O ex-ministro e ex-presidente do PT José Dirceu afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega à disputa de 2026 com uma base concreta para conquistar um novo mandato e que, diante do cenário atual, a reeleição é o desfecho mais provável. Para Dirceu, que também é membro do diretório nacional e um dos fundadores do partido, os índices de aprovação do governo, a força da coalizão liderada por Lula e o legado acumulado desde o início do mandato colocam o campo democrático e popular em posição favorável para derrotar novamente a extrema direita.
“Em primeiro lugar, 45% de aprovação estando no governo é uma base real para disputar e reeleger o Lula”, afirmou, em entrevista ao Opera Mundi.
Segundo Dirceu, a disputa eleitoral ainda está em aberto, mas as condições objetivas favorecem o presidente. “A disputa política eleitoral não está dado que ele vai perder; é mais provável que ele vença”, disse. O dirigente ressaltou que Lula reúne uma coalizão ampla e robusta, algo raro na história recente do país, além de contar com a força institucional de quem governa e entrega resultados concretos à população.
“Hoje a minha convicção é que nós vamos reeleger o Lula”, completou.
Embora veja Lula em posição favorável, Dirceu advertiu que a campanha não pode repetir a estratégia de 2022. “Agora precisa mudar para vencer. Nós não podemos repetir as eleições passadas”.
Ele alertou que o campo progressista não pode subestimar o adversário nem adotar uma postura triunfalista. “É preciso que nós levemos em consideração e tomemos como grave a situação atual. Nós não podemos fazer uma análise ufanista ou uma análise quase que irresponsável sobre o quadro atual”.
Segundo ele, o Brasil e o mundo atravessam uma nova conjuntura, marcada por mudanças econômicas, tecnológicas e culturais, exigindo atualização do discurso e das formas de mobilização.
Na avaliação de Dirceu, o desempenho do governo já constitui um patrimônio político relevante. A retomada do crescimento, a recuperação de programas sociais, a valorização do salário mínimo, a redução do desemprego e a reconstrução do Estado brasileiro formam, de acordo com ele, uma base consistente para convencer a população a renovar o mandato de Lula.
Insatisfação popular tem causas reais
Na entrevista, Dirceu ressaltou que o governo deve enfrentar com humildade os sinais de descontentamento social. “Primeiro eu tenho que reconhecer que a insatisfação popular tem base. Nós não podemos brigar com a realidade”.
Segundo ele, a insatisfação reflete dificuldades concretas da vida cotidiana, como renda insuficiente, precarização do trabalho e falta de perspectivas para parte da população, especialmente entre os mais jovens. Por isso, a resposta política precisa combinar resultados imediatos com um projeto convincente de futuro.
Para Dirceu, a campanha de 2026 deve mostrar de forma clara o contraste entre os governos de Lula e do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“A campanha tem que ter um projeto de desenvolvimento nacional, tem que ter propostas, metas e ao mesmo tempo nós temos que prestar contas do que nós fizemos e comparar com o governo Bolsonaro”.
O petista defendeu que o debate eleitoral destaque tanto os resultados alcançados pelo governo quanto os retrocessos do período bolsonarista, evidenciando qual projeto serve ao povo brasileiro.

