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‘Quem escapou não vai escapar mais’, diz Lula ao anunciar plano contra o crime organizado

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira, 7, após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, que o governo brasileiro lançará na próxima semana um novo plano nacional de combate ao crime organizado. Lula disse que o objetivo é atingir as facções de maneira estrutural, especialmente pela via financeira.

“Quem não escapou não vai escapar mais”, declarou o presidente, ao falar sobre a ofensiva que será apresentada pelo governo federal.

Segundo Lula, o plano terá várias frentes de atuação, mas uma das prioridades será desmontar o poder econômico das organizações criminosas. O presidente alertou que as facções se transformaram em estruturas com infiltração em diferentes setores da sociedade.

“Hoje viraram, em alguns casos, empresas multinacionais. Estão em vários países, estão no futebol, estão na política, estão no meio empresarial”, afirmou.

Lula destacou que o Brasil está levando o tema “muito a sério” e voltou a defender que o combate ao crime organizado precisa ser coordenado internacionalmente, sem imposições unilaterais ou tentativas de hegemonia por parte de um único país.

Proposta levada a Trump

O presidente afirmou ter proposto a Trump a construção de um grupo de trabalho internacional envolvendo países da América do Sul, da América Latina e outras nações interessadas em enfrentar conjuntamente as redes criminosas.

“Não é hegemonia de um país ou de outro querer combater o crime organizado. É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos”, disse.

Ao defender a capacidade brasileira no enfrentamento ao tráfico de drogas e armas, Lula ressaltou a experiência da Polícia Federal e lembrou que parte do armamento utilizado pelo crime organizado no Brasil tem origem nos Estados Unidos.

“O Brasil tem expertise. O Brasil tem uma extraordinária Polícia Federal. O Brasil tem uma experiência muito grande no combate às drogas e ao tráfico de armas”, afirmou, antes de acrescentar que também há esquemas de lavagem de dinheiro ligados a operações em território norte-americano.

Território é do povo

Durante a conversa com jornalistas, Lula também criticou o avanço das facções sobre comunidades e territórios urbanos. Para o presidente, o Estado precisa reafirmar sua presença e garantir que bairros e cidades pertençam à população, e não ao crime organizado.

“Território de uma cidade, de um bairro, é do povo. Não é de crime organizado, não é de facção criminosa”, declarou.

Lula lembrou ainda da criação de uma base em Manaus voltada ao combate ao tráfico de drogas e armas nas fronteiras brasileiras, com participação de agentes de diferentes países da América do Sul.

Segundo ele, a cooperação regional é indispensável para enfrentar organizações criminosas que operam além das fronteiras nacionais.

Desenvolvimento e combate às drogas

Ao abordar o tema das drogas, Lula criticou políticas baseadas apenas em repressão militar e defendeu alternativas econômicas para países produtores.

O presidente afirmou que já disse “muitas vezes” aos Estados Unidos que não basta pressionar países a deixarem de produzir determinadas culturas sem oferecer oportunidades concretas de desenvolvimento.

“Como é que você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto para que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?”, questionou.

Lula também esclareceu que não discutiu com Trump a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. Segundo ele, a prioridade do encontro foi tratar de interesses brasileiros, do comércio bilateral e da cooperação internacional no combate ao crime organizado.

“Eu vim aqui especialmente para discutir os assuntos brasileiros. Eu queria discutir o comércio brasileiro com os Estados Unidos e a participação do Brasil no combate ao crime organizado junto com os Estados Unidos”, concluiu.

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