O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou, na noite desta quinta-feira, 10, a investigação de todos os envolvidos em suspeitas no Supremo Tribunal Federal (STF) e a abertura das informações do caso Banco Master, sem proteção a qualquer autoridade. Em entrevista ao SBT, Lula afirmou que a responsabilização deve alcançar quem tiver cometido irregularidades, da presidência da Suprema Corte à Presidência da República.
Ao ser questionado se o ministro Alexandre de Moraes deveria ser investigado, Lula afirmou que o mesmo critério precisa valer para todos os brasileiros, independentemente do cargo ou da condição econômica. O presidente incluiu a si próprio entre as autoridades que devem responder a apurações quando houver suspeitas.
“Todo mundo tem que ser investigado. Do presidente da Suprema Corte ao presidente da República, do mais simples catador de papel a qualquer um deste Brasil, ao mais rico empresário. Todos que tiverem suspeita de ter cometido qualquer equívoco têm que ser investigados, senão a gente não passa credibilidade ao Poder Judiciário”, disse.
Para Lula, esclarecer as denúncias e responsabilizar quem errou são condições para recuperar a credibilidade do Supremo perante a sociedade. Ao comentar a atuação do presidente da Corte, Edson Fachin, afirmou que é necessário colocar ordem na instituição e encerrar a exposição pública de conflitos entre ministros.
“Se o Alexandre de Moraes é culpado, ele tem que pagar. Se o Mendonça é culpado, ele tem que pagar. Se o Fachin é culpado, ele tem que pagar. Todo mundo, todo mundo tem que estar à disposição do cumprimento da nossa Constituição. A lei acima de tudo, e a verdade seja soberana. É isso que eu quero”, afirmou.
Lula também ressaltou a responsabilidade dos integrantes do tribunal como guardiões da Constituição e do processo democrático. Segundo ele, a importância do Supremo exige de seus membros um comportamento à altura da função que exercem.
“Apure tudo, divulgue tudo, doa a quem doer. Mas é importante recuperar o prestígio da instituição Suprema Corte diante dos olhos da sociedade brasileira”, apontou.
Investigação contra Vorcaro
O presidente ressaltou que a prisão do banqueiro Daniel Vorcaro e as investigações da Polícia Federal ocorreram durante seu governo.
“O Banco Master foi criado no governo Bolsonaro, foi fechado no meu governo. O Vocaro virou banqueiro do governo Bolsonaro e virou prisioneiro no meu governo […] E quem fez a investigação foi a Polícia Federal do meu governo”, destacou.
Questionado sobre a reunião que teve com Daniel Vorcaro no Palácio do Planalto, Lula relatou que o banqueiro alegou estar sofrendo perseguição. Segundo o presidente, a resposta foi que o Master receberia o mesmo tratamento de qualquer outra instituição financeira, sem favorecimento.
“Eu disse para ele: ‘O Banco Master vai ser analisado como qualquer banco. Como qualquer banco, ou seja, ninguém tem interesse de fechar banco. Agora, você tem que estar correto. Se não estiver correto, nós fechamos’. E o que aconteceu? Ele não estava correto. O banco foi fechado, ele foi preso”, explicou.
Lula afirmou que esse foi seu único encontro com Vorcaro e estimou que a conversa durou menos de meia hora. Reiterou que avisou ao banqueiro que eventuais irregularidades seriam apuradas com seriedade.
“O que eu disse concretamente foi o seguinte: ‘Você vai ser investigado com a seriedade que nós investigamos todo mundo’.”
Ao longo da entrevista, o presidente insistiu que a sociedade precisa ter acesso às informações para compreender as acusações e acompanhar a responsabilização dos envolvidos no caso.
“Então, se tem alguém sob suspeita, que se investigue. Eu não vejo nenhum problema que se escancare tudo”, destacou.
Vazamentos seletivos
O presidente criticou a divulgação de informações sigilosas em fragmentos e com interesses políticos. Na avaliação de Lula, essa prática prejudica tanto a credibilidade das instituições quanto o debate público, especialmente durante o período eleitoral.
“O que você não pode é ficar soltando meias informações com meias palavras. Então eu sou favorável a abrir tudo”, afirmou.
Ao tratar especificamente do Banco Master, Lula cobrou liberdade para a Polícia Federal esclarecer o caso e criticou o uso de processos para divulgar apenas informações convenientes a determinados interesses.
“Então, ao invés de vazamento seletivo no interesse de A ou B, que se abra a janela e deixe a democracia passar”, indicou.