Fernando Haddad (PT) convocou neste sábado, 25, uma grande campanha cívica para recuperar o estado e “restituir São Paulo aos paulistas”. Ao ter sua candidatura ao governo paulista oficializada durante convenção realizada em Campinas, o ex-ministro da Fazenda afirmou que chegou a hora de dizer um “sonoro não” ao governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e construir um projeto que volte a colocar a vida da população no centro das decisões.
“Nós não estamos numa situação normal. O nosso papel é liderar uma campanha cívica para recuperar e restituir São Paulo para os paulistas. Não é possível que esse estado fique abandonado dessa maneira”, declarou Haddad. A convenção também confirmou Márcio França (PSB) como candidato a vice-governador e o apoio às candidaturas de Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB) ao Senado.
Diante de militantes, dirigentes partidários e candidatos às casas legislativas, Haddad afirmou que São Paulo já foi referência nacional em políticas públicas e precisa recuperar a capacidade de liderar o desenvolvimento brasileiro. Segundo ele, a disputa eleitoral não será apenas por um cargo, mas pela reconstrução de um estado que perdeu dinamismo, abandonou serviços essenciais e deixou de ouvir prefeitos, professores, policiais e a população do interior.
São Paulo cresce menos que o Brasil de Lula
Haddad iniciou as críticas ao governo Tarcísio pela economia. Segundo os dados apresentados por ele, São Paulo cresceu apenas 0,4% nos últimos 12 meses, enquanto a média nacional chegou a 2% e o Rio de Janeiro alcançou 5%.
“Como é que um estado pode estar feliz crescendo um quarto do que cresce o país? Não é possível manter esse estado altivo, com esperança de um futuro melhor, com essa taxa de crescimento”, questionou.
O candidato comparou o quadro paulista aos resultados obtidos pelo Governo Lula após a derrota de Jair Bolsonaro em 2022. Ele lembrou que o presidente recebeu um país com inflação e desemprego elevados, economia enfraquecida, contas públicas desorganizadas e sete anos sem aumento real do salário mínimo.
Haddad destacou que, em quatro anos, o Governo Lula recuperou direitos sociais, reforçou os orçamentos da saúde e da educação e conduziu o país à menor taxa de desemprego da série histórica. Para ele, São Paulo precisa passar pelo mesmo processo de reconstrução vivido pelo Brasil.
“A economia estava em frangalhos, as contas públicas em frangalhos. […] Recuperamos as taxas que o Brasil experimentava na primeira década, nos oito anos em que o presidente governou o país”, afirmou. Segundo Haddad, mais de R$ 100 bilhões foram acrescentados ao orçamento da saúde, além do reforço destinado à educação. Para ele, chegou a hora de realizar em São Paulo um trabalho de reconstrução semelhante ao conduzido por Lula no país.
Educação perde espaço e violência avança
Na educação, Haddad disse que o magistério paulista nunca foi tão desrespeitado quanto no atual governo. Segundo ele, São Paulo está abaixo da média nacional na alfabetização de crianças na idade certa e na oferta de ensino médio integral, além de perder posições nos indicadores de qualidade da educação básica.
O candidato ressaltou que estados do Nordeste, mesmo dispondo de menos da metade do recurso por aluno, já apresentam resultados superiores aos de São Paulo. O contraste, afirmou, mostra que o problema paulista não é falta de dinheiro, mas ausência de prioridade e de gestão comprometida com a escola pública.
Na segurança, Haddad apontou que 20% dos roubos de celulares registrados no Brasil acontecem na cidade de São Paulo. Ele também criticou denúncias de infiltração do crime organizado em estruturas policiais e acusou Tarcísio de cobrar providências do governo federal enquanto deixa de agir dentro do próprio estado.
“Você lê nos jornais que o comando da Polícia Militar, depois da nomeação do comandante-geral da PM pelo Tarcísio, está contaminado pelo crime organizado, está mancomunado com o crime organizado. E ele vem cobrar do presidente Lula providências que ele mesmo não toma no estado de São Paulo”, disse.
O petista lembrou ainda que, enquanto os casos de feminicídio caíram 2,5% no conjunto do país, houve aumento de 10% em São Paulo.
“Esses caras querem voltar para a Idade da Pedra, querendo discutir se mulher tem direito a votar ou não. Eles estão resgatando uma disputa de 200 anos atrás para saber o papel da mulher na sociedade. Não existe essa discussão. O papel da mulher e o papel do homem são o mesmo: dignificar o ser humano, cuidar das crianças, cuidar dos idosos, fazer o Brasil progredir, desenvolver o país e produzir conhecimento”, destacou.
Privatizações entregam água suja
As privatizações promovidas por Tarcísio também foram alvo do discurso. Haddad afirmou que a Sabesp, o Metrô e a CPTM foram entregues “a toque de caixa” a empresas sem experiência suficiente para administrar serviços essenciais.
“É uma vergonha atrás da outra. A água está faltando na torneira. Quando chega, chega suja, e a conta de água sobe todo ano, ao contrário do que ele próprio prometeu, de que com a privatização a conta iria cair”, afirmou.
Haddad também acusou o governo estadual de ignorar a crise hídrica e de reduzir recursos destinados ao combate às enchentes. Ele citou as recentes inundações em Ribeirão Preto e a falta de medidas para garantir segurança hídrica tanto nos períodos de seca quanto diante das chuvas intensas.
O candidato também criticou o aumento da população em situação de rua. Segundo ele, apesar de o governador afirmar que resolveu o problema da Cracolândia, o número de pessoas vivendo nas ruas cresceu 82%, conforme levantamento da Fundação Seade.
Uma chapa para devolver São Paulo aos paulistas
Haddad destacou a composição da chapa formada com Márcio França e pelas candidaturas de Marina Silva e Simone Tebet ao Senado. O petista também agradeceu o apoio do presidente Lula e do vice-presidente Geraldo Alckmin.
“Pensem numa chapa bonita. Esta chapa não é brincadeira. Simone, Marina e Márcio França são companheiros que dignificam qualquer político”, afirmou.
A ex-ministra Marina Silva (Rede) afirmou que a aliança formada no estado dá sustentação a um projeto político que é “bom para o povo brasileiro”, em defesa da democracia e da soberania. Essa aliança, disse ela, que é referência internacional na defesa do meio ambiente, “é inquebrantável na defesa de princípios e valores de direitos humanos e da igualdade”. Marina elogiou o presidente Lula, que juntou o povo “para salvar a democracia”, e a colega de chapa Simone Tebet, pela coragem de enfrentar o desafio da disputa.
Também candidata ao Senado, Simone Tebet (PSB) destacou o papel da militância e das mulheres na mobilização pela chapa liderada por Lula e Fernando Haddad. “A maior excelência nesta festa hoje são os militantes e as militantes”, afirmou, antes de ressaltar a força do eleitorado feminino. Ao criticar Flávio Bolsonaro, afirmou que Lula, Geraldo Alckmin e o Brasil enfrentam agora “do lado de lá não mais um golpista de plantão, porque tal pai, tal filho, já começou questionando a segurança das urnas”. Segundo ela, o adversário “sente o cheiro da derrota em outubro” e tenta, desde já, colocar em dúvida o resultado eleitoral.
Candidato a vice-governador na chapa, Márcio França (PSB) afirmou que a aliança representa a oportunidade de recolocar São Paulo em sintonia com o desenvolvimento do Brasil. Ele contrapôs o preparo de Haddad à postura de Tarcísio de Freitas, a quem acusou de ingratidão, falta de diálogo com prefeitos e submissão à família Bolsonaro. “Ele é alguém menor do que a cadeira do governo de São Paulo […] Haddad tem tamanho para ser governador de São Paulo. Nós não somos vagão, nós somos a locomotiva”, declarou.

