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Entenda 10 pedidos do PT para apurar atividades suspeitas de Flávio Bolsonaro

O Partido dos Trabalhadores (PT) tem intensificado uma ofensiva jurídico-política em várias frentes para que o país conheça a origem, o caminho e o destino do dinheiro negociado entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, para financiar o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O Intercept Brasil revelou áudios e mensagens em que o filho do ex-presidente aparece tratando de um valor de R$ 134 milhões para a produção do longa. Depois disso, foi divulgado que Flávio Bolsonaro se encontrou com o banqueiro pessoalmente, quando ele já estava preso. O senador confirmou o encontro, mas não detalhou o conteúdo da conversa.

A bancada petista defende que é preciso esclarecer a origem, o destino e os beneficiários finais dos recursos liberados por Vorcaro, sobretudo diante das contradições entre Flávio e a produtora, os pagamentos noticiados e informações divulgadas posteriormente sobre a participação do banqueiro no financiamento do filme.

O PT também quer apurar se o episódio ultrapassa a esfera privada e envolve possível financiamento político oculto, lavagem de dinheiro, caixa dois, uso eleitoral dissimulado do filme e conexões com estruturas no Brasil e no exterior. Em paralelo, o PT cobra a instalação de CPIs (Comissões Parlamentares de Inquérito) e o acionamento de vários órgãos para investigar o que parlamentares tratam como uma rede de relações políticas e financeiras ligada ao Banco Master.

Os 10 pedidos de investigação do PT contra Flávio Bolsonaro

1) Notícia de fato à PF e à PGR sobre o dinheiro do filme

A bancada do PT, em iniciativa articulada pelo líder Pedro Uczai (PT-SC), acionou a Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-geral da República (PGR) para apurar a origem, o caminho e o destino dos recursos negociados entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse. O pedido mira suspeitas de lavagem de dinheiro, ocultação de beneficiários, caixa dois, contabilidade paralela e possível uso político-eleitoral dos valores.

2) Investigação sobre emendas, ONGs e uso indireto de dinheiro público

Os deputados Pedro Uczai (PT-SC) e Dimas Gadelha (PT-RJ) levaram à Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara, com auxílio do TCU, a suspeita de que dinheiro público possa ter servido de lastro indireto para a operação. A apuração busca verificar se emendas parlamentares, entidades, ONGs, recursos privados do Banco Master e empresas ligadas ao filme compuseram uma engrenagem de financiamento político, triangulação de valores e ocultação de beneficiários.

3) Representação eleitoral no TSE

A bancada do PT acionou a Justiça Eleitoral para que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) investigue se o filme Dark Horse pode funcionar como propaganda eleitoral dissimulada em favor de Jair Bolsonaro. A representação pede apuração sobre possível abuso de poder econômico, financiamento eleitoral irregular e caixa dois, considerando a proximidade do projeto com o calendário eleitoral.

4) Ofício ao Coaf para rastrear operações suspeitas

Em outra frente, Pedro Uczai acionou o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) para rastrear movimentações financeiras envolvendo Daniel Vorcaro, Banco Master, empresas ligadas ao filme, Flávio Bolsonaro, Eduardo Bolsonaro e eventuais intermediários no Brasil e no exterior. O objetivo é identificar beneficiários finais, remessas internacionais, operações fracionadas e pagamentos não contabilizados.

5) CPMI do Banco Master

O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) atuou pela criação da CPMI do Banco Master, enquanto o senador Rogério Carvalho (PT-SE) apresentou, no Senado, pedido de CPI para investigar o escândalo financeiro. A apuração mira o ecossistema do banco, incluindo autorizações regulatórias, suspeitas de fraudes, uso de recursos de fundos públicos e previdenciários, relações políticas, doações, jatos e repasses. Além disso, a bancada também já tinha assinado outros requerimentos a favor da instalação de uma CPI do Master.

6) CPMI específica sobre o filme Dark Horse

O deputado Rogério Correia (PT-MG) apresenta a linha de investigação específica sobre o financiamento da cinebiografia de Jair Bolsonaro. O pedido busca esclarecer a origem dos recursos, a negativa inicial da produtora, o papel de Flávio Bolsonaro, eventual participação de empresas ligadas a Eduardo Bolsonaro e a suspeita de que o filme tenha servido como fachada para financiamento político, lavagem de dinheiro, caixa dois e campanha internacional contra o Brasil.

7) Mandado de segurança para instalação da CPMI

A bancada do PT preparou um mandado de segurança para forçar a leitura e instalação da CPMI do Banco Master no Congresso. A medida questiona a omissão da Mesa e sustenta que eventual bloqueio da investigação pode servir para blindar envolvidos e impedir que o país conheça a extensão das relações entre o banco, parlamentares bolsonaristas e operações de financiamento político.

8) Petição de fatos novos no STF

Em petição de fatos novos ao Supremo Tribunal Federal (STF), a bancada pede a ampliação das investigações para incluir Flávio e Jair Bolsonaro no alcance dos fatos apurados. A peça sustenta que Dark Horse pode integrar uma engrenagem de financiamento político, comunicação internacional, campanha por anistia e pressão contra instituições brasileiras, com pedidos de compartilhamento de provas, rastreamento financeiro e cooperação internacional.

9) Ofício ao TCU para suspender a exibição do filme

O PT também defendeu medidas cautelares no Tribunal de Contas da União (TCU) para impedir que a exibição e a exploração comercial de Dark Horse consolidem benefícios econômicos antes do esclarecimento da origem dos valores. A estratégia é tratar o caso como questão de rastreabilidade financeira, proteção do patrimônio público, moralidade administrativa e prevenção de dano institucional.

10) Representação ao Conselho de Ética do Senado

Parlamentares do PT e aliados cobram que o Conselho de Ética do Senado investigue Flávio Bolsonaro por possível quebra de decoro parlamentar. A representação sustenta que a atuação do senador junto a Daniel Vorcaro pode ter ultrapassado uma relação privada e revelado intermediação financeira incompatível com o mandato, diante da cobrança de valores milionários, da proximidade entre os envolvidos e da suspeita de favorecimento político.

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