O Governo Federal lançou a campanha “Violência contra a mulher não faz parte do jogo”, iniciativa que busca conscientizar a população sobre a relação entre o consumo abusivo de álcool e o aumento dos casos de violência contra mulheres durante grandes eventos esportivos.
A ação integra o Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio e é coordenada pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), por meio da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) e da Secretaria Nacional de Acesso à Justiça (Saju).
A campanha reúne esforços de diferentes órgãos do Governo Federal. A proposta recebeu a adesão da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), enquanto a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) participa como parceira na divulgação das ações de conscientização.
Com o lema “A emoção do jogo faz parte da torcida. A agressão, não”, a ação busca chamar a atenção para um problema que costuma se agravar durante grandes competições esportivas e reforça que a violência contra as mulheres não pode ser naturalizada.
A mensagem também convoca a sociedade a não se omitir diante de situações de agressão e a denunciar casos de violência.
A mobilização foi planejada para alcançar milhares de pessoas durante a Copa do Mundo. Além da divulgação nas redes oficiais do Governo Federal, a campanha estará presente em bares, restaurantes e outros espaços de convivência que transmitirão os jogos da seleção brasileira. Como parte da estratégia de comunicação, uma vinheta será publicada simultaneamente nos canais oficiais dos órgãos envolvidos 30 minutos antes de cada partida.
Segundo informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, uma em cada três mulheres brasileiras já sofreu algum tipo de violência. Tramita no Congresso, o Projeto de Lei 4842/23, que prevê campanhas contra a violência à mulher em eventos esportivos com mais de 10 mil pessoas.
Por que a violência aumenta em dias de jogos?
De acordo com dados da pesquisa Violência Contra Mulheres e Futebol, realizada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em dias de partidas, os registros de ameaças contra mulheres sobem 23,7%. As agressões físicas, 20,8%.
Um estudo da Universidade de Warwick pesquisou durante dez anos cruzou dez anos de ocorrências policiais na Inglaterra e encontrou o dado que resolve a discussão: depois de uma vitória, os casos de abuso doméstico ligados ao álcool cresceram 47%.
Em 2025, o Brasil registrou 1.568 feminicídios, o maior número desde que o crime passou a ter tipificação específica na legislação, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). Em oito de cada dez casos, as vítimas foram mortas pelo companheiro ou ex-companheiro.
Todos unidos pela vida das mulheres
A campanha nasceu de uma proposta de mobilização conjunta para o enfrentamento à violência contra a mulher, construída pela Diretoria de Proteção e Reinserção Social da Senad em parceria com a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República.
“Decidimos aproveitar o período da Copa do Mundo para trazer um olhar de prevenção e redução de danos aos casos de violência associados ao consumo excessivo de álcool porque, definitivamente, a violência não faz parte do jogo”, afirma a secretária nacional de Políticas sobre Drogas, Marta Machado.
A secretária nacional de Acesso à Justiça, Sheila de Carvalho, aderiu à iniciativa e convidou 11 mulheres juristas para integrar a campanha, sob a liderança do ministro da Justiça e Segurança Pública, Wellington César Lima e Silva.
Para Mazé Morais, secretária nacional de Mulheres do PT, campanhas de prevenção cumprem um papel fundamental ao trazer para o debate público situações que historicamente permanecem invisibilizadas. “Muitas mulheres convivem com a violência dentro de casa em silêncio, e em períodos de grandes eventos isso pode se agravar. Quando o Governo Federal leva essa discussão para espaços públicos, mostrando que agressão não é algo natural e que precisa ser combatido, reforça uma mensagem importante: proteger a vida das mulheres é responsabilidade de toda a sociedade”, afirma.
A campanha integra uma estratégia mais ampla do Governo Federal para fortalecer as políticas públicas de proteção às mulheres. Nos últimos anos, medidas como o fortalecimento do Ligue 180, a retomada do Ministério das Mulheres e a construção do Pacto Nacional Brasil Contra o Feminicídio passaram a compor uma rede de prevenção, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero. Em situações de violência, a orientação é buscar ajuda e denunciar.
O Ligue 180 funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana, oferecendo acolhimento, orientação e encaminhamento para a rede de proteção às mulheres.
Da Redação do Elas por Elas.

