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Polícia Federal, autorizada pelo Supremo, vai rastrear patrimônio de Vorcaro no exterior

Com autorização de André Mendonça, investigadores acionam a Interpol para localizar ativos ligados ao dono do Banco Master, que deu dinheiro para filme de Bolsonaro

Após autorização do STF, investigadores ampliam a ofensiva contra Daniel Vorcaro dono do Banco MasterFoto: Site do PT

A investigação sobre as fraudes do Banco Master ganhou uma nova etapa com a autorização, dia 28, pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), para identificar o patrimônio mantido por Daniel Vorcaro fora do Brasil. O ex-banqueiro investiu, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), R$ 61 milhões na produção Dark Horse, um filme sobre Jair Bolsonaro. Agora, a Polícia Federal vai utilizar instrumentos de cooperação internacional para rastrear bens e ativos atribuídos ao ex-banqueiro e a outros investigados no âmbito da Operação Compliance Zero.

A medida representa um novo avanço das apurações conduzidas pela Polícia Federal, que investiga um esquema de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro, corrupção e organização criminosa envolvendo o antigo controlador do Banco Master e empresas ligadas ao grupo.

Preso preventivamente no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, Vorcaro teve duas propostas de delação premiada rejeitadas pela PF por falta de provas novas e por se recusar a confessar os crimes praticados.

A nova fase da Operação Compliance Zero segue atrás do maior rombo bilionário da história do sistema financeiro brasileiro herdado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC) após a liquidação decretada pelo Banco Central, na época controlado pelo Roberto Campos Neto, indicado por Jair Bolsonaro, e a tentativa ilegal de usar o Banco Regional de Brasília (BRB) para salvar a instituição falida.

A PF vai utilizar de mecanismos internacionais e solicitar informações a autoridades estrangeiras sobre contas, participações societárias e outros ativos que possam ter relação com os fatos investigados. A Interpol também foi acionada para auxiliar na localização de patrimônio eventualmente mantido no exterior. Também são apuradas suspeitas de pagamentos indevidos, tentativas de influência sobre agentes públicos e outras condutas que permanecem sob análise dos investigadores.

Conexão Bolsomaster

Além das fraudes do sistema bancário, as investigações avançam sobre as conexões políticas do ex-banqueiro com o clã Bolsonaro. O próprio ministro do STF André Mendonça abriu, na semana passada, um inquérito para apurar o repasse de R$ 61 milhões de Daniel Vorcaro a pedido de Flávio Bolsonaro destinados a financiar o filme “Dark Horse”, que conta sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Áudios e mensagens divulgados revelam que o senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou diretamente na cobrança dos valores junto a Vorcaro. Em uma das conversas, na véspera da prisão do ex-banqueiro e dono do Banco Master, o parlamentar cobrava o envio de parcelas atrasadas afirmando que o projeto estava em um “momento decisivo”. Além disso, Flávio Bolsonaro após ter negado e logo foi desmentido, afirmou depois em público visitou o ex-banqueiro quando ele usava tornozeleira eletrônica.

O caminho do dinheiro indica que as verbas foram direcionadas para offshores e repassadas ao fundo Havengate Development, nos Estados Unidos, controlado por operadores ligados ao irmão do senador, Eduardo Bolsonaro, o qual exerceu também papel de gestão direta sobre o dinheiro e está condenado no Brasil por coação na trama golpista.

Agora, a polícia federal investiga se a produção do filme do clã Bolsonaro serviu de estratégia para a prática de evasão de divisas e se o dinheiro de Vorcaro bancou a permanência e as despesas pessoais de Eduardo Bolsonaro em solo norte-americano.

 

Rede PT de Comunicação, com informações da Agência Brasil