Lideranças do Partido dos Trabalhadores reagiram à decisão do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, de classificar as organizações criminosas Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como terroristas. Os parlamentares expuseram as reais intenções que podem estar por trás da medida determinada pela Casa Branca, alertaram para os riscos à soberania do Brasil e condenaram, mais uma vez, a subserviência da família Bolsonaro a Trump.
O líder do Governo Lula na Câmara, deputado federal Paulo Pimenta (RS), considerou grave a situação. Em vídeo publicado na rede social X, Pimenta repudiou a decisão de Washington, classificando-a de “atentado à soberania”. Ele alertou para a possibilidade de intervenção dos EUA em assuntos internos do Brasil, com base em leis internacionais.
“Há uma distinção no Direito Internacional a respeito do que é uma organização criminosa e o que é uma organização terrorista. E o que diferencia uma da outra, basicamente, é o objetivo pelo qual os crimes são cometidos. Uma organização criminosa, que é o que nós temos no Brasil, ela se estrutura para obter lucro, poder, dinheiro, patrimônio. Uma organização terrorista, ela comete crimes para viabilizar e financiar uma causa, um objetivo político”, argumentou o deputado, ao considerar que a segunda não existe no Brasil.
Pimenta lembrou que essa estratégia é utilizada pelos EUA para retaliar países, intervir em eleições alheias ou até derrubar governos, como, por exemplo, no caso da captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro, ocorrida em janeiro. “Esse atentado contra a soberania tem por objetivo, na verdade, justificar eventuais ações contra a nossa economia, como eles fizeram no México. Abre a porta para que os Estados Unidos tentem interferir na nossa autonomia, na nossa soberania, com consequências, inclusive, no processo eleitoral em curso”, denunciou.
O líder do Governo também apontou para as condutas da família Bolsonaro, sempre agindo em causa própria, nunca pelo Brasil.
“Assim como eles atuaram no episódio do tarifaço, que foi muito prejudicial para as empresas brasileiras, para os empresários brasileiros, causando desemprego e prejuízo para a nossa economia, agora atuam como traidores da pátria que são para que haja uma interferência externa ilegal e criminosa contra a nossa soberania”, condenou Pimenta.
Crime organizado se enfrenta com investigação, inteligência, cooperação internacional, asfixia financeira e presença forte do Estado. Não com bravata, oportunismo eleitoral ou submissão a interesses estrangeiros.
O governo do presidente Lula tem uma posição clara: combater PCC,… pic.twitter.com/H4qgj2TIrO
— Paulo Pimenta (@Pimenta13Br) May 29, 2026
Extrema direita mundial
Na mesma rede social, o líder do PT na Câmara, deputado federal Pedro Uczai (SC), defendeu o esforço do Governo Lula para combater as facções criminosas no Brasil. De acordo com ele, a decisão de Washington de classificar o CV e o PCC como terroristas é uma “resposta ideológica da extrema direita mundial à proposta séria de cooperação internacional apresentada pelo Brasil aos EUA em visita recente”.
“O PCC, o Comando Vermelho e todas as organizações criminosas devem ser combatidos com firmeza. Foi exatamente por isso que o Governo Lula apresentou o PL Antifacção, aprovado pelo Congresso Nacional, fortalecendo investigação patrimonial, asfixia financeira das facções, combate à lavagem de dinheiro, cooperação federativa, inteligência e controle de fronteiras, e a PEC da Segurança, que pretende inserir o Governo Federal na coordenação da segurança pública”, escreveu Uczai.
Em seguida, o deputado adverte para possíveis prejuízos à economia brasileira decorrentes da decisão de Trump. “Se instituições financeiras, bancos, empresas ou intermediários forem acusados de lavar dinheiro, movimentar valores ou facilitar pagamentos ligados a facções, o sistema financeiro brasileiro pode ser contaminado por fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários, travamento de operações internacionais e restrição de crédito”, argumenta o petista.
Sobre o clã Bolsonaro, Uczai conclui: “A mesma família que acumula relações com o crime organizado no Brasil tenta posar de defensora da segurança enquanto conspira contra o povo brasileiro. O Brasil precisa combater o crime organizado com Estado forte, soberania e lei brasileira. O Brasil não é colônia. O Brasil é dos brasileiros!”.
OS BOLSONARISTAS QUEREM ENTREGAR O BRASIL AO TRUMP
A Bancada do PT na Câmara denuncia a articulação da extrema-direita sob a condução de Flávio e Eduardo Bolsonaro para estimular os Estados Unidos a classificarem facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. A…
— Pedro Uczai (@uczai) May 28, 2026
O Governo Lula contra o crime organizado
Em entrevista à Rádio Caraíba, nesta sexta-feira, 29, o senador Jaques Wagner, líder do Governo Lula no Senado, enumerou as medidas adotadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazer frente às facções criminosas. “Temos em trâmite a PEC da Segurança Pública e o presidente quer criar o Ministério da Segurança Pública, além do investimento em operações como a Carbono Oculto”, disse.
Wagner lembrou que “o mundo inteiro está brigando contra o crime organizado” e que a questão não se resolve “com varinha de condão”. “Àqueles que nos criticam, eu peço que apresentem a solução. Só apontar é fácil. Para se apresentar diante do povo, tem que ter o serviço prestado para mostrar e isso nós temos.”
Temos em trâmite a PEC da Segurança Pública e o presidente @LulaOficial quer criar o Ministério da Segurança Pública, além do investimento em operações como a Carbono Oculto. Na Bahia, temos evoluído e seguido o que orientam os melhores especialistas na área, que é trabalhar com…
— Jaques Wagner (@jaqueswagner) May 29, 2026
Visão reducionista
Em nota oficial, o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) também se manifestou sobre a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de classificar o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. A entidade afirmou receber a medida com preocupação e, embora reconheça a legitimidade jurídica da decisão norte-americana, avaliou que ela não resolve o problema do crime organizado e pode trazer impactos à soberania, à economia e aos mecanismos de cooperação internacional do Brasil. O FBSP também defendeu o fortalecimento da cooperação entre Brasil e EUA na área de segurança pública, mas criticou o que chamou de “visões reducionistas” sobre o enfrentamento ao crime organizado e cobrou ações mais amplas de regulação e retomada de territórios dominados por facções.
Da Rede PT de Comunicação.

