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Propaganda eleitoral explícita de Flávio Bolsonaro fere a lei e partidos acionam TSE

Além da aplicação de multas, a federação pede uma decisão liminar para que o vídeo seja retirado do ar antes do julgamento definitivo

A Federação Brasil da Esperança (FE Brasil), formada por PT, PV e PCdoB, acionou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) por ter feito “escancarada propaganda eleitoral antecipada irregular” no YouTube. A representação foi protocolada na segunda-feira, 13, e questiona uma live em que o senador explicitamente divulga o seu número de candidato à Presidência, o que é vedado pela justiça eleitoral, ao ler comentários de apoiadores e, além disso, “apresenta propostas e promessas de campanha condicionadas à sua eventual eleição, enaltece virtudes pessoais para se sobrepor aos concorrentes”.

Na live, Flávio Bolsonaro ele leu uma carta atribuída ao pai, Jair Bolsonaro, em apoio à sua candidatura. Na ação, a FE Brasil sustenta que a transmissão ultrapassou os limites permitidos durante a pré-campanha e reuniu elementos típicos de propaganda eleitoral: pedido de apoio, apresentação de propostas para um eventual governo, divulgação do número de urna e ataques direcionados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A peça elaborada pela equipe jurídica da federação afirma que a live teve como objetivo promover Flávio Bolsonaro perante o eleitorado antes do início do período autorizado pela legislação.

O processo, de número 0601250-05.2026.6.00.0000, foi distribuído ao ministro Nunes Marques. Além da aplicação de multas, a federação pede uma decisão liminar para que o vídeo seja retirado do ar antes do julgamento definitivo.

Carta apresenta Flávio como sucessor

Transmitida no sábado, 11, pelo canal de Flávio Bolsonaro no YouTube, a live foi intitulada “Carta aos brasileiros de Jair Bolsonaro — Julho 2026”. Durante a transmissão, o senador leu um documento no qual o ex-presidente pede empenho de seus apoiadores em favor da pré-candidatura do filho.

Para a FE Brasil, as declarações têm significado eleitoral evidente e buscam mobilizar o eleitorado em favor de uma candidatura específica.

A ação destaca que a transmissão não se restringiu à leitura da carta. Ao longo da live, Flávio falou sobre a disputa presidencial, apresentou promessas para um eventual governo e reagiu positivamente a mensagens de apoiadores que pediam sua eleição.

Em um desses momentos, o senador leu a mensagem “Flávio Bolsonaro presidente eleito em primeiro turno” e respondeu: “Deus te ouça, Moisés. Sabe que estamos trabalhando muito firme aqui para isso”.

Divulgação do número

Outro ponto central da representação é a divulgação do número eleitoral de Flávio Bolsonaro. Durante a live, o pré-candidato agradeceu a uma apoiadora depois de ler uma mensagem com o número de voto do pré-candidato.

Segundo a FE Brasil, o episódio não pode ser tratado apenas como manifestação espontânea de uma espectadora, uma vez que o senador escolheu reproduzir o conteúdo durante uma transmissão promovida em seu próprio canal e agradeceu publicamente pelo apoio.

A ação também cita declarações nas quais Flávio Bolsonaro condiciona mudanças no país à troca de governo, menciona sua experiência em Brasília e apresenta propostas nas áreas de educação, infraestrutura e assistência social.

Para os advogados da federação, o conjunto formado pela indicação do cargo pretendido, pelas promessas, pelo pedido de apoio popular e pela divulgação do número de urna demonstra a antecipação irregular da campanha.

A peça afirma que o conteúdo “transcende — e muito — os limites da liberdade de expressão no contexto de pré-campanha eleitoral” e desrespeita as regras destinadas a garantir igualdade de condições entre os possíveis concorrentes.

Ataques contra Lula

A FE Brasil também acusa Flávio Bolsonaro de praticar propaganda eleitoral antecipada negativa contra o presidente Lula, pré-candidato à reeleição.

Durante a live, o senador chamou quem está no governo de “verdadeiro inimigo do Brasil” e fez críticas à atual gestão. Em outro momento, afirmou que seria necessário “matar a cabeça da serpente que está aqui no Brasil” para que o país voltasse a pensar em prosperidade, liberdade e segurança.

Para a federação, o contexto das declarações deixa claro que os ataques foram dirigidos a Lula e funcionam como um pedido antecipado para que os eleitores não votem no presidente.

A representação sustenta que a propaganda negativa está caracterizada pela tentativa de desestimular votos em Lula antes do período permitido. Segundo a peça, a transmissão teve o “único propósito de incentivar os eleitores a escolherem e votarem” em Flávio Bolsonaro, o que “fere gravemente o equilíbrio da campanha eleitoral”.

PT e aliados ped retirada da live

A propaganda eleitoral destinada ao público em geral só é permitida a partir de 16 de agosto. Antes dessa data, pré-candidatos podem apresentar ideias, mencionar a intenção de concorrer e exaltar qualidades pessoais, mas não podem formular pedido explícito de voto.

Esse pedido não precisa ser feito necessariamente com o uso da expressão “vote em”. A Justiça Eleitoral também considera o contexto e o emprego de frases com significado equivalente, conhecidas na jurisprudência como “palavras mágicas”.

No pedido urgente, a FE Brasil requer que Flávio Bolsonaro retire a transmissão do YouTube no prazo de 24 horas. Caso ele não cumpra uma eventual decisão, a federação solicita que a própria plataforma seja obrigada a indisponibilizar o conteúdo.

A ação pede ainda que o senador seja impedido de publicar materiais iguais ou substancialmente semelhantes durante a pré-campanha.

No julgamento de mérito, a federação solicita a aplicação da multa máxima de R$ 25 mil pela propaganda antecipada positiva em favor de Flávio e de outros R$ 25 mil pela propaganda negativa contra Lula. As penalidades podem, portanto, somar R$ 50 mil.

De acordo com os dados reunidos no processo, a live já acumulava mais de 257 mil visualizações, 75 mil curtidas e 11 mil comentários quando a representação foi apresentada. Para a FE Brasil, a dimensão alcançada pela transmissão amplia os prejuízos à igualdade da disputa e exige uma resposta rápida da Justiça Eleitoral.

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