A ida de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos e sua troca de cartas com o secretário de Estado, Marco Rubio, escancaram uma realidade antiga. Apesar da tentativa de sequestro das cores nacionais, da falsa bandeira do patriotismo e dos slogans ufanistas, a verdade é que a família sempre trabalhou apenas pelos próprios interesses e do governo norte-americano.
Quando ainda era deputado federal, o líder do clã, Jair Bolsonaro, já defendia abertamente a submissão do Brasil aos EUA. Chegou até a bater continência para a bandeira norte-americana, quando já era pré-candidato a presidente (do Brasil, não dos Estados Unidos).
Em seu governo, Bolsonaro chegou a declarar amor por Donald Trump. Nas manifestações promovidas pelo clã, cai o número de bandeiras do Brasil e aumenta o de bandeiras estrangeiras. Por isso, não há surpresa alguma nas tentativas de seus filhos de sabotar a economia e atacar a soberania brasileiras.
10 fatos que evidenciam o entreguismo da família Bolsonaro:
1) Subordinação à bandeira estrangeira
Em um gesto de clara submissão e amostra do que seria o seu governo, Jair Bolsonaro bateu continência à bandeira dos EUA e puxou um coro de “USA!” durante viagem a Miami em outubro de 2017, quando já era pré-candidato a presidente da República.
2) “I love you”
O intervalo entre o discurso do presidente do Brasil e o dos EUA na Assembleia Geral da ONU costuma promover encontros e cumprimentos, como o de Lula e Trump em 2025, já que a cerimônia sempre segue essa ordem. Mas na primeira vez que Bolsonaro participou do evento como presidente, em 2019, o que se viu não foi um cumprimento, e sim um gesto de submissão absoluto: “Eu te amo”, disse ele a Trump, em inglês. Transformar a arena diplomática em um palco de aproximações pessoais e declarações de amor e ódio, aliás, foi uma constante em seu governo.
3) A solução era alugar o Brasil?
O governo Bolsonaro enviou ao Congresso Nacional em 2020 um projeto de lei para regulamentar a mineração, a exploração de petróleo e a construção de hidrelétricas em Terras Indígenas, atendendo ao lobby de parte do empresariado brasileiro e do mercado internacional. O projeto foi arquivado quando o presidente Lula voltou ao governo, em 2023.
4) Traidores da pátria
Eduardo Bolsonaro se mudou para os EUA em 2025 a fim de pressionar o governo norte-americano a chantagear a Justiça brasileira na tentativa de liberar seu pai do julgamento e da prisão por golpe de Estado. Tanto não deu certo que pai e filho acabaram condenados: Jair por tentativa de golpe; Eduardo por coação no curso do processo. Não satisfeito, o filho 03 de Bolsonaro agradeceu a Trump pela imposição de tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros, que prejudicaria de forma drástica a economia brasileira, sobretudo o setor agropecuário.
5) Proibido trair os traidores
O deputado Antônio Carlos Rodrigues foi expulso sumariamente do PL pelo presidente do partido, Valdemar Costa Neto, em julho de 2025. O motivo: ele havia criticado o tarifaço e Trump, o que, para o PL, demonstrava uma “ignorância sem tamanho”.
6) Nacionalismo com bandeira alheia
Em manifestações a favor e contra o tarifaço, o PL da anistia e a PEC da blindagem, em setembro de 2025, ficou evidente a discrepância do nacionalismo nos atos organizados por movimentos sociais, centrais sindicais e partidos de esquerda e nos convocados pelos bolsonaristas. Do lado de cá, as ruas foram tomadas por bandeiras do Brasil e gritos de soberania; do lado de lá, uma bandeira dos Estados Unidos foi estendida e venerada em frente ao Masp, em São Paulo.
7) Patriotas pela intervenção externa
Em outubro de 2025, Flávio Bolsonaro publicou em suas redes sociais que tinha “inveja” das execuções sumárias das Forças Armadas norte-americanas contra embarcações no Caribe acusadas de transportar drogas para os EUA e sugeriu que fizessem o mesmo no Rio de Janeiro. O tom do discurso entreguista e violento se assemelha ao de aliados, como o deputado Nikolas Ferreira, que em janeiro havia publicado uma imagem feita por inteligência artificial do Exército norte-americano sequestrando o presidente Lula, depois da captura de Nicolás Maduro.
8) Entrega das terras raras
Em discurso na conferência conservadora CPAC no Texas em março de 2026, Flávio incorporou o discurso da promoção relâmpago. Disse que, se fosse eleito presidente, colocaria as riquezas minerais estratégicas do Brasil, como as terras raras, à disposição da indústria de tecnologia e defesa dos EUA. Aproveitou para pedir “pressão diplomática” sobre as instituições brasileiras durante as eleições.
9) Guerra ao Pix
Após o governo norte-americano iniciar uma investigação sobre o sistema financeiro brasileiro e propor a aplicação de um novo tarifaço de 25% contra o país, Flávio enviou um documento ao governo Trump sugerindo a criação de uma legislação para barrar o uso do Pix em sistemas internacionais “não-ocidentais”. Em outras palavras, após mentir por anos dizendo que o Pix havia sido criado por Jair Bolsonaro, seu filho agora sugere limitar a tecnologia brasileira para atender aos interesses de empresas dos EUA.
10) Pedido de interferência eleitoral
A troca de cartas entre Flávio e Marco Rubio, vazada recentemente na imprensa brasileira, mostrou que o senador pediu ao governo norte-americano que interfira a favor dele nas eleições deste ano. Prometeu colocar uma equipe de transição de governo (antes mesmo do início da campanha eleitoral) à disposição da Casa Branca. Em troca, quer que o governo Trump adie a aplicação do tarifaço para depois das eleições, a fim de beneficiá-lo na opinião pública, mesmo prejudicando a economia, os consumidores e os empresários brasileiros.

