Pré-candidato ao governo de São Paulo, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad afirmou que a recusa do Senado ao nome de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF) é prejudicial ao país no enfrentamento à corrupção. Haddad destacou que Messias teve participação essencial no combate a esquemas de corrupção durante o Governo Lula, colocando a Advocacia-Geral da União à disposição para colaborar com o Ministério da Fazenda e a Polícia Federal. Para Haddad, o Senado colaborou com o enfraquecimento das estruturas de enfrentamento ao crime.
“O combate à corrupção e ao crime organizado perdeu um aliado no Supremo. Nós teríamos um reforço de alguém com o olhar de Estado, ele é um advogado público. Na minha opinião, enfraquecemos as instituições.”
O ex-ministro deu as declarações em entrevista ao portal Metrópoles. Ele discorda que a rejeição ao nome de Messias tenha sido uma vitória da oposição e diz que “o presidente Lula sempre sai fortalecido desses embates”, citando a taxação dos super ricos no ano passado como exemplo. O Congresso havia rejeitado a proposta e depois “o governo reagiu e saiu por cima”, relembrou Haddad.
Sobre a relação do Governo Lula com o Legislativo, Fernando Haddad lembrou que, como ministro da Fazenda, aprovou de mais de 70 matérias com apoio de quase todos os partidos, inclusive da oposição. “Isso garantiu que a gente colhesse os frutos na economia, ressaltou o ministro, destacando a reforma tributária e a taxação das bets.
Retrocesso em São Paulo
“Desde o [Luiz Antônio] Fleury a gente não tem um governo tão ruim em São Paulo”, disparou Haddad, comparando a gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, à gestão que governou o estado entre 1991 e 1994.
“Esse governo não tem nada a ver com São Paulo, não entregou nada e, ao contrário, retrocedeu”, declarou, acrescentando que Tarcísio “nunca esteve com a cabeça no estado”.
O pré-candidato afirmou que São Paulo cresceu apenas 0,5% no ano passado, enquanto o Brasil alcançou 2,3% no mesmo período. Além disso, apontou a falta de transparência na resolução de escândalos e denúncias de má gestão. Para mudar esse cenário, Haddad afirmou que pretende avaliar cada contrato e desmontar os esquemas de corrupção.
“Eu passei a limpo a cidade de São Paulo e vou passar a limpo o estado, porque tem muita coisa que não tem explicação”, declarou.
Haddad também falou sobre a relação entre o Tarcísio de Freitas e a família Bolsonaro, lembrando que o atual governador de São Paulo apoiou o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump ao Brasil.
“Espero que uma centro-direita civilizada volte a crescer no Brasil. O Tarcísio é extrema direita, é apoiador da família Bolsonaro.Flávio Bolsonaro quer implantar uma cleptocracia no Brasil”, um governo de bandido, acrescentou Haddad.
Amplo diálogo
A política de alianças também foi tema da entrevista. Haddad defendeu o diálogo com setores de centro e centro-direita, citando conversas com lideranças como Gilberto Kassab e a importância de trabalhar contra o bolsonarismo.
Haddad afirmou ainda que prefere uma mulher como vice governadora em sua eventual chapa e mencionou nomes como Simone Tebet, Marina Silva e Márcio França. “Hoje toda pessoa civilizada é chamada de esquerda”, disse, ao defender maior equilíbrio no debate político.
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