Ícone do site Partido dos Trabalhadores

Projeto impede que devedores de pensão alimentícia frequentem estádios com biometria facial

Deputada Carol Dartora propõe debate sobre responsabilização dos pais na educação dos filhos

A proteção da infância e o fortalecimento das políticas públicas para crianças e adolescentes é tema prioritário na atuação das parlamentares do Partido dos Trabalhadores no Congresso Nacional. Em sintonia com a agenda de combate às desigualdades e de defesa das famílias chefiadas por mulheres, a deputada federal Carol Dartora (PT-PR) apresentou o Projeto de Lei 2766/2026, que cria uma nova ferramenta para enfrentar a inadimplência da pensão alimentícia no Brasil.

A proposta prevê que pessoas com dívidas de pensão alimentícia reconhecidas judicialmente possam ser impedidas de acessar estádios e arenas esportivas que utilizam sistemas de biometria facial, até que regularizem sua situação.

A iniciativa dialoga com uma realidade enfrentada por milhões de mulheres brasileiras. Segundo dados nacionais, o país possui mais de 11 milhões de mães que criam seus filhos sozinhas, muitas vezes sem qualquer contribuição financeira do pai. Para a parlamentar, a pensão alimentícia não pode ser tratada como uma dívida comum.

“Não é aceitável que alguém deixe de cumprir uma obrigação essencial para a sobrevivência dos próprios filhos e continue frequentando grandes eventos de lazer sem qualquer consequência. A prioridade deve ser a proteção das crianças e adolescentes”, afirma.

Tecnologia a serviço da proteção social

Ela explica, ainda, que o projeto de lei parte da possibilidade de utilizar estrutura tecnológica já existente nos estádios brasileiros, implementada a partir da modernização prevista na Lei Geral do Esporte. Para a deputada, o desafio não é tecnológico, mas político. 

“Não podemos usar a limitação tecnológica como justificativa para a omissão do Estado”, alerta. “O que falta muitas vezes não é tecnologia, mas integração entre os sistemas, investimento público e prioridade política. A tecnologia precisa estar a serviço da proteção das crianças e adolescentes. Se conseguirmos identificar torcedores envolvidos em violência, também devemos ser capazes de responsabilizar aqueles que deixam de cumprir obrigações fundamentais com seus próprios filhos.”

Um problema que pesa sobre as mulheres

A proposta surge em um contexto de crescimento das ações judiciais relacionadas à pensão alimentícia. Dados do Conselho Nacional de Justiça apontam que o número de processos praticamente dobrou nos últimos anos, alcançando cerca de 460 mil novas ações anuais.

No Paraná, estado representado pela parlamentar, existem quase 56 mil processos ativos buscando a prisão civil de devedores de pensão alimentícia.

Para Carol Dartora, o problema ultrapassa a esfera jurídica e está diretamente ligado às desigualdades de gênero que ainda marcam a sociedade brasileira.

A pensão alimentícia não é um favor nem uma gentileza. É um direito da criança e do adolescente. Quando um pai escolhe gastar com lazer enquanto deixa de contribuir para o sustento dos filhos, estamos diante de uma violação de direitos.”

A deputada destaca que a ausência do pagamento da pensão gera impactos econômicos e emocionais que recaem principalmente sobre as mães e crianças.

“No Brasil, são majoritariamente as mulheres que assumem sozinhas a sobrecarga financeira, emocional e cotidiana da criação dos filhos. Quando a pensão não é paga, não é apenas uma mãe que fica desamparada; é uma criança que tem seu direito à alimentação, à educação, à saúde e à dignidade comprometido.”

Uma nova parternidade

Carol Dartora argumenta que o debate também tem dimensão de mudança cultural, sobre a responsabilidade dos pais na criação dos filhos.

“Precisamos fortalecer os mecanismos de cobrança e responsabilização, mas também enfrentar uma cultura que ainda naturaliza a ausência paterna. A sociedade costuma cobrar muito das mães e muito pouco dos pais. Essa régua precisa mudar.”

A iniciativa se soma a outras políticas públicas voltadas à proteção da infância e ao fortalecimento dos direitos das mulheres, agenda que ganhou centralidade nos últimos anos com a retomada de programas sociais, o fortalecimento das políticas de cuidado e a ampliação dos debates sobre igualdade de gênero e combate à pobreza.

“O cuidado com os filhos não pode ser opcional. Quem quer exercer plenamente seus direitos de cidadão também precisa cumprir seus deveres. E cuidar dos próprios filhos é talvez o mais básico deles”, conclui a deputada.

 

Sair da versão mobile