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Petistas repudiam novo tarifaço de Trump e expõem vassalagem da família Bolsonaro

Líder do PT na Câmara, Pedro Uczai, lembra que Flávio Bolsonaro jamais pediu o fim das tarifas, e sim o adiamento, por razões políticas.

Lideranças do Partido de Trabalhadores manifestaram repúdio ao novo tarifaço de 25% sobre as exportações brasileiras por parte do governo dos Estados Unidos (EUA) e responsabilizaram a família Bolsonaro – o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro – pela cobrança injustificável, sem argumentos técnicos plausíveis, que vai prejudicar empresários brasileiros e a população.

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (PT-SC), criticou duramente Flávio e Eduardo Bolsonaro e afirmou que ambos agem como vassalos dos interesses estadunidenses justamente no momento em que a Casa Branca anuncia novas tarifas.

“O Brasil não é quintal de ninguém. Somos a maior economia da América do Sul. O governo federal já abriu novos mercados para os produtos brasileiros, aplicará a Lei da Reciprocidade e defenderá os interesses nacionais”, afirmou Uczai.

Segundo o parlamentar, o Governo do Brasil pretende amparar os setores que serão atingidos pelo tarifaço, como já fez na primeira taxação de Trump, por meio do “Plano Brasil Soberano”. “As empresas afetadas pelo tarifaço ilegal e arbitrário de Trump terão medidas de proteção para preservar empregos, garantir a produção e fortalecer a economia brasileira”, acrescentou o líder do PT.

Uczai relembrou o discurso de Flávio durante audiência pública do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, sigla em inglês), há duas semanas, em Washington. O petista condenou as agressões à soberania do Brasil e o entreguismo da família Bolsonaro, alheia aos interesses de empresários e trabalhadores do país:

“Foi lá pedir para adiar o tarifaço, e não para dizer que ele deveria acabar. Traem a Pátria ao colocar em risco a nossa soberania, a nossa economia, o PIX e milhares de empregos de brasileiros e brasileiras”.

Na audiência em Washington, o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro fugiu do tema técnico e fez um comício com assuntos alheios à pauta. Na prática, ao não se manifestar contra novas sanções comerciais, o senador corroborou as argumentações dos EUA, sem fundamentação, em defesa de um novo tarifaço que representa chantagem econômica e pressão sobre setores estratégicos da economia brasileira.

“Tariflávio”

O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) lembrou nas redes a alcunha “Tariflávio”, dada ao senador Flávio Bolsonaro no meio político por conta de sua atuação junto às autoridades estadunidenses para tarifar as exportações brasileiras, entregar o Pix e chantagear o Poder Judiciário em benefício do próprio pai, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a mais de 27 anos de prisão por tentar solapar a democracia. O ex-presidente Bolsonaro cumpre prisão domiciliar em Brasília.

“‘Tariflávio’ taxou você. O Pix é do Brasil. Defenda o Brasil. Bolsonaros, inimigos do povo”, publicou Correia.

Como os EUA justificam o tarifaço

A aplicação de taxas a produtos brasileiros surge no escopo de uma investigação comercial dos Estados Unidos, promovida pelo United States Trade Representative (USTR), o escritório de representação comercial estadunidense. O governo Trump se ancora na chamada Seção 301 da legislação comercial norte-americana e diz que o Brasil adota práticas ilegais de comércio – o que o Governo Lula refuta.

Segundo a investigação da USTR, que para o Brasil é infundada, unilateral e ilegítima, agricultores, trabalhadores, empresas inovadoras e exportadores dos Estados Unidos estão sendo prejudicadas pelo governo brasileiro. Eles questionam, por exemplo, o uso do PIX, pagamento eletrônico brasileiro, citam a questão do desmatamento e restrições para entrada do etanol norte-americano no Brasil.

De acordo com a Confederação Nacional da Indústria (CNI), o tarifaço de Trump poderá afetar cerca de US$ 15 bilhões em exportações brasileiras por ano.

Enquanto isso, Flávio não explica o BolsoMaster

Uczai cobrou explicações de Flávio Bolsonaro sobre seus vínculos com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. O senador pediu ao banqueiro mais de R$ 130 milhões para financiar um filme sobre a vida de seu pai. A produtora do longa-metragem, a Entre Investimentos, recebeu R$ 61 milhões, confirmam as investigações.

O parlamentar ainda mencionou a fotografia, divulgada na quarta, 15, pelo ICL Notícias, em que Flávio aparece ao lado de Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, capanga de Vorcaro encarregado de ameaças e ações violentas contra desafetos do banqueiro. A foto mostra o senador sem camisa ao lado do criminoso. “Sicário” foi encontrado morto em uma cela da PF em Belo Horizonte em março deste ano.

Uczai conclui: “A cada dia, um novo escândalo”.

O senador Humberto Costa (PT-PE) também foi às redes sociais para expor a crise que abalou a pré-campanha de Flávio Bolsonaro à Presidência da República por conta das denúncias sucessivas, e sem explicação, que envolvem o nome dele. O senador destacou o vínculo de Sicário, um miliciano, com Vorcaro.

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