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BolsoMaster: verba pública e operação policial cercam produtora de Dark Horse

Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora ligada ao filme Dark Horse, é investigada

A produtora responsável por Dark Horse, filme biográfico que tenta transformar Jair Bolsonaro em personagem de cinema, está no centro de uma série de revelações que envolvem contratos públicos milionários, emendas parlamentares, suspeitas de fraude e a busca de financiamento junto ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

As informações mais recentes mostram que o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Ferreira da Gama, produtora ligada ao projeto, recebeu R$ 5 milhões em contrato com o Governo do Distrito Federal, segundo notícias divulgadas pela imprensa. A entidade é a mesma que, dias antes, foi alvo de operação da Polícia Civil e do Ministério Público de São Paulo por suspeitas em um contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalação de pontos de Wi-Fi gratuito.

O caso amplia as dúvidas sobre a estrutura montada em torno da cinebiografia bolsonarista. Além de Karina, o roteiro envolve Mario Frias, deputado federal pelo PL-SP e produtor-executivo do filme; Eduardo Bolsonaro, citado em contrato com poder sobre dinheiro e captação; Flávio Bolsonaro, que buscou R$ 61 milhões junto a Vorcaro; e Jair Bolsonaro, mencionado em minuta que previa pagamento de até R$ 500 mil pela cessão de direitos sobre sua história.

Contrato de R$ 5 milhões no DF

A revelação mais recente envolve um contrato de R$ 5 milhões entre o Instituto Conhecer Brasil e o Governo do Distrito Federal, por meio da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF e da Secretaria de Educação. O acordo foi firmado para a execução do projeto Steam Maker em 16 escolas públicas da capital federal.

O programa previa laboratórios de inovação, capacitação de professores, impressoras 3D, kits de eletrônica, plataformas digitais e ferramentas de acompanhamento pedagógico. O contrato original foi assinado em dezembro de 2023, com valor superior a R$ 4 milhões, e depois recebeu aditivo de R$ 1 milhão.

Operação em São Paulo mira contrato de R$ 108 milhões

Antes da revelação sobre o contrato no DF, o Instituto Conhecer Brasil já havia entrado no radar das autoridades em São Paulo. A entidade foi alvo da Operação Wi-Fi Livre, que investiga suspeitas de irregularidades em contrato de R$ 108 milhões firmado com a Prefeitura de São Paulo para implantação de internet gratuita em comunidades da capital.

O contrato previa a instalação de 5 mil pontos públicos de Wi-Fi em 12 meses. Até o momento da operação, 3,2 mil teriam sido instalados. A investigação apura notas fiscais consideradas irregulares, suspeitas de superfaturamento e possível direcionamento na execução do projeto.

Emendas de Mario Frias abasteceram instituto

O Instituto Conhecer Brasil também recebeu emendas parlamentares destinadas por Mario Frias, deputado federal bolsonarista e produtor-executivo de Dark Horse. Frias aparece como um dos principais articuladores políticos do filme e destinou recursos públicos para a entidade comandada por Karina Gama.

Parte desses recursos foi parar em empresas subcontratadas pelo instituto. Uma das revelações apontou que valores repassados por emenda foram destinados a uma empresa ligada a um empresário que responde a acusações por irregularidades com dinheiro público.

A conexão entre emendas, instituto e produtora reforça a necessidade de investigação sobre a circulação dos recursos. A questão é se o dinheiro público destinado formalmente a projetos sociais, educacionais ou tecnológicos pode ter ajudado a fortalecer a estrutura empresarial e política ligada à produção do filme.

Flávio Bolsonaro buscou R$ 61 milhões com Vorcaro

O caso ganhou dimensão nacional quando vieram à tona mensagens e documentos indicando que Flávio Bolsonaro buscou R$ 61 milhões junto a Daniel Vorcaro para financiar Dark Horse. Flávio confirmou ter se encontrado com o banqueiro, mas negou irregularidades. A produtora também negou ter recebido dinheiro de Vorcaro ou de empresas ligadas a ele.

Mesmo assim, a tentativa de captação abriu uma nova linha de questionamento: por que um senador atuava na busca de financiamento privado para uma cinebiografia de seu próprio pai? E por que o valor pedido era tão alto para uma produção conectada a pessoas e entidades abastecidas por recursos públicos?

Eduardo e Jair Bolsonaro aparecem nos documentos

Outra peça importante envolve Eduardo Bolsonaro. Documentos relacionados à produção de Dark Horse apontaram o deputado como produtor-executivo do filme, com atribuições ligadas à captação e à gestão financeira do projeto.

A revelação sugere que a família Bolsonaro não estaria apenas sendo retratada na obra, mas participando diretamente de sua estrutura de financiamento e execução. A defesa de envolvidos nega irregularidades e contesta a interpretação dos documentos.

A própria história de vida de Jair Bolsonaro também entrou no centro das revelações. Uma minuta de contrato mostrou que Mario Frias e Karina Gama teriam oferecido até R$ 500 mil ao ex-presidente pela cessão de direitos sobre sua trajetória para filmes, séries, peças e outras produções.

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