Lula reafirma Brasil como potência sustentável e defende acordo Mercosul-UE
Na abertura da maior feira industrial do mundo, na Alemanha, presidente lidera debate sobre indústria verde, paz mundial e impactos da inteligência artificial
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva abriu a Hannover Messe 2026, a maior feira industrial do mundo, neste domingo, 19, na Alemanha. Em seu discurso, falou sobre integração econômica, paz mundial e proteção dos trabalhadores diante das novas tecnologias. Como país convidado desta edição, o Brasil apresenta um projeto de industrialização focado em sustentabilidade e tecnologia.
Lula destacou que o mundo precisa de um novo paradigma de desenvolvimento e que, para isso, é preciso que exista um multilateralismo justo e equilibrado. Segundo o presidente, a incorporação efetiva dos interesses do Sul-Global é condição essencial para legitimar os novos arranjos globais.
Ele destacou que em menos de duas semanas entrará em vigor o acordo entre Mercosul e União Europeia, criando um mercado comum com 720 milhões de pessoas e com PIB combinado de US$ 23 trilhões. “Escolhemos a cooperação. Mais comércio e investimento significam novos empregos e oportunidades dos dois lados do Atlântico”, afirmou.
Lula afirmou que o Brasil é o parceiro ideal para ajudar a Europa a descarbonizar sua indústria, oferecendo a matriz elétrica mais limpa do mundo (90%) e que potencial para oferecer o hidrogênio verde mais barato do planeta.
“Existem inúmeras complementaridades ainda não exploradas entre as duas regiões. O Brasil pode ajudar a União Europeia a diminuir o custo de energia e descarbonizar sua indústria. Para isso, é essencial que as regras do bloco levem em conta a matriz energética limpa utilizada em nossos processos produtivos”, destacou.
Por uma nova prioridade mundial
Em um dos momentos mais contundentes de seu discurso, Lula questionou as prioridades das grandes potências mundiais, fazendo uma comparação entre os valores investidos em guerras, em contraponto ao que é destinado para acabar com a desigualdade no mundo.
Ele lamentou que, enquanto a humanidade é capaz de sobrevoar a Lua, civis e crianças continuam sendo mortos em bombardeios no Oriente Médio.
“Quando nós ainda não resolvemos o problema do analfabetismo no mundo, quando quase 60% de seres humanos ainda não têm energia elétrica no mundo, não é possível que nós estejamos gastando 2 trilhões e 700 bilhões de dólares em guerra e nada para acabar com a fome no planeta.”
IA a serviço de quem trabalha
Ao abordar o tema central da feira — a Indústria 4.0 e a Inteligência Artificial (IA) —, Lula chamou a atenção para a importância de, em tempos de desenvolvimento tecnológico, manter as pessoas como prioridade.
“Poucas vezes, quando ouço falar em inteligência artificial, ouço falar no trabalhador. Se a IA não tiver como foco o ser humano e o mercado de trabalho, o mundo tende a piorar”, alertou o presidente.
Lula defendeu que os ganhos de produtividade gerados pela tecnologia devem ser revertidos em benefícios sociais, e citou como exemplo o fim da escala 6×1, uma das principais metas do seu governo.
Brasil protagonista em Hannover
A participação brasileira conta com cerca de 2.700 metros quadrados de exposição, organizados em seis áreas temáticas: transição energética, hidrogênio, digitalização, indústria avançada, economia circular e inteligência artificial. A expectativa é que a feira conte com a presença de 140 empresas brasileiras e outras 300 representadas.
Durante a visita do presidente Lula ao país, devem ser assinados cerca de dez acordos e anunciadas iniciativas em áreas como defesa, inteligência artificial, inovação, infraestrutura, bioeconomia, economia circular, financiamento climático e cooperação tecnológica.
“O Brasil está de braços abertos para discutir qualquer tema com a Alemanha, desde que nossa relação fortaleça a democracia e o respeito à soberania”, concluiu o presidente.
Rede PT de Comunicação com informações da Agência Gov.
