministério tá fazendo, a participação de vocês, ela vai contribuir para elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que que nós somos assim? Por que que nós fazemos assim? Nós vamos nos compreender porque a gente tá muito acostumado com cultura estrangeira no Brasil”, afirmou Lula.
O presidente criticou a presença excessiva de conteúdos estrangeiros de baixa qualidade na televisão e defendeu que a população tenha mais acesso à cultura nacional.
“A quantidade de enlatados, de má qualidade, que a gente é obrigado a assistir toda noite, porque não tem outra coisa pra gente ver, sabe? Não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, disse.
Lula também destacou o impacto econômico da cultura, lembrando que cada produção audiovisual, peça de teatro ou show movimenta cadeias de trabalho e gera oportunidades para milhares de profissionais.
“Cada coisa pequena, cada filme envolve milhares de pessoas, envolve centenas de pessoas trabalhando. Cada peça de teatro é centenas de pessoas, cada show musical é dezenas de centenas de pessoas. E a gente não tem dimensão. Mais importante é a gente conhecer o nosso país por dentro, conhecer a nossa cultura, a razão das coisas que fizeram a gente chegar onde nós chegamos”, afirmou.
A plataforma foi desenvolvida pelo núcleo de excelência em tecnologias sociais da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), com participação de pesquisadores e estudantes de instituições públicas.

