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Trabalhadores pressionam pelo fim da jornada 6×1 em atos organizados pelo país

Haddad fala para uma multidão de trabalhadores em São Bernardo do Campo.

Trabalhadoras e trabalhadores foram às ruas neste 1º de Maio pressionar os parlamentares pela aprovação da redução da jornada de trabalho sem redução de salários e por condições dignas de trabalho, sem precarização. Em São Paulo, a maior celebração ocorreu no berço do Partido dos Trabalhadores, em São Bernardo do Campo, num ato organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), sindicatos e movimentos sociais.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu o projeto de lei enviado ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em abril para acabar com a escala 6×1, em que o trabalhador tem apenas um dia de folga semanal. O PT defende cinco dias de trabalho e dois de folga na semana, sem redução salarial.

“É o momento de mostrarmos que o Brasil apoia o projeto do presidente Lula para que a gente acabe com a jornada 6×1. Queremos que trabalhadores e trabalhadoras tenham tempo para família, lazer, cultura, esporte, para cuidar da saúde e também estudar”, afirmou. Edinho disse que o 1º de Maio também é uma data para celebrar as conquistas já alcançadas, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil, a lei de equiparação salarial entre homens e mulheres e a preservação do poder de compra do salário mínimo resgatada por Lula em seu governo. “Mas temos muita luta pela frente”, disse Edinho. 

É sem redução de salário, enfatiza Haddad

O pré-candidato do PT ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda, disse acreditar “na boa vontade da Mesa da Câmara” para votar o projeto de lei da redução de jornada.

“Eu estou confiante que nós vamos conseguir entregar até o final do ano essa pauta, como fizemos com a isenção do Imposto de Renda do ano passado, que foi um compromisso do presidente Lula. Neste ano, a jornada 6 por 1 precisa ser enfrentada definitivamente.” 

Segundo Haddad, já foi feito um amplo debate na sociedade e a mudança da jornada para 40 horas semanais é aguardada pelos trabalhadores desde a Constituição de 1988. “E é sem redução de salário, é importante frisar isso.”

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, disse que o Governo Lula cumpriu seu papel ao enviar o projeto de redução de jornada ao Congresso, mas cabe à sociedade exercer pressão para que seja aprovado. “Porque o Congresso nós conhecemos, sabemos o Congresso que é. Então, é preciso que a sociedade entre em campo, continue em campo, exigindo que essa deva ser uma conquista deste momento para a classe trabalhadora”, afirmou.

As ex-ministras Marina Silva e Simone Tebet, que vão compor a chapa com o PT em São Paulo, também defenderam o fim da jornada 6×1 e enfatizaram que as mulheres são as mais prejudicadas com escalas exaustivas.

O trabalhador como alvo da extrema direita

Haddad enfatizou que o projeto da extrema direita é beneficiar a elite e onerar os trabalhadores, com retirada de direitos. “O cidadão mais prejudicado pela pauta da extrema direita é o trabalhador. O trabalhador é o alvo central; eles visam retirar direitos.”

O ex-ministro citou as declaraões do coordenador de campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o senador Rogério Marinho, que disse ser contrário à política de correção do salário mínimo implementada por Lula porque causa impacto às contas públicas. “Você viu a fala do senador Rogério Marinho […] o alvo é saúde, educação, salário mínimo, Imposto de Renda, continua sendo a conta tradicional deles”, criticou Haddad.

“Sempre que vem uma campanha, eles procuram omitir, eles procuram confundir a opinião pública, mas no frigir dos ovos, o que tá em jogo é sempre é venda de patrimônio público de um lado, e corte de direitos sociais de outro. É sempre isso.” Haddad afirmou que a extrema direita não tem um projeto de desenvolvimento econômico e tampouco pensa numa ação estratégica do Estado brasileiro.

Caminhadas, festas, cultura

Em diversas regiões do país, as trabalhadoras e trabalhadores celebram seu dia com festa, mas também cobranças. O fim da escala 6×1 foi a pauta central das mobilizações. O combate ao feminicídio e o clamor por condições dignas de trabalho também estavam entre as reivindicações dos trabalhadores.

Foram organizados atos em várias capitais: Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador, Fortaleza, Vitória, Goiânia, Curitiba, Recife, Aracaju e Porto Alegre. Além da festa em São Bernardo do Campo, foram organizadas celebrações em outras cidades e regiões de São Paulo, como Osasco e Campinas.

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