Ícone do site Partido dos Trabalhadores

Com Flávio, Milei exibe “milagre econômico” às custas do trabalhador

Extremista de direita que governa a Argentina apoia Flávio, que repetir na economia modelo de arrocho que sacrifica população mais vulnerável.

O presidente da Argentina, Javier Milei, chegou a São Paulo nesta sexta-feira, 24, para participar da convenção do PL que deve oficializar a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência. A ideia do senador é expor o apoio do argentino como uma mensagem de que é parte de um movimento de extrema direita internacional, formada também por Donald Trump e Nyib Bukele, que, segundo ele, estão “transformando” seus países.

Milei deve propagandear indicadores econômicos da Argentina que, em sua visão, sustentariam o sucesso de sua gestão ultraliberal, baseada em austeridade fiscal e arrocho salarial. O que dificilmente será dito no palco do estádio do Pacaembu no sábado, 25, é o o custo real dessa “transformação”, evidenciado pelos próprios institutos oficiais argentinos.

Inflação caiu, mas poder de compra despencou

O dado favorito do governo argentino para exportar é a queda da inflação – que é real. Milei assumiu o governo, em dezembro de 2023, com uma taxa de 25,5% por mês e de 211,4%. Em junho de 2026, a inflação foi de 1,9% no mês e 22,5% no acumulado de 12 meses.

Contudo, esse aparente sucesso não se dá por meio de estímulo à produção e à oferta e de controle de custos estratégicos como no Brasil, e sim por uma recessão forçada, com asfixia de demanda através de achatamento de renda das famílias e redução artificial do consumo.

Se a inflação despencou, o salário mínimo real, também. Um estudo da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade de Buenos Aires mostra que ele perdeu 66% do poder de compra nos últimos 15 anos, e 38% apenas no governo Milei. Hoje fixado em 367.800 pesos, o salário mínimo argentino não chega a cobrir ¼ do valor da cesta básica que uma família de quatro pessoas precisa para estar acima da linha da pobreza.

Segundo o Centro de Estudos de História Econômica Argentina e Latino-Americana (CEHEAL), quando Milei tomou posse o salário mínimo equivalia, em valores atuais, a 589.124 pesos. Ou seja, são mais de 220 mil pesos de desvalorização, já que os reajustes nominais somaram 136% diante de uma inflação acumulada de cerca de 312% no mesmo período.

Além disso, a queda da inflação e a desvalorização do salário mínimo não acompanharam a alta do custo de vida. Segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) – o IBGE da Argentina -, a Cesta Básica Alimentar subiu 36,3% de julho 2025 a junho de 2026, e a Cesta Básica Total, 35,7%. 

Desemprego alto e informalidade recorde

O governo Milei tem sido uma tragédia para o mercado de trabalho argentino. O extremista de direita pegou um país com 5,7% de dezemprego e 40,8% de informalidade. Atualmente, essas taxas estão em 7,8% e 44,2%, respectivamente. É o maior percentual de trabalhadores informais já registrado no país, e a última vez que houve tantos desempregados antes de sua posse foi no terceiro trimestre de 2021, durante a pandemia.

Os postos de trabalho não registrados cresceram 3,4% no último ano, enquanto os registrados, com direitos trabalhistas, caíram 1,1%. As horas trabalhadas recuaram 0,9% no mesmo período. É menos gente com carteira assinada, trabalhando menos horas. O resultado é mais desigualdade. O coeficiente de Gini argentino subiu de 0,427 para 0,442 entre o quarto trimestre de 2025 e o primeiro de 2026.

Balança comercial melhor… pero no mucho

A Casa Rosada também gosta de exibir os 31 meses seguidos de superávit comercial (exatamente todo o período do governo Milei): US$ 2,194 milhões em junho e US$ 13,923 milhões no acumulado do primeiro semestre. 

O resultado é real, mas parte dele espelha uma economia interna que não gira. Em maio, a atividade econômica cresceu apenas 0,2% em 12 meses e recuou 0,5% frente a abril. As vendas em supermercados caíram 3,7% e nos atacadistas, 5,0%. Nos shoppings, a queda real chegou a 5,9%. A indústria manufatureira encolheu 5,7% no último ano. 

Menos consumo interno também significa menos importação, o que ajuda a inflar o saldo comercial sem que isso represente, necessariamente, mais renda para quem trabalha. É uma maquiagem estatística: um resultado final que soa positivo, mas que é baseado em uma piora na vida dos consumidores, e não em impulso de produção ou expansão de mercados.

O Brasil de Flávio é a Argentina de Milei

O apoio de Javier Milei é importante para o projeto de Flávio Bolsonaro porque o que um tem para mostrar e o outro tem para prometer não é um diagnóstico socioeconômico e um projeto de país, mas sim uma vitrine política, com dados maquiados e estatísticas positivas propagandeadas que não refletem a realidade do povo.

Não foi com asfixia social e maquiagem de dados que o Governo Lula retomou o ritmo de crescimento econômico no Brasil após 4 anos de arrocho salarial e concentração de renda no governo de Jair Bolsonaro. Foi com valorização do salário mínimo, estímulo à oferta, geração de empregos, proteção social e investimento nos diferentes setores da economia.

Enquanto isso, os números oficiais do próprio governo argentino deixam claro que o preço do ajuste fiscal de Milei está sendo pago pela parcela mais pobre dos trabalhadores. É esse modelo que a extrema-direita pretende aplaudir neste sábado.

Sair da versão mobile