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Lula pede revolução cultural ao lançar Tela Brasil, plataforma gratuita de filmes 

Presidente destaca avanços da área em seu Governo e diz que é preciso transformar conquistas em política de Estado para que nenhum político promova retrocessos

Lula durante o lançamento do Tela Brasil, plataforma de streaming que vai disponibilizar 555 obras brasileiras gratuitamente.Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste sábado, 30, que o acesso à cultura eleva a compreensão sobre o país e sobre quem somos. Lula participou, no Rio de Janeiro, na Cidade das Artes, do lançamento da Tela Brasil, plataforma de streaming estatal. A plataforma, que começa a funcionar a partir de hoje, vai disponibilizar o acesso gratuito a 555 obras audiovisuais brasileiras:

  • 267 curtas-metragens;
  • 139 longas-metragens;
  • 85 médias-metragens ou telefilmes;
  • 64 obras seriadas.

“Precisamos transformar tudo o que estamos fazendo em política de Estado, não pode ser política de governo. Se for política de governo, qualquer um que entra pode tirar… até porque tirar é muito fácil”, afirmou o presidente, destacando investimentos do Governo do Brasil em cultura e educação, como o MEC Livros e as bibliotecas em conjuntos habitacionais do Minha Casa, Minha Vida.

Os avanços culturais e educacionais, defendeu Lula, devem ser conquistas da sociedade. “Quando é conquista da sociedade fica difícil tirar”, reiterou. 

Lula disse que o audiovisual e a cultura são áreas que contribuem para o desenvolvimento econômico e social do Brasil. A Tela Brasil, salientou, “vai contribuir para a elevação da compreensão de um país chamado Brasil. Por que somos assim? Por que fazemos assim? Vamos nos compreender”, destacou o presidente, criticando “enlatados” estrangeiros e o complexo de vira-lata que a elite brasileira alimentou por anos, sem valorizar a cultura regional brasileira.

“Ajudem esse país a fazer a revolução que ele não fez, a revolução cultural para que esse país seja dono do seu nariz, da sua história e das suas coisas”, declarou o presidente.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, disse que a motivação de criar a plataforma foi fazer com que o povo brasileiro tenha acesso ao direito cultural.  “Na questão do audiovisual, nós temos um gargalo ainda muito grande na questão da distribuição. Como fazer o povo ter acesso a tudo o que se produz, às coisas que são importantes, que referenciam o nosso país?”, indagou. A Tela Brasil vai democratizar o acesso à cultura. “A nossa diversidade está no que a gente produz, só que o povo não tinha acesso”, destacou Margareth.

Lula afirmou, ainda, que o país vive um momento positivo de respeitabilidade internacional. “Estamos vivendo um momento muito promissor.

O Brasil nunca viveu um momento de reconhecimento e respeitabilidade internacional como tem hoje”, afirmou o presidente.

O projeto do Tela Brasil contou com um investimento de R$ 9 milhões entre 2024 e 2025. Segundo o governo, o valor garantiu o licenciamento de um catálogo diversificado, desenvolvimento tecnológico próprio e ferramentas completas de acessibilidade. A plataforma foi desenvolvida com tecnologia brasileira, pelo Ministério da Cultura (MinC) com o apoio da Universidade Federal de Alagoas (UFAL).

O que assistir

O acervo da Tela Brasil terá clássicos brasileiros históricos de 1910 até produções contemporâneas, de 2025. Alguns exemplos: A Hora da Estrela, de Suzana Amaral; Xica da Silva, de Cacá Diegues; Central do Brasil, de Walter Salles; e Cidade de Deus, de Fernando Meirelle; Dseus e o Diabo na Terra do Sol (1964), de Glauber Rocha; Carandiru (2003), de Hector Babenco; e Olga (2004), de Jayme Monjardim.

O catálogo inicial inclui também 19 títulos que já representaram o Brasil na disputa pelo Oscar ao longo da história.

Todos os títulos selecionados via edital público contam com audiodescrição, legendagem descritiva e interpretação em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Durante o evento, também foi assinado um Acordo de Cooperação Técnica (ACT) entre o Ministério da Cultura (MinC) e a TV Brasil, emissora pública da Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Com essa integração, que vai ocorrer de forma gradual, a emissora pública vai disponibilizar 150 títulos à Tela Brasil. Entre as produções que estarão disponíveis na plataforma estão programas como Sem Censura,de entrevistas; Samba na Gamboa, que reúne música e conversa com nomes consagrados e novos talentos do samba; e Xodó de Cozinha

Como acessar a Tela Brasil

O usuário precisa acesar o site telabrasil.cultura.gov.br com uma conta ativa no sistema de login único do governo federal, o Gov.br. A plataforma tem duas formas de navegação:

Perfil Cidadão: qualquer pessoa pode acessar de forma individual e gratuita a filmes, séries e documentários organizados por gêneros, formatos e categorias, além de criar uma lista de favoritos.

Perfil Direcionado: criado especialmente para exibições coletivas e sem fins comerciais em salas de aula, cineclubes, pontos de cultura, bibliotecas e museus de todo o país.

Na fase inicial, plataforma funciona no navegador de computadores (com opção de transmissão para Smart TVs). Aplicativos para celulares (Android e iOS) poderão ser baixados em 30 dias.