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Ministros do STF reforçam gravidade de plano golpista liderado por Jair Bolsonaro

Julgamento da denúncia apresentada pela PGR ocorre no plenário da Primeira Turma

Em julgamento na Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), ministros da Corte ressaltaram o caráter golpista da articulação liderada por Jair Bolsonaro e que foi colocada em prática no final de 2022. Os magistrados rejeitaram, por unanimidade, questionamentos preliminares interpostos pela defesa do ex-presidente e dos demais acusados sobre a competência dos ministros para julgar o processo. Em uma tentativa desesperada de suspender o julgamento e arquivar o caso, os advogados que representam os denunciados alegaram nulidades, com acusações de que os advogados não teriam acesso ao processo.

O relator do caso, Alexandre de Moraes e os demais magistrados destacaram que já foi evidenciada a competência do Supremo e da Primeira Turma para julgar o caso e que as defesas tiveram amplo acesso aos documentos. Moraes mostrou na tela do computador o registro de diversos acessos feitos pelos advogados dos acusados no sistema do STF, provando que tiveram sim acesso a todas as acusações, depoimentos e documentos, além da investigação conduzida pela Polícia Federal. Os ministros também rejeitaram alegações de que a delação de Mauro Cid, delator do golpe, não seria legítima. Os integrantes do Tribunal reforçaram que Cid reforçou suas afirmações em diferentes depoimentos e apresentou provas do que dizia, como mensagens trocadas por militares e políticos que atuaram na tentativa de golpe, além de documentos.

Moraes reforçou o teor golpista e grave das articulações que tinham como objetivo impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do vice-presidente Geraldo Alckmin. “A natureza estável e permanente da organização criminosa é evidente em sua ação progressiva e coordenada, que se iniciou em julho de 2021 e se estendeu até janeiro de 2023. As práticas da organização caracterizaram-se por uma série de atos dolosos ordenados à abolição do Estado Democrático de Direito e à deposição do governo legitimamente eleito”, destacou o magistrado.

Moraes desmontou as narrativas falsas que alegam que o 8 de janeiro, quando extremistas invadiram as sedes dos Três Poderes, foi um passeio de “velhinhas de bangala”. “Essa narrativa se criou e se repete através de notícias fraudulentas pelas redes socais, fake news, de que são mulheres, só mulheres e idosas”, disse.

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Ele destacou que a maioria dos condenados tem até 59 anos de idade e são homens. “Das 497 condenações, apenas 43 são de pessoas com mais de 60 anos. Acima de 70 anos, são apenas sete. A grande maioria das condenações são de pessoas de até 59 anos. Essa narrativa de que se repete de que são mulheres e idosas é totalmente mentirosa. Mulheres são 32% condenadas, homens 68% e somente sete condenados com mais de 70 anos”, completou Moraes.

Núcleo criminoso

A Procuradoria-Geral da República afirma que os denunciados integram a cúpula de uma organização criminosa criada para dar um golpe de Estado no país. Além de Bolsonaro, foram denunciados neste grupo, chamado de “Núcleo 1”, Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Almir Garnier Santos; ex-comandante da Marinha do Brasil, Anderson Torres; ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal, general Augusto Heleno; ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência, Mauro Cid; ex-chefe da Ajudância de Ordens da Presidência, Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; e Walter Souza Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil. 

A Primeira Turma é formada pelos ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. No primeiro dia de sessão, além da PGR, falaram as defesas e encerrou a análise das preliminares. Nesta quarta-feira (26), os magistrados decidirão se a denúncia será aceita ou não. Se for aceita, os acusados viram réus e passam a responder ação penal. A tendência é de que a Turma aceite a denúncia. A TvPT vai transmitir ao vivo o segundo dia de julgamento. 

Da Redação

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