Lula chama PT à guerra, pede união e discurso coeso para a vitória
Presidente diz que será o soldado na linha de frente, avisa que acabou o Lulinha Paz e Amor e quer defender no pleito um outro projeto de país que desperte corações
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O timoneiro e o soldado que permanece na linha de frente. O presidente Lula pediu à militância do Partido dos Trabalhadores e de todos os partidos progressistas democráticos do país, na celebração dos 46 anos do PT, em Salvador, que se preparem para uma guerra no processo eleitoral deste ano. Lula antevê uma disputa rasteira nas redes sociais e disse que os militantes e dirigentes precisam “escrachar” cada mentira que a extrema direita contar e fazer uma disputa contundente de narrativa. “Preparem-se. Essa eleição vai ser uma guerra e nós vamos ter que estar preparados pra ela. Temos que ser mais desaforados, porque eles são. Não podemos ficar quietinhos. Não tem essa mais de Lulinha Paz e Amor…”, afirmou o presidente.
Lula afirmou que está extremamente motivado para disputar a reeleição aos 80 anos, muito mais do que quando tinha 50 e poucos anos – “vivo meu melhor momento, não só pessoal, mas físico e mental”. “Se preparem, porque nós vamos ganhar essas eleições, e governar com nossos aliados, mais 4 anos.”
O presidente, porém, deixou claro à militância que apenas os resultados exitosos das políticas sociais implementadas pelo PT e por seu governo não vão garantir a vitória eleitoral. Sob o grito de guerra “Vai dar PT, vai dar, vai dar”, Lula reagiu: “Vai dar PT se a gente compreender que todas as coisas boas que nós fizemos, por si só, podem não ganhar eleições (…) O que vai ganhar essas eleições é nossa narrativa política”.
Lula observou que esse “discurso político” ainda está sendo construído e, ciente dos desafios do mundo contemporâneo, afirmou que não quer ser mais só o presidente do Bolsa Família e dos projetos sociais que mudaram a vida do povo. É preciso ir além: “Precisamos pensar num outro projeto para esse país. Qual projeto vamos apresentar para que a gente possa despertar nos corações, de meninas e meninos, homens e mulheres, jovens e adultos, a expectativa de que a gente pode construir um outro país. É isso que vai mobilizar o nosso povo”.
Não é apenas a vitória para a Presidência da República que está em jogo nesta eleição, enfatizou Lula, mas sobretudo se o Brasil seguirá sendo um país democrático ou se estará entregue a um projeto fascista.
Alianças amplas nos estados
Lula avisou que o partido precisa “trabalhar para fazer alianças para ganhar as eleições”. Não estamos com essa bola toda em todos os estados. Tem estados em que precisamos compor. Precisamos decidir se a gente quer ganhar ou perder.”
A recomendação de Lula ao presidente nacional do PT, Edinho Silva, é que construa “as alianças necessárias pra gente ganhar as eleições”. Lula enfatizou que o PT não precisa negar seus princípios ao fazer alianças. “Acordo político é uma coisa tática pra gente poder governar esse país, como estamos fazendo agora.”
O PT, disse Lula, está “mais sabido e mais preparado”. O presidente agradeceu a todos os militantes do PT, PSB, PC do B e PDT, além de siglas do campo democrático: “Eu não sei o que seria do país se a gente não tivesse essa militância”.

Lula elogia o vice, Geraldo Alckmin, como exemplo das amplas alianças políticas que o partido precisa construir. (Foto: João Valadares)
PT não pode ir para a vala da política podre
Em um longo discurso, em que fez uma retrospectiva da sua atuação sindical desde os anos 1970 e relembrou lances da criação do PT, Lula também repreendeu os dirigentes e políticos da sigla, dizendo o que, segundo ele, somente um pai pode falar.
Lula lembrou que o PT nasceu sob a adversidade, mas que a história é a marca de seu sucesso. “Não tem similaridade ao PT no mundo. Estamos acumulando muitos erros, mas não tem similaridade”, disse o presidente, lembrando que o PT “foi criado por trabalhadores, dirigido por trabalhadores”. “E até o dono de bar que queria se filiar, a gente achava que era burguês e não podia se filiar”, brincou.
Mas Lula lamentou o momento de “podridão e mercantilização da política” brasileira, e fez alertas ao partido. “Agora os nossos deputados são testemunhas de que a política apodreceu. Vocês que são candidatos sabem como está o mercado eleitoral neste país.
Sabem quanto custa um cabo eleitoral, um vereador, sabem quanto custa o preço de cada candidatura neste país. O que é uma vergonha”, lamentou.
“Agora é dinheiro rolando pra tudo quanto é lado”, acrescentou, enfatizando que o comportamento do PT precisa ser diferente e distinto da direita. Deputados, disse Lula, não podem confundir mandato com emprego. Os políticos do PT precisam todos os dias botar a cabeça no travesseiro e saber o seu dia foi condizente com as aspirações que levaram à criação do partido.
Lula citou o Orçamento Secreto como um dos exemplos da deterioração da política nacional. “O orçamento secreto foi o sequestro do orçamento do Executivo para que deputados e senadores tivessem liberdade de usar a mesma quantidade de dinheiro que sobra para o governo federal. Pra mim isso não é normal. Acho grave que o PT votou favorável”, criticou.
“Vocês têm a obrigação moral de não deixar esse partido ser um que vai para a vala comum da política deste pais”, defendeu o presidente Lula.
Partido forte, sem brigas internas
Lula relembrou as posturas do PT ao longo da história, como na Constituinte, e disse que houve várias previsões sobre o fim do partido. Mas o PT cresceu e floresceu. Porém, o presidente enfatizou que o partido precisa ter “capacidade de fazer avaliações”.
Ele disse sofrer quando se dá conta de que o PT já governou 24 milhões de pessoas na Grande São Paulo – Osasco, Diadema, Mauá, São Bernardo, e outras cidades – e hoje perdeu espaço político no estado. “O que aconteceu? Alguma coisa. Em algum momento erramos. Em alguma coisa nós erramos. E tem que dizer onde erramos pra corrigir. Não podemos continuar a perseguindo o erro. Tem que corrigir. As brigas internas acabaram com o PT”, alertou Lula.
O PT, que faz 46 anos, precisa fazer uma reflexão história. “O partido que tem que ser forte, não é o Lula que tem que ser forte. Lula é pessoa física, vocês são pessoa jurídica”.
Reconexão com as periferias, escuta dos evangélicos
Lula lembrou a sua história de sindicalista, percorrendo as fábricas com seu fusquinha e alto-falante, para convencer os trabalhadores sobre o partido que almejava criar. Para o presidente, essa campanha de 2026 exige uma reconexão do PT com as pessoas, no corpo a corpo. “PT tem que ouvir periferias.”
Ele disse, ainda, que o PT não pode esperar que pastores evangélicos falem do governo. Cabe ao partido ir até as comunidades e dialogar com as pessoas.
A celebração terminou em festa, após importante reflexões feitas pelo presidente e pelo partido, que passou os últimos dias em encontros para analisar os desafios do presente e do futuro. Além do presidente, discursaram também o presidente do PT, Edinho Silva, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, a senadora Tereza Leitão (PT-PE) e o presidente do PT da Bahia, Tássio Brito.
Da Rede PT de Comunicação.

