O líder do Governo Lula na Câmara dos Deputados, Paulo Pimenta (PT-RS), afirmou que a família Bolsonaro atua nos Estados Unidos contra os interesses do Brasil e relacionou a recente visita do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington à nova escalada de pressões comerciais do presidente americano Donald Trump. A proposta de impor tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, já apelidada de “Tariflávio” pelos parlamentares, e mirar o Pix expõe uma tentativa de interferência externa na economia e na política do país.
“Na política, a gente tem que escolher de que lado está. Eu estou do lado do Brasil, o Lula está do lado do Brasil. Independentemente de qualquer coisa, nós nunca estamos contra o Brasil”, afirmou Pimenta.
Em seguida, ele contrastou essa postura com a atuação de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. “É diferente do Flávio Bolsonaro, do Eduardo Bolsonaro, do time do Bolsonaro. Eles já tinham aprontado para nós no ano passado com o tarifaço, provocando desemprego. A indústria gaúcha que exporta foi muito penalizada”, declarou Pimenta.
A reação petista ocorre depois de o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, propor a aplicação de tarifa de 25% sobre parte dos produtos brasileiros, no âmbito de uma investigação comercial da Seção 301. A investigação mira o Pix, ao acusar o Brasil de práticas comerciais injustas.
Para Pimenta, a nova ofensiva norte-americana não pode ser separada da movimentação bolsonarista nos Estados Unidos. “Na semana passada, Flávio Bolsonaro foi lá pedir, mais uma vez, para o Trump e para os americanos prejudicarem o Brasil. Essa interferência externa que a gente já estava anunciando que poderia acontecer está aí. Os Estados Unidos estão pedindo 25% de tarifaço. Isso é retaliação política, armada pelos traidores da pátria contra o Brasil”, disse.
O deputado afirmou que a pressão tem potencial para atingir diretamente trabalhadores, empresas e o debate político interno. “Isso é para causar desemprego, para prejudicar a economia nacional e tentar interferir no processo eleitoral usando a influência dos americanos”, afirmou.
Pix no centro da ofensiva
Além das tarifas sobre produtos brasileiros, parlamentares do PT apontam o Pix como um dos principais alvos da pressão do governo Trump. A própria página do USTR sobre a investigação contra o Brasil inclui, entre os temas analisados, comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, além de tarifas, propriedade intelectual, etanol e desmatamento.
“O que eles mais querem acabar é com o Pix. As bandeiras dos cartões de crédito dos americanos, que perderam mercado para o Pix, não aceitam o modelo brasileiro. E uma das exigências do Trump e dos americanos, para não retaliar o Brasil, é acabar com o Pix”, declarou Pimenta.
O líder da bancada do PT na Câmara, deputado Pedro Uczai (SC), também classificou a situação como resultado de uma articulação política contra o próprio país. “Enquanto o Brasil tenta proteger seus empregos e sua economia, uma parcela da oposição viaja aos Estados Unidos para fazer lobby contra o próprio país. O resultado é concreto: os EUA ameaçam impor tarifas de 25% sobre produtos brasileiros”, afirmou.
Segundo Uczai, a escalada das pressões coincidiu com a visita de Flávio Bolsonaro e aliados a Washington. “Patriotismo não se declara: se demonstra. E quem viaja para pedir punições ao próprio país está do lado errado da história”, criticou.
“O Pix é brasileiro”
O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) afirmou que a tentativa de atingir o Pix é uma afronta à soberania nacional. “Nos respeite. O Pix é brasileiro, é uma conquista do Brasil. O Brasil é dos brasileiros. Nós vamos continuar com o Pix. Essa é uma decisão do governo do presidente Lula. Agora vocês vejam, gente, o papel desse Flávio Bolsonaro e do Eduardo Bolsonaro. Eles voltam a conspirar contra o Brasil, contra o nosso país, contra o nosso povo. Nós não vamos abandonar o Pix. Essa é uma decisão que o Lula já tomou. O Pix é do Brasil”.
Para Lindbergh, a ofensiva aponta uma associação entre a extrema direita brasileira e interesses econômicos estrangeiros. “Semana passada, Flávio Bolsonaro esteve com Trump e Marco Rúbio. Eduardo Bolsonaro disse: ‘Tem mais por vir’. E veio, tarifas contra o povo brasileiro”, afirmou.
O deputado disse que os bolsonaristas protegerem interesses de empresas norte-americanas de cartão de crédito. “Eles agem como vira-latas do Trump prejudicando os interesses dos brasileiros para proteger os interesses das bandeiras de cartão de crédito norte-americana. No fundo, eles querem se vingar contra o Brasil”, disse.
Na avaliação de Lindbergh, a postura da família Bolsonaro aprofunda o isolamento da oposição e reforça a necessidade de defesa do país. “É que esses filhos do Bolsonaro conseguem ser pior do que ele e são, na verdade, vendilhões da pátria. Foram pedir para que um país estrangeiro [intervisse] nas decisões brasileiras. É isso que vocês têm que dizer, alto e bom som. São traidores”.

