Se nos centros urbanos a violência contra as mulheres é intensa, nas casas legislativas com menos parlamentares a disputa parece ainda mais desigual. Hoje a campanha Um Minuto pela Vida das Mulheres traz o relato da vereadora Eugênia Lima (PT-PE), de Olinda, em Pernambuco. Ela denuncia que, em uma Câmara Municipal formada majoritariamente por homens, tem rotineiramente seu microfone cortado e sua voz deslegitimada.
“Por várias vezes fui silenciada, fui interrompida, o que configura uma violência política de gênero. E isso é inaceitável.”
A violência, como mostra o depoimento, acontece em diferentes camadas. Ela pode aparecer de forma explícita, mas também em gestos e práticas que muitas vezes são naturalizados nos espaços de poder: interromper, desqualificar, impedir a fala ou tentar reduzir a autoridade de uma mulher.
No caso de Eugênia, a experiência se soma à condição de ser uma mulher em um ambiente político predominantemente masculino e, segundo seu relato, também de oposição. “Sou vereadora igual a todos os outros, e eles decidiram tolher minha voz”, afirma.
A participação da vereadora pernambucana dá continuidade a uma série que já reuniu experiências de outras mulheres em diferentes espaços de liderança. A campanha começou com a deputada federal Jack Rocha (PT-ES) e teve, na sequência, os depoimentos da ex-ministra da Saúde e ex-presidente da Fiocruz Nísia Trindade, da secretária nacional adjunta de Comunicação do PT Camila Moreno, da secretária nacional de Nucleação Claudinha Lima e da vereadora Luna Zarattini (PT-SP). São histórias distintas de assédio, perseguição, deslegitimação, silenciamento e violência política, mas que revelam uma mesma realidade: a violência de gênero atravessa diferentes dimensões da vida das mulheres.
Um minuto para denunciar a violência
A campanha Um Minuto pela Vida das Mulheres busca sensibilizar toda a sociedade para essas diferentes formas de violência, dando espaço para que mulheres compartilhem experiências pessoais.
A iniciativa do PT mostra que o enfrentamento não pode se limitar aos casos extremos: é preciso reconhecer e combater também as práticas cotidianas que desrespeitam as mulheres e podem contribuir para a continuidade de um ciclo de violência.

