O Brasil pode ganhar, nos próximos quatro anos, a maior rede pública de prevenção, diagnóstico e tratamento de câncer do mundo. O compromisso foi apresentado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no programa eleitoral exibido na quinta-feira, 10, que colocou a saúde no centro das propostas para um novo mandato.
“Uma das doenças que mais matam no mundo é o câncer”, afirmou Lula. “Meu compromisso com vocês, com a família, é que toda cidade com mais de 150 mil habitantes tenha um centro como esse. O Brasil vai ter a maior rede gratuita do mundo de tratamento de câncer.”
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A proposta parte de uma estrutura em desenvolvimento no Governo Lula 3. Dados apresentados pelo Ministério da Saúde em julho mostram que o Sistema Único de Saúde (SUS) conta com 338 hospitais credenciados para diagnóstico e tratamento de câncer, sendo 49 Centros de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (CACON) e 289 Unidades de Assistência de Alta Complexidade em Oncologia (UNACON). Em 2025, a atenção primária realizou ainda 11,1 milhões de rastreamentos de câncer em 44,9 mil Unidades Básicas de Saúde.
A dimensão da rede acompanha um desafio crescente. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país deve registrar cerca de 781 mil novos casos da doença por ano entre 2026 e 2028. Excluídos os tumores de pele não melanoma, são aproximadamente 518 mil novos casos anuais.
No câncer, tempo é vida
Um dos principais focos dessa estratégia é encurtar o caminho entre a suspeita da doença, a confirmação do diagnóstico e o início do tratamento.
No programa eleitoral, Lula, que já lutou contra o câncer, afirmou que a intenção é chegar a um intervalo de no máximo 30 dias entre diagnóstico e tratamento. Hoje, a legislação estabelece até 30 dias para a realização dos exames necessários à confirmação da doença nos casos de suspeita de câncer e até 60 dias, a partir do diagnóstico, para o início do primeiro tratamento no SUS.
O Agora Tem Especialistas passou a concentrar esforços justamente na redução dessas esperas, com atenção especial à oncologia. Uma das iniciativas é o Super Centro Brasil para Diagnóstico de Câncer, que conecta laboratórios e especialistas por meio de patologia digital e telemedicina.
Em 2026, o Super Centro já realizou 56,5 mil procedimentos em 25 unidades da Federação, e o tempo médio nacional para a liberação dos laudos caiu de 30 para oito dias. Em Manaus, onde o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, visitou uma das estruturas regionais na quinta-feira, 10, exames que antes podiam levar mais de 30 dias têm resultados liberados, em média, em menos de dez.
“Para quem está investigando um câncer, cada dia de espera pelo diagnóstico faz diferença”, afirmou Padilha. “É esse ganho de tempo que queremos transformar em cuidado para a população.”
A tecnologia permite que lâminas produzidas a partir de biópsias sejam digitalizadas e analisadas à distância por médicos patologistas. Na prática, aproxima especialistas de pacientes que vivem longe dos grandes centros e reduz um dos gargalos para o início do tratamento.

Rede já ampliou capacidade de atendimento
A expansão não ocorre apenas no diagnóstico. Os dados do Ministério da Saúde mostram crescimento da oferta de tratamento oncológico no SUS nos últimos anos.
Em 2025, foram realizados 4,7 milhões de procedimentos de quimioterapia, 34% a mais que os 3,5 milhões registrados em 2019. A radioterapia chegou a 189,8 mil tratamentos, crescimento de 27% em relação a 2021. Já os exames oncológicos passaram de 2,07 milhões em 2022 para 2,7 milhões em 2025, alta de 30%.
A rede de radioterapia também está sendo levada para regiões onde o atendimento ainda é insuficiente. O planejamento do Ministério da Saúde prevê chegar a 70 novos centros até o fim de 2026, ante 51 na configuração atual apresentada pela pasta. A expansão busca alcançar vazios assistenciais, com potencial de beneficiar 59 milhões de pessoas e ampliar a cobertura adequada para outros 2,2 milhões de brasileiros.
A modernização inclui novos equipamentos de radioterapia, que permitem tratamentos mais precisos, com menor exposição de tecidos saudáveis e maior capacidade de atendimento. O Agora Tem Especialistas também criou incentivo financeiro para que os serviços ampliem sua produção, com aumento de até 30% na remuneração em determinadas modalidades.
Outro reforço veio pela incorporação de medicamentos à saúde pública. A apresentação do Ministério da Saúde registra 23 novos medicamentos oncológicos para 25 tipos de câncer, com estimativa de alcançar 114 mil pacientes por ano.
Saúde para além do câncer
O programa eleitoral também destacou outras políticas de saúde retomadas ou ampliadas nos últimos anos. Entre elas, o Farmácia Popular, que voltou a ganhar alcance no governo Lula e passou a oferecer gratuitamente os medicamentos disponíveis na rede, além de absorventes higiênicos e fraldas geriátricas. “Esse programa salva vidas todos os dias”, afirmou uma participante da propaganda.
A peça lembrou ainda a retomada do Brasil Sorridente, a expansão do Mais Médicos, a garantia do piso nacional da enfermagem e os investimentos na formação de técnicos, médicos e enfermeiros. A recuperação da cobertura vacinal também apareceu como uma das marcas do período, com destaque para a vacina contra o HPV, fundamental na prevenção do câncer do colo do útero.
Na reta final, o programa ampliou o debate sobre saúde para além dos serviços do SUS e voltou à defesa do fim da escala 6×1, relacionando a jornada de trabalho à qualidade de vida, ao descanso, à segurança e ao tempo de convivência com a família.
A propaganda também reuniu outras medidas do governo, como a isenção do Imposto de Renda, o Desenrola, o aumento real do salário mínimo, a queda do desemprego, a abertura de novos mercados para as exportações brasileiras e a redução do desmatamento na Amazônia.
“Quem investe em saúde é Lula”, afirmou o presidente.