Comprometidas com o projeto político do Partido dos Trabalhadores e Trabalhadoras em ampliar as bancadas femininas nos espaços de poder, e com a reeleição do presidente Lula, as mulheres do PT, por meio da Secretaria Nacional de Mulheres do Partido, formularam a tese unificada “Mulheres do PT com Lula na defesa da democracia, do feminismo e das mulheres brasileiras”.
O documento estratégico sintetiza o diálogo entre as diversas forças e coletivos que compõem o partido, e consiste na resolução política elaborada durante o 14º Encontro Nacional de Mulheres do PT, realizado em fevereiro. Além disso, o texto subsidiou a estrutura das contribuições das mulheres que foram apresentadas durante o 8º Congresso Nacional do PT.
Portanto, a tese unificada é um orientador político das ações de mulheres, sendo o documento que vai basear, inclusive, a contribuição de gênero do programa de governo, além de atuar como base de orientação para as construções de plataformas políticas de mulheres candidatas e dos programas de governo do PT para presidência e estados.
As pautas prioritárias defendidas na tese envolvem a vida das mulheres diretamente: combate ao crescimento da violência de gênero, criminalização da misoginia, fim da escala 6×1 e políticas de cuidado.
“Este documento é a síntese do nosso pensamento, pois foi elaborado durante o 14º encontro nacional de mulheres, realizado em fevereiro de 2026, com a participação de companheiras de todas as tendências políticas que integram a SNMPT. Ele norteará a atual gestão da Secretaria no próximo período e o discurso das companheiras na defesa do legado petista nos governos federais, além de propor a ampliação de políticas públicas para as mulheres durante a construção do programa de governo”, explica a secretária nacional de Mulheres, Mazé Morais.
Veja quatro eixos fundamentais da Tese Unificada:
1. Conjuntura nacional e internacional: a crise e seus impactos sobre a vida das mulheres
Neste trecho, a Tese oferece uma análise sobre os impactos que o avanço da extrema direita mundial têm exercido sobre a vida das mulheres. As companheiras afirmam que, em um contexto mundial de crise do capitalismo e retrocesso de direitos, as mulheres brasileiras resistem diariamente contra ataques a suas vidas, corpos e territórios.
A extrema direita no país, aliada a um projeto global, tem como uma de suas principais pautas o retrocesso nos direitos conquistados pelas lutas de mulheres e feministas e contra os avanços protagonizados pelos Governos de Lula e Dilma.
2.O PT, o governo federal e a disputa política pela garantia dos direitos das mulheres
A eleição do presidente Lula inaugurou um novo ciclo político, recolocando o Estado como instrumento fundamental para a garantia de direitos e para a redução das desigualdades. Nesse contexto, a recriação do Ministério das Mulheres representa uma conquista política central, ao restabelecer um espaço institucional estratégico para a formulação, coordenação e incidência das políticas públicas voltadas à igualdade de gênero. Trata-se de uma inflexão concreta em relação ao período anterior de desmonte e invisibilização das políticas para as mulheres.
3.Participação política das mulheres, financiamento democrático e enfrentamento à violência de gênero
Desde 2018, a luta das mulheres petistas pelo financiamento público, pelas ações afirmativas expressas nas cotas de gênero e pela destinação de recursos públicos às candidaturas femininas e negras ampliou a presença das mulheres na representação política e fortaleceu a estratégia eleitoral do Partido, resultando no crescimento das bancadas femininas em todos os níveis.
Em 2022, a bancada feminina do PT na Câmara dos Deputados cresceu 80%, passando de 10 para 18 deputadas, enquanto nas Assembleias Legislativas o número de eleitas aumentou de 21 para 34. No âmbito municipal, a representação feminina nas Câmaras Municipais também avançou, passando de 512 vereadoras eleitas em 2020 para 774 em 2024.
“Apesar dessas conquistas, a sub-representação das mulheres, especialmente das trabalhadoras, negras, periféricas e LBTQIA+, permanece como reflexo das desigualdades estruturais da sociedade brasileira. Para romper com a sub-representação é necessário a conquista de avanços na legislação eleitoral que garantam reserva de vagas de no mínimo 50% de mulheres nos parlamentos. Nesse sentido, é fundamental aprofundar a democratização do acesso aos recursos partidários e eleitorais, com autonomia das mulheres do PT na gestão de seus Fundos”, defendem.
4.Desafios para a construção de um PT feminista
Neste tema, as companheiras contextualizam que o feminismo, como eixo estruturante do Partido dos Trabalhadores, significa compreender que a luta pela igualdade de gênero não é uma pauta secundária, mas parte constitutiva do projeto político do partido. Para elas, um PT feminista é aquele capaz de incorporar a perspectiva das mulheres em sua diversidade na formulação programática, nas decisões políticas e na organização da ação partidária em todos os níveis.
Encerrando a Tese, estão 13 compromissos políticos e horizontes estratégicos, que consistem fortalecer o papel do Estado na promoção e na garantia da vida e dos direitos das mulheres; defender um modelo econômico socialmente justo e sustentável, colocando a vida no centro da política, superando todas as formas de superexploração do trabalho e as desigualdades de gênero, lutando pelo fim da escala 6×1; lutar pela efetivação da Política Nacional de Cuidados, que busca corresponsabilizar o Estado pela garantia do direito ao cuidado, contribuindo assim para a redução da sobrecarga de trabalho das mulheres; entre outros.
Da Redação do Elas por Elas.

