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Brasil retoma avanço na vacinação infantil e é destaque mundial

OMS e Unicef anunciam que país reduziu o número de crianças sem primeira dose da vacina DTP, entre 2023 e 2025. Menor índice de imunização foi no governo Bolsonaro

Segundo o Unicef e a OMS, o número de crianças "zero-dose" no Brasil caiu de 360 mil para 50 mil entre 2023 e 2025.Foto: Fábio Rodrigues Pozzebom - Agência Brasil

Após a retomada das políticas de imunização pelo Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o Brasil voltou a figurar entre os países que mais avançaram na vacinação infantil no mundo. Dados divulgados na terça-feira, 14, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) mostram que o país deixou de integrar a lista das 20 nações com o maior número de crianças que não receberam a primeira dose da vacina com componente DTP, aplicada no Brasil como pentavalente. 

As Estimativas OMS-Unicef de Cobertura Vacinal Nacional (WUENIC) apontam que o número de crianças classificadas como “zero-dose”, aquelas que não receberam a primeira aplicação da vacina que protege contra difteria, tétano, coqueluche, hepatite B e infecções causadas pelo Haemophilus influenzae tipo b (Hib), caiu de 360 mil, em 2023, para 50 mil, em 2025.

O resultado consolida a recuperação do Brasil após um período de queda na cobertura vacinal impulsionado por um governo negacionista e contrário à ciência. “Tivemos a maior cobertura vacinal dos últimos nove anos. Viva o Brasil! Vitória!”, comemorou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo a OMS e o Unicef, a cobertura da primeira dose da vacina DTP no país atingiu seu menor índice em 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro, quando apenas 74% das crianças foram imunizadas. Em 2025, esse percentual chegou a 98%. A cobertura das três doses da vacina também apresentou crescimento expressivo, passando de 68% em 2021 para 86% no ano passado.

Para a OMS e o Unicef, o avanço é resultado da ampliação da cobertura vacinal e do aprimoramento dos sistemas públicos de registro e divulgação das informações sobre imunização, tornando os dados mais precisos e completos.

De acordo com o Ministério da Saúde, a recuperação também reflete o fortalecimento das ações do Programa Nacional de Imunizações (PNI), desenvolvidas em parceria com estados e municípios desde 2023.

Entre as medidas adotadas estão a retomada das campanhas nacionais de vacinação, dos dias de mobilização, a busca ativa de crianças com esquemas vacinais incompletos, a ampliação da vacinação nas escolas, o fortalecimento da rede de salas de vacina, a modernização dos sistemas de informação e o monitoramento permanente das coberturas vacinais em todo o território nacional.

Sucesso brasileiro

Os resultados positivos no país se relacionam com a onda global de crescimento da vacinação infantil. Os dados da Unicef e da OMS sobre imunização apontam que aproximadamente 116 milhões de crianças, o equivalente a 90% dos bebês nascidos em 2025, receberam ao menos uma dose da vacina DTP. Já 110 milhões (85%) completaram o esquema de três doses.

Apesar da melhora em relação ao ano anterior, a cobertura mundial permanece abaixo dos níveis registrados antes da pandemia de Covid-19.

Entre os 195 países avaliados, apenas 30 conseguiram ampliar suas coberturas vacinais desde 2019, enquanto 65 permaneceram estagnados ou apresentaram retrocessos. O Brasil está entre os 17 países que registraram aumento superior a cinco pontos percentuais na cobertura da primeira dose da vacina contendo DTP entre 2019 e 2025 e apresentou o segundo maior crescimento no período, de 19 pontos percentuais, atrás apenas da Líbia.

Na Região das Américas, o Brasil apresentou desempenho superior ao observado em diversos países. Enquanto México, Venezuela, Argentina e Bolívia concentram atualmente os maiores contingentes de crianças zero-dose na região (com 218mil, 185 mil,101 mil e 89 mil, respectivamente), o país manteve a tendência de recuperação da vacinação infantil e reduziu significativamente esse valor.