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Dark Horse não tem dinheiro público? Investigações contradizem Flávio Bolsonaro

Ao contrário do que prega o candidato da extrema direita, Polícia Federal apura suspeita de desvio de emendas parlamentares para o filme sobre Jair Bolsonaro

Foto: Site do PT

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato da extrema direita à Presidência da República, tenta encerrar as perguntas sobre o financiamento do filme do pai com uma afirmação: “zero de dinheiro público”. Mas a investigação sobre suspeitas de desvio de emendas parlamentares para financiar Dark Horse coloca essa versão em xeque. A Polícia Federal apura justamente se recursos destinados a projetos sociais foram desviados para a produção sobre Jair Bolsonaro.

O outro caminho do dinheiro passa pelo banqueiro Daniel Vorcaro, a quem Flávio Bolsonaro recorreu para financiar o longa. O Banco Master recebia aplicações de regimes públicos de previdência, responsáveis por aposentadorias e pensões de servidores. Ou seja, dinheiro de pensionistas e aposentados. Só o Rioprevidência aplicou R$ 970 milhões em letras financeiras da instituição, segundo dados do Ministério da Previdência divulgados pela Câmara dos Deputados. O banco era privado, mas parte dos recursos que captava tinha origem pública e finalidade previdenciária.

É nesse cenário que o PT cobra o rastreamento da origem, do caminho e dos beneficiários do dinheiro. O partido pede que as autoridades esclareçam tanto a possível participação de emendas quanto a suspeita de que a produção tenha servido para financiamento político oculto. A pergunta vai além de quanto custou o filme: é preciso saber quem efetivamente pagou a conta e para onde foram os recursos.

A Operação Make Up, deflagrada na quinta-feira, 10, com apoio da Controladoria-Geral da União, cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Segundo a Polícia Federal, a ação apura “suposto desvio de recursos públicos oriundos de emendas parlamentares”. Entre os alvos estavam o deputado Mario Frias (PL-SP), ligado à produção, e a empresária Karina Gama.

A PF investiga se R$ 750 mil recebidos pela produtora Go Up tiveram origem em emendas de Frias. A suspeita envolve repasses ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina, e movimentações por empresas intermediárias. Os investigadores identificaram coincidências entre transferências e pagamentos durante as filmagens. O percurso completo e a origem pública desse montante ainda dependem de comprovação.

A investigação também alcança a execução dos projetos que justificaram o recebimento das emendas. A PF identificou indícios de fraude em iniciativas que receberam R$ 2 milhões destinados por Frias ao instituto. Documentação inconsistente e falta de comprovação de serviços estão entre os problemas apontados.

A destinação final também está sob questionamento. Em pedido ao Supremo, o PT solicitou investigação sobre eventual uso da produção como “caixa 2” para a candidatura de Flávio. A legenda quer esclarecer se os recursos foram integralmente empregados no longa ou se financiaram promoção eleitoral e outras despesas. Trata-se de uma suspeita apresentada pelo partido, ainda sujeita à apuração.

Flávio Bolsonaro nega irregularidades e sustenta que o financiamento foi privado. Frias também rejeita as acusações. Mas repetir essa versão não substitui contratos, comprovantes e a identificação dos destinatários dos pagamentos.

Diante das suspeitas sobre emendas e das relações com um banco que captava dinheiro de previdências públicas, a prestação de contas sobre Dark Horse interessa a toda a sociedade.