A ameaça de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros é mais um capítulo de uma ofensiva comercial iniciada em 2025, alimentada por integrantes da família Bolsonaro e enfrentada, desde o primeiro momento pelo presidente Lula e a equipe do governo.
A medida atinge empresas, exportadores e trabalhadores e reforça o contraste entre quem estimulou punições contra o próprio país e quem atuou para proteger a economia, os empregos e a soberania nacional.
A linha do tempo regressiva mostra quem defendeu o Brasil e quem colocou interesses eleitorais e familiares acima dos interesses nacionais.
É daí que vem o apelido Tariflávio. Quando as punições serviam para atacar Lula, a família Bolsonaro apoiava Trump. Quando o prejuízo político alcançou o bolsonarismo, Flávio passou a pedir apenas um adiamento.
6 de julho de 2026: Flávio pede adiamento, mas não o fim da tarifa
Em audiência realizada em Washington, Flávio Bolsonaro não pediu a retirada definitiva da tarifa. Defendeu uma suspensão de 180 dias, empurrando o impasse para depois das eleições brasileiras.
Ao explicar sua posição, afirmou que a aplicação da cobrança agora ocorreria no “pior momento possível”, pois poderia fortalecer Lula no debate eleitoral.
É daí que vem o apelido Tariflávio. Quando as punições serviam para atacar Lula, a família Bolsonaro apoiava Trump. Quando o prejuízo político alcançou o bolsonarismo, Flávio passou a pedir apenas um adiamento.
1º de junho de 2026: surge a nova ameaça de 25%
O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, propôs uma tarifa adicional de 25% sobre milhares de produtos. Entre os temas questionados estavam o Pix, o comércio digital e o etanol.
A reação do ministro da Fazenda, Dario Durigan, resumiu o papel do clã na nova ofensiva: “Mais uma vez, a família Bolsonaro faz o movimento contrário ao Pix.”
O governo brasileiro denunciou que a investigação havia sido aberta “por provocação da família Bolsonaro” e vinha sendo sabotada por interesses “meramente eleitorais e familiares”.
20 de fevereiro de 2026: Justiça dos EUA derruba base do primeiro tarifaço
A Suprema Corte dos Estados Unidos decidiu que a legislação utilizada por Donald Trump não autorizava a imposição generalizada das tarifas anunciadas em 2025.
O governo norte-americano, porém, manteve uma cobrança global temporária e buscou novos caminhos para retomar sua política tarifária. A investigação contra o Brasil permaneceu como um desses instrumentos.
Outubro e novembro de 2025: diálogo de Lula derruba parte das tarifas
Lula colocou a retirada das tarifas no centro das negociações com os Estados Unidos. Em outubro, reuniu-se com Trump na Malásia e apresentou os números do comércio bilateral.
Até Valdemar Costa Neto, presidente do partido da família Bolsonaro, reconheceu que o governo Lula poderia solucionar o impasse: “Eles vão se entender. Não tenho dúvida disso.” E acrescentou: “Queremos ver a nossa situação melhorar, não piorar”.
Em novembro, os Estados Unidos retiraram a tarifa adicional de 40% sobre produtos como café, carne bovina, frutas, sucos e cacau.
“É uma vitória do diálogo, da diplomacia e do bom senso”, afirmou Lula.
13 de agosto de 2025: Lula lança o Brasil Soberano
Enquanto bolsonaristas haviam comemorado a pressão estrangeira, o governo Lula lançou o Plano Brasil Soberano, com crédito, prorrogação de tributos, compras públicas e mecanismos de proteção às empresas e aos empregos.
Inicialmente, foram destinados R$ 30 bilhões. Com recursos adicionais do BNDES, as linhas de crédito chegaram a R$ 40 bilhões.
30 de julho e 6 de agosto de 2025: tarifaço entra em vigor
No fim de julho, Trump formalizou uma cobrança adicional de 40%, somada à tarifa geral de 10%. As novas alíquotas começaram a valer em agosto, embora alguns produtos tenham sido incluídos em listas de exceções.
Lula denunciou que a medida não era apenas comercial: “Minha indignação é ainda maior por saber que esse ataque ao Brasil tem apoio de alguns políticos brasileiros. São verdadeiros traidores da pátria.”
O governo preparou medidas para proteger os setores atingidos e evitar demissões e fechamento de empresas.
15 de julho de 2025: EUA abrem investigação contra o Brasil
O USTR abriu a investigação contra políticas brasileiras que, um ano depois, seria usada como base para a nova ameaça tarifária. Entre os alvos estavam o Pix, o comércio digital e o etanol.
Ao relembrar a abertura do processo, o governo Lula afirmou que as investidas contaram com o auxílio de “falsos patriotas que usam cargos e funções públicas para conspirar contra os interesses nacionais”.
Julho de 2025: Eduardo articula sanções contra o Brasil
Instalado nos Estados Unidos, Eduardo Bolsonaro admitia publicamente sua atuação em busca de sanções contra autoridades e instituições brasileiras.
O PT acionou o Supremo e pediu sua responsabilização por atentado à soberania nacional. Enquanto setores produtivos calculavam os prejuízos, Eduardo celebrava o resultado do lobby feito em Washington.
9 de julho de 2025: tarifa sobe para 50% e Eduardo agradece
Donald Trump anunciou que a tarifa sobre produtos brasileiros chegaria a 50% e relacionou a medida ao processo contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado.
Eduardo Bolsonaro comemorou e convocou seus seguidores a agradecer ao presidente norte-americano:
“THANK YOU PRESIDENT TRUMP — MAKE BRAZIL FREE AGAIN — WE WANT MAGNITSKY!”.
A mensagem sintetizou a escolha feita pelo bolsonarismo: celebrar uma punição contra empresas, produtores e trabalhadores brasileiros para tentar proteger Jair Bolsonaro.
11 de abril de 2025: Lula sanciona a Lei da Reciprocidade
Poucos dias após o primeiro anúncio, Lula sancionou a Lei da Reciprocidade Econômica, que permite ao Brasil adotar contramedidas diante de restrições comerciais unilaterais.
Ao defender a aplicação da lei, o líder do governo na Câmara, José Guimarães, resumiu: “O Brasil precisa se unir para dizer ‘não’ aos Estados Unidos e ‘sim’ à nossa soberania”.
A legislação garantiu ao país instrumentos para proteger sua produção, seus trabalhadores e seus interesses nacionais.
2 de abril de 2025: Trump anuncia a primeira tarifa. Lula defende sobrerania
A ofensiva começou quando Donald Trump anunciou uma tarifa geral de 10% sobre produtos brasileiros.
No dia seguinte, Lula afirmou que adotaria todas as medidas cabíveis para proteger empresas e trabalhadores:
“O Brasil não bate continência para nenhuma outra bandeira que não seja a bandeira verde e amarela”.

