‘2026 será decisivo não apenas pelas eleições, mas para a democracia’
A secretária de Finanças do PT, Gleide Andrade, afirma neste artigo que “ganhar em 2026 não é um fim em si mesmo” e é preciso ampliar diálogo com setores excluídos
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Por Gleide Andrade*
O ano de 2026 será um momento decisivo para o Brasil, marcado por disputas profundas em torno do projeto de país que estará em jogo nos próximos anos. Trata-se de um período em que se cruzam balanço e perspectiva, memória recente e construção de futuro, exigindo escolhas políticas capazes de sustentar avanços e enfrentar desafios estruturais. Mais do que uma disputa eleitoral, o que se desenha é a definição de caminhos para a democracia, o desenvolvimento e a justiça social.
Perspectivas eleitorais
As pesquisas indicam que o presidente Lula mantém liderança estável na corrida presidencial de 2026, aparecendo à frente de diferentes cenários e consolidando apoio popular diante do campo conservador. Essa posição não se explica apenas pelo discurso, mas pela materialidade de políticas públicas que, nos últimos anos, resgataram dignidade, trabalho e renda para milhões de brasileiros.
Como o próprio presidente destacou na última reunião ministerial de 2025, disputar a narrativa sobre as ações de governo é fundamental para que a população saiba, de fato, “quem fez o quê nesse país”.
Mais do que números eleitorais, o que está em jogo é a consolidação de um vínculo político com as bases sociais que sustentam o campo democrático e a ampliação desse diálogo com setores ainda atravessados pela exclusão.
Ganhar em 2026 não é um fim em si mesmo, mas parte de um compromisso com a democracia e com políticas públicas capazes de enfrentar desigualdades estruturais.
Economia
O governo tem reiterado que 2026 é o ano da verdade: o momento de tornar visíveis os efeitos concretos das políticas públicas na vida das pessoas. O desafio não está apenas na execução das ações, mas na capacidade de comunicar seus resultados de forma clara, transparente e acessível.
No campo econômico, a estratégia tem sido combinar responsabilidade fiscal com compromisso social. Em um cenário internacional instável, o Brasil busca afirmar um caminho que articule crescimento, geração de empregos e redução das desigualdades, por meio de investimentos, políticas de renda e ampliação do crédito. Sustentar esse equilíbrio será central para fortalecer a confiança popular no projeto em curso.
Esse esforço ocorre em meio a um ambiente de polarização e desinformação, no qual campanhas sistemáticas tentam distorcer fatos, enfraquecer políticas públicas e minar a confiança nas instituições. Trata-se de um desafio político e cultural que exige organização, firmeza e compromisso com a verdade.
Enfrentar a extrema direita
O adversário político em 2026, ainda que fragmentado, segue mobilizando narrativas de ódio e desinformação que ameaçam os alicerces da democracia. Essa estratégia se apoia na deslegitimação das instituições, no ataque às regras democráticas e na tentativa de transformar o conflito permanente em método de atuação política.
A resposta do campo democrático não pode se limitar ao terreno eleitoral. Trata-se de uma disputa de valores e de projeto de país. Defender a democracia significa reafirmar o debate público, a pluralidade de ideias e a política baseada em propostas — e não na eliminação simbólica do adversário.
Desafios do campo democrático
O Partido dos Trabalhadores chega a 2026 diante de uma responsabilidade histórica que ultrapassa suas fronteiras partidárias. Em um contexto de ataques recorrentes à democracia, cabe ao PT exercer um papel central na articulação do campo democrático, dialogando com a sociedade e contribuindo para a construção de consensos em torno de um projeto nacional comprometido com direitos, justiça social e fortalecimento das instituições.
Mais do que coesão eleitoral, o desafio é a coerência programática entre as forças democráticas. Isso implica consolidar uma agenda comum que defenda a educação pública, a sustentabilidade ambiental com justiça social, a igualdade racial e de gênero e o fortalecimento do sistema de proteção social. Um campo democrático forte será aquele capaz de enfrentar o autoritarismo e, ao mesmo tempo, apresentar respostas concretas para o futuro do país.
O Brasil em 2026
A liderança de Lula expressa um projeto político que já transformou a vida de milhões de pessoas. Por isso, 2026 será decisivo não apenas pelas eleições, mas pelo significado que esse processo carrega para a democracia brasileira.
Se 2025 foi o ano da colheita, como já escrevemos, 2026 será o ano da confirmação desse ciclo de reconstrução, não apenas para o campo progressista, mas, sobretudo, para o povo brasileiro.
É hora de reafirmar nosso compromisso com a democracia, com a justiça social e com um país que olha para o futuro com coragem e responsabilidade.
(*) Secretária nacional de Finanças e Planejamento do Partido dos Trabalhadores (PT)
Artigo publicado originalmente no site do Brasil de Fato
