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Mansão no Texas, contrato escondido e perguntas sem resposta no caso BolsoMaster

A novela Bolsomaster ganhou novos capítulos e deixa ainda mais perguntas sem respostas para o clã Bolsonaro. Depois das revelações de que Flávio Bolsonaro negociou diretamente com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, milhões de dólares para bancar o filme sobre Jair Bolsonaro, veio à tona que o irmão Eduardo Bolsonaro vive em uma mansão de luxo no Texas, avaliada em cerca de R$ 6 milhões. O imóvel, segundo o Intercept Brasil, já foi anunciado para aluguel por quase R$ 30 mil mensais.

A informação reforça uma das principais suspeitas que cercam o caso: qual foi o destino real do dinheiro que saiu das tratativas envolvendo Vorcaro, Flávio, Eduardo e o filme Dark Horse, cinebiografia internacional sobre Jair Bolsonaro? Reportagens já mostraram que o projeto tinha orçamento estimado entre R$ 128 milhões e R$ 145 milhões, valor próximo aos R$ 134 milhões negociados por Flávio com o banqueiro Daniel Vorcaro.

O novo capítulo sobre Eduardo torna a história ainda mais nebulosa. Segundo o Intercept, o deputado federal cassado vive desde fevereiro de 2025 nos Estados Unidos e mora em uma residência de alto padrão em Southlake, no Texas. O próprio Eduardo Bolsonaro havia dito, em vídeo publicado nas redes sociais, que vivia de aluguel e alegou dificuldades para pagar parcelas de um imóvel financiado no Brasil. A reportagem, no entanto, aponta que ele não explicou outras fontes de renda nem detalhou como se sustenta no exterior.

Eduardo Bolsonaro, o filme e dinheiro nos EUA

As dúvidas aumentam porque Eduardo Bolsonaro também aparece em outro ponto central da trama: o controle financeiro do filme sobre o pai. Reportagem do Intercept revelou que ele atuou como produtor-executivo do longa Dark Horse – o filme para o qual Vorcaro deu pelo menos R$ 61 milhões -, com responsabilidades sobre a gestão financeira do projeto, segundo contrato e diálogos obtidos pelo site. Os registros divulgados pela reportagem também indicam que Eduardo Bolsonaro orientou tratativas sobre a remessa de recursos aos Estados Unidos.

Em uma das mensagens reveladas, Eduardo afirma que o ideal seria que os recursos já estivessem nos EUA, pois transferências a partir de uma empresa brasileira poderiam ser “problemáticas” e levar meses. A apuração aponta ainda que pelo menos parte do dinheiro foi enviada para um fundo sediado no Texas e controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro.

Eduardo Bolsonaro se deixou fotografar com boné de Donald Trump/Reprodução TV GloboFoto: Reprodução/O Globo

Flávio Bolsonaro não mostra o contrato

O roteiro é conhecido: quando o assunto é dinheiro, os Bolsonaro dizem que nada sabem, negam envolvimento, mudam a versão e prometem explicações que nunca chegam. No caso do filme, Flávio primeiro negou a relação com Vorcaro. Depois, diante dos áudios e mensagens revelados, admitiu que havia tratado com o banqueiro, mas tentou justificar o silêncio com uma suposta cláusula de confidencialidade.

A explicação de Flávio continua sem sustentação pública. Em entrevistas, o senador chegou a afirmar que está “100% disposto” a tornar públicos os contratos de investimento do filme Dark Horse. Até agora, porém, ele não apresentou o tal contrato ou a cláusula de confidencialidade usada para justificar por que negou conhecer Vorcaro.

O que os Bolsonaro ainda precisam responder

A cada nova reportagem, a família Bolsonaro tenta empurrar a crise para frente, mas as perguntas só aumentam. Entre os pontos que seguem sem resposta estão:

1) Onde está o contrato de confidencialidade?
Flávio Bolsonaro disse que não podia falar sobre o banqueiro Daniel Vorcaro por causa de uma cláusula contratual que exigia confidencialidade. Depois, afirmou estar disposto a abrir os contratos. Por que ainda não apresentou o documento?

2) Por que Flávio Bolsonaro negou conhecer Daniel Vorcaro?
Se a relação era os dois apenas uma negociação privada e regular para o filme, por que o senador negou qualquer vínculo antes da divulgação dos áudios?

3) Qual foi o destino exato do dinheiro?
Reportagens apontam pagamentos milionários ligados ao projeto Dark Horse. A Polícia Federal está investigando suspeitas de lavagem de dinheiro. Quanto foi efetivamente transferido, para quem, por quais empresas e com qual finalidade?

4) Eduardo Bolsonaro recebeu ou se beneficiou de recursos ligados ao filme?
Flávio Bolsonaro nega que o dinheiro tenha bancado o irmão nos Estados Unidos, mas Eduardo Bolsonaro aparece como peça importante nas tratativas financeiras do projeto, segundo documentos revelados.

5) Como Eduardo Bolsonaro paga uma vida de alto padrão nos EUA?
O ex-deputado cassado vive em uma casa avaliada em cerca de R$ 6 milhões e anunciada por aluguel de quase R$ 30 mil mensais. Quais são suas fontes de renda?

6) Por que havia preocupação com remessas de dinheiro para os EUA?
Mensagens atribuídas a Eduardo Bolsonaro indicam preocupação com a forma de envio dos recursos aos EUA. Quem operacionalizou essas remessas? Elas foram comunicadas às autoridades competentes?

7) Quem controlava o fundo sediado no Texas?
Parte dos recursos teria sido enviada a um fundo no Texas controlado por aliados de Eduardo Bolsonaro. Quem são os responsáveis, quais contratos foram assinados e como esse dinheiro foi usado?

8) O filme era um projeto cultural ou peça para caixa da pré-campanha?
A cinebiografia de Jair Bolsonaro foi negociada em meio ao calendário eleitoral e envolvia seu filho pré-candidato à Presidência. Qual era o objetivo real da produção?

9) Que contrapartidas Daniel Vorcaro esperava?
Flávio Bolsonaro diz que não ofereceu vantagem indevida. Mas por que um banqueiro investigado por fraude bilionária colocaria milhões de dólares em um filme sobre Jair Bolsonaro?

10) Por que a família Bolsonaro só tenta se explicar depois dos vazamentos?
As versões mudam a cada nova reportagem. Primeiro negam. Depois admitem parcialmente. Em seguida, prometem documentos que não aparecem.

O caso Bolsomaster expõe o método de sempre: discurso moralista em público, bastidores obscuros quando o assunto é dinheiro. Entre a mansão no Texas, o filme milionário, o banqueiro investigado e o contrato que Flávio promete mas não mostra, a principal pergunta que fica é: o que mais os Bolsonaro estão escondendo?

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