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Com atuação do Governo Lula, combustíveis sobem menos no Brasil do que no resto do mundo

Governo federal decidiu ampliar o pacote emergencial mesmo com o anúncio do acordo de paz entre EUA e Irã

Os impactos da guerra entre Estados Unidos e Irã sobre os preços dos combustíveis não foram superficiais para a maioria dos países, mas o Brasil permanece resiliente diante das oscilações e das incertezas do cenário internacional, resultado das políticas adotadas pelo Governo Lula para proteger o bolso da população.

É isso o que aponta o  37º Boletim de Preços, estudo do Instituto de Pesquisa em Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep). Entre 23 de fevereiro e 8 de junho, os reajustes para os brasileiros estiveram abaixo da média global, com altas de 4,9% na gasolina e 13,6% no diesel. Pelo mundo, os aumentos médios desses combustíveis atingiram 17,5% e 23,3%, respectivamente.

O conflito no Oriente Médio fez com que o petróleo tipo Brent superasse os US$ 100 o barril. Preocupado com a inflação e com o abastecimento no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou, em 25 de maio, o decreto nº 12.984/2026, que regulamentou a concessão de subvenção econômica extraordinária a produtores e importadores de gasolina e óleo diesel rodoviário. A medida assegurou o repasse de R$ 0,44 por litro de gasolina e definiu nova subvenção de R$ 0,35 por litro de diesel.

Antes do decreto, em 13 de maio, Lula assinou também a Medida Provisória (MP) nº 1.358/2026, para impedir que os consumidores fossem lesados por preços abusivos. Com a MP, a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) passou a endurecer a fiscalização e aplicar penalidades mais severas contra aumentos oportunistas.

Há cerca de uma semana, o governo federal decidiu ampliar o pacote emergencial mesmo com o anúncio do acordo de paz entre EUA e Irã. Novas medidas foram anunciadas para regulamentar e operacionalizar as subvenções econômicas já implementadas, fixar os valores aplicáveis à gasolina “A” e ao diesel “A” de uso rodoviário, prorrogar benefícios fiscais para o querosene de aviação e biodiesel, estender mecanismos de apoio ao GLP (gás liquefeito de petróleo) e instituir nova subvenção específica ao diesel rodoviário.

Medidas bem sucedidas

De acordo com o Ineep, as estatísticas de maio indicam uma redução nos preços praticados pelas refinarias privadas após expressivos reajustes feitos nos meses anteriores. Por outro lado, a Petrobras manteve trajetória de estabilidade, acumulando, desde o início do conflito no Oriente Médio, aumento no diesel de R$ 0,32 e de apenas R$ 0,04 na gasolina.

“Os efeitos das políticas de isenção e subsídio fiscal do Governo Federal, para o caso do diesel, da política de preços da Petrobras, somados ao leve recuo do preço do barril, já podem ser percebidos nas médias mensais dos preços dos combustíveis em maio. A gasolina e o diesel registraram recuos, e o GLP, estabilidade. O etanol hidratado, por sua vez, apresentou queda expressiva, de 7,3%, refletindo o início da safra 2026/2027 e aumento da oferta, em intensidade ainda maior do que a observada em anos anteriores”, afirma o Ineep.

No final de maio, o Preço de Paridade de Importação (PPI) do diesel, calculado pela ANP, contabilizou queda acumulada de 14,3% em relação à última semana de abril, chegando a R$ 4,92. A Petrobras manteve o valor de R$ 3,68 ao longo de maio e o combustível ficou 25,1% mais barato na comparação com os preços internacionais.

No dia a dia da população

O Ineep ainda avaliou as consequências da guerra para a inflação no país e as respostas da administração Lula à alta dos combustíveis. “Esse impacto inflacionário, e seu amortecimento, pode ser identificado, no Brasil, no comportamento do IPCA-15, que registrou alta de 0,44% em março e 0,89% em abril, com uma desaceleração na sequência, marcando 0,62% em maio”, observa.

“Embora ainda seja necessário acompanhar os próximos meses para avaliar a consolidação dessa tendência, os dados sugerem que as medidas adotadas pelo Governo Federal para conter os preços dos combustíveis e a atuação da Petrobras, ampliando sua produção de derivados e mantendo maior estabilidade nos preços, contribuíram para limitar as pressões inflacionárias”, acrescenta o Ineep.

Por fim, o estudo considera que as medidas emergenciais são “importantes, mas insuficientes para enfrentar vulnerabilidades estruturais do setor [de petróleo]”. O instituto recomenda o fortalecimento da Petrobras, a expansão da capacidade de refino e a recomposição da presença da estatal nos elos estratégicos da cadeia de abastecimento, especialmente na distribuição. “Trata-se de um desafio que envolve não apenas preços, mas também segurança e soberania energética”, conclui o Ineep.

Soberania energética brasileira

Em conversa com a Rede PT de Comunicação, o professor do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Brasília (UnB) Eugênio Liborio Feitosa Fortaleza, doutor pela Escola de Minas de Paris, analisou a capacidade brasileira para absorver as volatilidades do mercado de petróleo. Para ele, a administração Lula acertou nas políticas para conter os preços da gasolina. “O país está de parabéns, resistiu muito bem”, elogia Eugênio.

O professor da UnB menciona o etanol brasileiro, que representa uma alternativa à gasolina e garante segurança energética ao país. “Vale a pena destacar a posição privilegiada do Brasil, que, historicamente, tem a produção do álcool de cana, e vem crescendo, recentemente, a produção de álcool de milho. E isso vem favorecendo uma disponibilidade de álcool e uma independência brasileira em relação ao consumo de gasolina”, argumenta.

Sobre os preços do diesel, Eugênio trata como “benéfica” a intervenção do governo federal, mas considera que há espaço para avançar em termos de soberania. “Nesse sentido, o diesel carece de investimento nas refinarias do país de maneira a ter sistemas de hidrocraqueamento, que são unidades que, a partir do uso do hidrogênio, permitem a transformação de derivados menos valorizados, de cadeias mais longas, tipicamente óleo de caldeira, em óleo diesel”, explica.

“Ajudaria bastante termos mais oferta de diesel sem ter uma necessidade de aumentar o refino de petróleo e equilibrar melhor nosso balanço energético. Para isso, o governo federal já tem uma iniciativa positiva: tem aberta uma chamada conjunta para o desenvolvimento de eletrolisadores, isso deve ajudar a produção de hidrogênio […] Esse é o caminho para que o diesel alcance um resultado de independência forte como o da gasolina”, conclui o professor.

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