O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 18, durante cerimônia na Refinaria de Paulínia (Replan), em São Paulo, que a Petrobras voltou a ser tratada como patrimônio estratégico do povo brasileiro. Ao anunciar R$ 37 bilhões em investimentos na unidade de refino até 2030, Lula defendeu o fortalecimento da empresa, criticou as tentativas de privatização e destacou o papel da Petrobras na proteção da população diante da crise internacional dos combustíveis.
“A elite brasileira achava que a gente deveria continuar importando petróleo de outros países”, afirmou Lula, ao lembrar a campanha “O Petróleo é Nosso” e a criação da Petrobras em 1953. Segundo o presidente, a estatal nasceu da mobilização popular e sempre enfrentou resistência de setores que não aceitavam a ideia de o Brasil ter uma empresa nacional forte na área de energia.
Lula disse que as tentativas de enfraquecer a Petrobras se repetiram ao longo da história, inclusive com a proposta de mudança do nome da empresa para “Petrobrax” e com a venda de ativos estratégicos. Para ele, a privatização da BR Distribuidora pelo Governo Bolsonaro foi parte de um processo de desmonte feito “aos pedaços”, porque a venda direta da Petrobras enfrentaria forte rejeição popular.
“Eu fico pensando o que o Brasil ganhou com a privatização da BR. Eu queria que alguém dissesse, um gênio falasse o que o Brasil ganhou com a privatização da BR. Nada”, afirmou.
O presidente comparou o processo de venda de ativos da estatal a um “rolo de mortadela” que desaparece aos poucos. “Venderam os postos de terra da Petrobras e, se continuasse, um belo dia a gente acordaria e ela teria virado um ‘ovo sem gema’”, disse. “Um ovo sem gema não tem proteína, e a essência da Petrobras é a proteína do seu povo que trabalha lá”.
Bolso do brasileiro protegido
No discurso, Lula relacionou a força da Petrobras à capacidade do governo de conter os impactos da crise internacional sobre o bolso da população. Segundo ele, o Brasil está conseguindo vender diesel e gasolina a preços menores porque adotou uma política para compensar os efeitos da alta do petróleo provocada pela guerra entre Estados Unidos e Irã.
“Agora, nesta crise do combustível, o Brasil talvez seja o país que está vendendo diesel e gasolina no menor preço. Por quê? Porque nós fizemos um acordo. A Petrobras está ganhando mais dinheiro exportando petróleo porque o petróleo subiu com a guerra do Irã”, afirmou.
Lula explicou que o governo está usando recursos da própria dinâmica do setor para evitar que o custo da crise seja repassado integralmente ao povo brasileiro.
“Estamos cobrando um imposto das exportações de petróleo para que a gente possa subsidiar o preço do diesel e da gasolina, para não sobrar no bolso do povo brasileiro, no motorista de caminhão ou de carro”, disse. “Estamos tirando dinheiro da própria Petrobras e do orçamento do governo para não permitir que esse prejuízo chegue ao povo, que não tem culpa da guerra do Irã, que é culpa do Trump”.
Para o presidente, a venda da BR reduziu a capacidade de atuação do Estado em momentos de crise. “Se tivéssemos a BR, seria muito mais fácil”, afirmou. Lula também citou o Gás do Povo e lembrou que a presença da distribuidora estatal facilitaria a logística de entrega dos botijões às famílias beneficiadas.
A cerimônia em Paulínia oficializou investimentos de R$ 37 bilhões da Petrobras até 2030 em áreas como refino e biorrefino, logística, exploração e produção, descarbonização e geração de energia sustentável. Segundo a empresa, os projetos têm potencial de gerar cerca de 38 mil postos de trabalho diretos e indiretos.

