Siga nossas redes

Conheça propostas de Lula-Alckmin para a saúde, em defesa da ciência e da vida

Programa de governo prevê ampliar vacinação, atender as demandas das mulheres e consolidar o SUS como referência de serviço público, moderno e universal

Lula dedicou parte de seu mandato para visitar hospitais universitários, com investimentos recorde do Governo Federal, como em São Carlos.Foto: Ricardo Stuckert/PR

Continuar com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde, aumentar a cobertura vacinal e garantir atendimento às mulheres estão entre os principais objetivos da diretriz cinco do plano de governo da chapa Lula-Alckmin para as eleições 2026. Protocolado no dia 7 de agosto, o documento reúne propostas para um mandato pensado para o futuro soberano da nação brasileira.

Intitulada “Fortalecer saúde com equidade, inovação e soberania”, a quinta diretriz do programa parte dos avanços registrados durante o governo Lula 3. Entre os compromissos estão ampliar a atenção básica, reduzir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias, desenvolver ainda mais projetos como o Mais Médicos e o Farmácia Popular, reduzir o tempo de espera na saúde pública, ampliar políticas voltadas à vacinação, à saúde das mulheres, à saúde mental e ao tratamento do câncer e avançar na saúde digital.

O programa também estabelece um contraste com o período do governo Jair Bolsonaro. O texto afirma que a omissão federal no enfrentamento à Covid-19 resultou na perda de 700 mil vidas e que a falta de coordenação de campanhas nacionais de vacinação contribuiu para uma forte redução das taxas de imunização infantil. A partir de 2023, segundo o documento, “o SUS voltou a estar ao lado do povo brasileiro”.

“Combatemos o negacionismo, defendendo a ciência e a vida, recuperando as coberturas vacinais”, declara o programa.

Continuidade à consolidação do SUS

A diretriz prevê aprofundar a reconstrução do SUS iniciada no atual governo Lula.

Com o Novo PAC, o Programa de Aceleração do Crescimento lançado em 2023, foram construídas 2.734 Unidades Básicas de Saúde e distribuídos 10 mil conjuntos de equipamentos. O governo também renovou e ampliou a frota do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), com 2.994 ambulâncias destinadas a estados e municípios.

Para o novo mandato, as principais propostas são ampliar e qualificar as equipes de Saúde da Família, fortalecer as equipes multiprofissionais e priorizar os territórios de maior vulnerabilidade social. O plano também prevê aumentar a oferta de exames na atenção básica e expandir teleconsultas, teleorientação e teleacolhimento.

Outra meta é acelerar o prontuário único do cidadão, integrando informações dos diferentes serviços do SUS. A proposta prevê que consultas e resultados de exames possam ser acessados pelo celular e que novas tecnologias sejam usadas para melhorar o atendimento e a regulação.

Mais atenção à saúde das mulheres

A saúde integral das mulheres está entre as prioridades da diretriz para os próximos quatro anos.

O plano prevê ampliar exames e tratamentos, reforçar o diagnóstico precoce dos cânceres de mama e do colo do útero e melhorar o atendimento às mulheres com endometriose e outras condições ginecológicas crônicas. Também propõe ampliar gratuitamente pelo SUS o acesso a métodos contraceptivos modernos e de longa duração.

Entre as políticas já implementadas, o documento destaca o apoio do Novo PAC a 39 maternidades e 27 Centros de Parto Normal, além da oferta do contraceptivo Implanon pelo SUS. O Farmácia Popular também passou a distribuir absorventes, beneficiando 3,3 milhões de meninas e mulheres.

Para um novo mandato, Lula e Alckmin propõem ainda fortalecer o Programa Dignidade Menstrual e reduzir a mortalidade materna, com atenção às mulheres negras, apontadas no documento como as mais afetadas por mortes evitáveis. O acesso ao parto nas áreas rurais, do campo, das florestas e das águas também deverá ser ampliado.

Avanços na imunização

A recuperação das coberturas vacinais também ganha destaque no programa.

As diretrizes afirmam que o atual governo buscou reverter o negacionismo do governo anterior em relação às vacinas e conseguiu elevar a cobertura de 15 das 16 principais vacinas infantis.

Os dados mais recentes de OMS e Unicef mostram a dimensão da mudança. O número de crianças que não receberam a primeira dose da vacina com componente DTP — as chamadas “zero-dose” — caiu de 360 mil em 2023 para 50 mil em 2025. Com o resultado, o Brasil deixou a lista das 20 nações com maior número de crianças sem a primeira dose.

A cobertura da primeira dose da DTP, que protege contra doenças como difteria, tétano e coqueluche, chegou ao menor nível em 2021, durante o governo Bolsonaro, com 74%. Em 2025, o índice alcançou 98%. A cobertura do esquema completo de três doses passou de 68% para 86% no mesmo intervalo.

Para o próximo mandato, a proposta é manter campanhas nacionais, ampliar a vacinação nas escolas e facilitar o acesso aos imunizantes, além de fortalecer a vacinação contra dengue, HPV e Vírus Sincicial Respiratório (VSR) e incorporar novas vacinas ao calendário do SUS.

Agora Tem Especialistas e redução das filas

Outra prioridade será reduzir o tempo de espera pelo atendimento especializado. Para isso, o programa Agora Tem Especialistas será ampliado, com terceiro turno nas unidades de saúde, Carretas da Saúde, mutirões e maior integração entre os serviços públicos e privados.

Em 2025, o SUS realizou 15 milhões de cirurgias, além de 31,4 milhões de consultas e 45 milhões de exames. Dados do Ministério da Saúde disponibilizados em maio de 2026 confirmam avanços expressivos na saúde pública. Na comparação entre 2022 e 2025, houve crescimento de 29% nos atendimentos ambulatoriais, 30% nas consultas, 16% nas internações e 26% nos exames.

Desde o início do programa, registrou-se a entrada de 1,3 mil novos especialistas na rede pública, 75% deles destinados ao interior e a cidades fora das capitais. Em 52 municípios de 21 estados, as filas de espera foram zeradas para procedimentos de saúde da mulher, exames de imagem e oftalmologia.

O plano de governo propõe avançar nesse processo com a criação de uma fila única digital, organizada de acordo com o risco clínico, para ampliar a transparência, dar prioridade aos casos mais urgentes e acelerar o acesso da população a consultas, exames e cirurgias especializadas.

Mais Médicos e Brasil Sorridente

O Mais Médicos, que, segundo o documento, dobrou de tamanho na atual gestão, será mantido e ampliado, com foco na fixação de profissionais nos municípios e regiões mais vulneráveis.

Na saúde bucal, a proposta é avançar na universalização do atendimento no próximo mandato. O Brasil Sorridente conta atualmente com quase 35 mil equipes em 5.208 municípios, 23% a mais do que em dezembro de 2022.

Farmácia Popular

O plano prevê ampliar o programa Farmácia Popular, aumentando pontos de retirada nas periferias e garantir alternativas para municípios sem farmácias conveniadas.

O programa distribui atualmente 41 medicamentos gratuitos e chegou a 27,3 milhões de pessoas em 2025, 32% a mais do que em 2022. A próxima etapa prevê também a oferta de exames para diagnóstico e acompanhamento de doenças crônicas, como hipertensão arterial e diabetes.

Combate ao câncer e saúde mental

Para o tratamento do câncer, a proposta é ampliar centros especializados, equipamentos de radioterapia, cirurgias e acesso a medicamentos modernos, além de fortalecer o telediagnóstico em regiões com falta de especialistas.

Na saúde mental, o programa prevê expandir a Rede de Atenção Psicossocial e os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), com atenção especial a crianças, adolescentes e jovens. O Novo PAC já apoiou a estruturação de 336 novos CAPS. Também estão previstas ações voltadas a pessoas com TEA e outras neurodivergências e a quem enfrenta problemas relacionados aos jogos de apostas.

Tecnologia e produção nacional

A diretriz também relaciona saúde à soberania nacional. O objetivo é fortalecer o Complexo Econômico-Industrial da Saúde e ampliar a produção brasileira de medicamentos, equipamentos e insumos estratégicos.

Desde 2024, foram assinadas 31 parcerias para desenvolvimento produtivo, incluindo iniciativas para a retomada da produção nacional de insulina. O programa prevê aprofundar a cooperação entre instituições públicas, empresas nacionais, universidades e centros de pesquisa.