Ícone do site Partido dos Trabalhadores

PT quer anular ato do governo contra passaporte da vacina em eventos

PT quer anular ato do governo contra passaporte da vacina em eventos culturais

O negacionismo do governo de Jair Bolsonaro contra a Cultura e a pandemia da Covid-19 permanece no pacote de investimentos de desmontes e retrocessos do país. Unidos, parlamentares do Partido dos Trabalhadores querem derrubar a Portaria nº 44/21 da Secretaria Especial da Cultura, assinada por Mário Frias.

O governo determina que os produtores culturais que entrarem com projeto via Lei Rouanet não poderão exigir do público o passaporte da vacina contra a Covid-19. E, nos casos em que as autoridades locais exijam o comprovante de vacina, manda que a produção adapte o evento para o modo virtual.

O senador Humberto Costa (PT/PE) afirma que a portaria é inconstitucional e apresentou um projeto de decreto legislativo para sustar parcialmente a portaria.

“O critério estipulado pela portaria contraria frontalmente todas as recomendações da ciência médica, que enfatiza a vacinação como a principal medida para conter a pandemia do Covid-19. O que está colocado novamente é um governo inteiro do lado vírus. O povo quer a retomada com segurança. A pandemia não acabou. Protocolos de medidas de segurança contra a Covid-19 são fundamentais e devem continuar. Bolsonaro quer o Brasil na contramão do mundo. Inacreditável”, ressalta.

Na justificativa do projeto, Humberto Costa ressalta que o texto fere o pacto federativo ao interferir na prerrogativa de estados e municípios de definirem a forma como querem lidar com a questão da pandemia, algo que foi reconhecido pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

“Nossa Corte Suprema determinou que a vacinação compulsória pode ser implementada por medidas indiretas, como a restrição ao exercício de certas atividades ou à presença em determinados lugares, respaldando assim, os estados e municípios que adotem a verificação das carteiras de vacinação em locais coletivos”.

Para o secretário Nacional de Cultura do Partido dos Trabalhadores (PT), Márcio Tavares, a portaria é um risco para a saúde pública e declara postura antivacina do desgoverno de Bolsonaro.  Ouça, abaixo, o secretário.

[SONORA] Márcio Tavares fala sobre proibição da exigência de vacinação em eventos culturais by RÁDIO PT

Deputados se unem contra portaria

Além do PDL do senador, deputados de oposição apresentaram propostas para derrubar a portaria que também estabelece que, em cidades em que o passaporte seja obrigatório, o evento que recebe dinheiro do governo só poderá ser realizado na modalidade virtual, não podendo impor discriminação entre vacinados e não vacinados.

Para os oposicionistas, a portaria do Executivo reforça uma postura negacionista da pandemia de Covid-19. Os líderes do PT, Bohn Gass (RS); do PSB, Danilo Cabral (PE); da Oposição, Alessandro Molon (PSB-RJ); da Minoria, Marcelo Freixo (PSB-RJ); e do Psol, Talíria Petrone (RJ), assinam o Projeto de Decreto Legislativo (PDL 980/21) para sustar o ato da Secretaria de Cultura.

“A exigência da comprovação de vacinação, a critério dos projetos culturais, valoriza o direito à saúde e sua proteção coletiva. Tal exigência não só evita o aumento do número de casos, prevenindo quanto ao contágio, como tem em conta a proteção dos grupos vulneráveis que não podem, por quaisquer motivos, fazer uso das máscaras, como ocorre com as crianças menores de cinco anos”, afirmaram.

Outro Projeto de Decreto Legislativo, o 978/21, foi apresentado por 18 parlamentares de diversos partidos de oposição. Os deputados destacam que a portaria do governo não tem respaldo legal e contraria determinações mundiais, 249 leis municipais e determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). “A portaria usurpa gravemente o poder de legislar, que reside no Congresso Nacional”, argumentaram.

Competências

O deputado Rogério Correia (PT-MG) também é autor de outra proposta contra a portaria governamental (PDL 979/21). Ele avalia que a medida invade competências dos prefeitos e governadores e ressalta que o cidadão que não quer se vacinar tem de lidar com os efeitos dessa decisão.

“Ao fazer a opção, o usuário assume a restrição da sua liberdade de livre circulação, notadamente porque a conduta colocaria em risco de saúde os demais cidadãos que cumpram regularmente as determinações legais e adotam os cuidados recomendados pelas autoridades sanitárias”, declarou Correia.

Da Redação, com informações do PT na Câmara e PT no Senado

Sair da versão mobile