Além de fundamentais para garantir um projeto de futuro para o Brasil, com a reeleição do presidente Lula, as eleições de outubro de 2026 trazem uma oportunidade histórica para fortalecer a presença das mulheres nos espaços de poder e construir uma política mais representativa, diversa e democrática.
O pleito tem o potencial de se tornar um verdadeiro marco na ampliação da presença feminina no Senado Federal, já que serão renovadas 54 das 81 cadeiras — ou seja, dois terços da Casa. Essa configuração inédita abre caminho para começar a romper com um abismo de gênero secular.
Em mais de 200 anos de existência do Senado Federal, a desigualdade política fica evidente nos números: as mulheres não chegam a representar sequer 5% do total de parlamentares que já passaram pela instituição.
Conforme alertado em artigo publicado pela Revista Exame, ao longo de toda a história, apenas 47 mulheres ocuparam uma cadeira na Casa entre titulares e suplentes confirmadas, o que equivale a um tímido percentual de 4,49%. Em contrapartida, os homens somam mais de mil passagens, refletindo a esmagadora maioria de 95,51% do histórico parlamentar.
Atualmente, o cenário permanece distante da paridade. Das 81 cadeiras ativas, apenas 15 são ocupadas por mulheres, segundo dados da Procuradoria da Mulher e da Bancada Feminina do Senado. Isso significa que a presença feminina atual é de 19,7%, enquanto as brasileiras compõem 51,5% da população.
Para que o Senado refletisse fielmente o peso das mulheres na sociedade, a representação precisaria crescer 31,8 pontos percentuais.
Quando observa-se o recorte racial, o cenário é ainda mais restritivo. De todas as 47 senadoras da história do país, somente três são negras, e nenhuma indígena ou mulher trans. A pioneira foi a obstetra Laélia de Alcântara (PMDB-AC), que assumiu o mandato em 1981, na fase final da ditadura militar. Depois dela, o país precisou esperar até 1995 para ver novas senadoras negras assumirem o mandato: Benedita da Silva e Marina Silva, ambas pelo Partido dos Trabalhadores.
Diante desse desafio, a Secretaria Nacional de Mulheres do PT já se mobiliza com força total. Até o momento, o partido conta com nomes de peso como pré-candidatas ao Senado: Benedita da Silva (RJ), Erika Kokay (DF), Gleisi Hoffmann (PR), Luciana Oliveira (RO) e Marília Campos (MG).
Para a Secretária Nacional de Mulheres do PT, Mazé Morais, a disputa vai muito além das urnas e exige o enfrentamento estrutural das desigualdades que se manifestam dentro das próprias campanhas, onde as mulheres historicamente recebem menos financiamento, menos tempo de visibilidade e ainda enfrentam episódios recorrentes de violência política e silenciamento:
“Ampliar a presença das mulheres no Senado significa mudar a cara de quem decide o futuro do Brasil. Em 2026, nossa missão política é dupla: garantir a reeleição do companheiro Lula e eleger uma bancada de senadoras aguerridas, comprometidas com a pauta popular. As mulheres do PT têm a maturidade, a história e a base social necessárias para liderar essa virada. Junto com a Bancada Feminina do Senado, nós vamos transformar essa sub-representação histórica em poder real de decisão, derrotando o patriarcado e a extrema direita onde eles se estruturam”, afirma.
Fortalecer candidaturas femininas e garantir viabilidade estrutural a esses projetos é dar voz, experiência e perspectiva popular às decisões que impactam o cotidiano de toda a nação. O PT segue na linha de frente para que as mulheres reais — das periferias, das águas e das florestas — ocupem, por direito, o topo das decisões políticas do país.
Da Redação do Elas por Elas, com informações do Senado Federal.

