As ausências acumuladas neste ano pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e a escassez de projetos de sua autoria aprovados pelo Congresso Nacional desde que assumiu uma cadeira no Senado, em fevereiro de 2019, saltam aos olhos. Conforme levantamento feito pelo SBT News, Flávio participou de menos da metade das votações nominais em 2026.
Dados oficiais apontam que, de janeiro a julho, o senador não compareceu a 15 das 54 deliberações. Além disso, não registrou voto em outras 11 sessões nas quais o sistema apontava sua presença e ainda faltou a outras duas votações com justificativa de participação em atividade parlamentar ou tema de interesse particular.
Algumas das ausências do senador coincidem com recentes episódios que lhe trouxeram ao centro do noticiário, como a viagem a Washington para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, além da carta escrita por seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, e da revelação do envolvimento de Flávio no escândalo do Banco Master.
De acordo com o SBT News, em 20 de maio, o senador deixou de participar de nove votações. O Senado aprovou na ocasião sete indicações diplomáticas e duas indicações para a Comissão de Valores Mobiliários, incluindo o novo presidente da autarquia. Flávio estava em São Paulo para uma agenda reservada com empresários e integrantes do mercado financeiro, em meio ao desgaste provocado pela revelação de seus vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. No mesmo dia, Flávio se reuniu com o publicitário Marcello Lopes, que comunicou a saída da pré-campanha.
Já em 27 de maio, o senador se ausentou das atividades parlamentares por conta da ida aos EUA, onde se reuniu com o vice-presidente J. D. Vance e com o secretário de Estado, Marco Rubio. No dia anterior, encontrou-se com Trump no Salão Oval da Casa Branca e chegou a tirar uma foto ao lado do republicano.
Naquele dia, o Senado Federal aprovou projeto que ampliava o alcance de isenções tributárias para entidades do Terceiro Setor. O senador do PL regressou ao Brasil negando que tivesse pedido a Trump a aplicação do tarifaço, confirmado na semana passada pelo Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR, sigla em inglês), sobre parte das exportações nacionais.
Outras ausências de Flávio ocorreram na última semana antes do recesso, quando houve a divulgação da carta de seu pai. Nela, Jair Bolsonaro reafirma a escolha do filho mais velho como seu pré-candidato e porta-voz. O Senado votou e aprovou projetos na terça e na quarta-feira. Entre eles, o que concede aposentadoria especial a agentes comunitários de saúde. O pré-candidato não compareceu a nenhuma das cinco votações nominais nesses dois dias.
Após a divulgação da carta, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu por 90 dias as visitas de Flávio ao pai, que cumpre prisão domiciliar depois de ser condenado a mais de 27 anos de prisão por tentar solapar a democracia. Moraes entendeu que a proibição imposta a Bolsonaro de usar redes sociais, diretamente ou por terceiros, foi violada.
Em resposta à reportagem do SBT News, a assessoria de Flávio garantiu que ele “exerce seu mandato de forma ativa e comprometida, dentro e fora do Congresso Nacional”. “Ao longo de 2026, Flávio Bolsonaro registrou apenas três faltas, sendo que uma delas foi para se encontrar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, quando trabalhou pela classificação de CV [Comando Vermelho] e PCC [Primeiro Comando do Capital] como narcoterroristas. Sobre o fato de alguns itens estarem sem registro entre dezenas de votações nominais presenciais, é errado associar que o senador não estivesse em atividade parlamentar”, disse.
Quase nenhum projeto aprovado
Flávio se destaca ainda pela escassez de propostas aprovadas ao longo de todo o mandato como senador. Até hoje, conseguiu passar no Congresso apenas o Projeto de Lei (PL) 3.190/2019, sancionado com vetos, e a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 72/2023. De acordo com o site do Senado, ele apresentou, ao todo, 59 PLs e 94 PECs.
O PL 3.190/2019, de autoria de 33 senadores além de Flávio, altera a Lei nº 13.636, de 20 de março de 2018, para aprimorar e fomentar o microcrédito e as microfinanças. Já a PEC 72/2023 altera o art. 155 da Constituição Federal para conceder imunidade do Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores a veículos terrestres de passageiros com vinte anos ou mais de fabricação. Outras três dezenas de senadores assinam a PEC juntamente com o filho mais velho do ex-presidente Bolsonaro.
Mais recentemente, devido ao desgaste de sua pré-candidatura, do racha com sua madrasta, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, e da perda de votos entre mulheres, evangélicos e jovens, o senador resolveu mostrar serviço no parlamento. Flávio apresentou o PL 1.400/2026, que permite à autoridade policial conceder medidas protetivas de urgência imediatamente em casos de violência doméstica e familiar contra a mulher, sem necessidade de autorização judicial prévia. Estabelece igualmente que essas medidas devem ser revisadas pelo juiz e pelo Ministério Público em até 24 horas.

